Do túnel do tempo ao primeiro dominó - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

Do túnel do tempo ao primeiro dominó

Adelaide Valle Pires
Psicóloga por formação e arqueóloga de coração

Era para ser uma simples postagem nas redes, mais uma daquelas pontes entre o cotidiano e o simbólico, quando o relógio antigo do meu pai apareceu na cena e, com ele, a lembrança do Topo Gigio.
Ontem mesmo eu tinha tudo pronto: imagem, legenda, intenção.
Mas aí o foguete subiu na tela da TV, outras cenas do cotidiano me desviaram a atenção e, quando finalmente consegui atender todas as demandas, o sono já tinha ido embora.
E veio ele — o Topo Gigio, de orelhas abertas — me piscando lá do fundo do túnel do tempo.

Às vezes é assim: uma lembrança puxa outra, e o que seria apenas uma postagem vira um mergulho nas camadas da memória.
No fundo, percebo que o que me move é esse diálogo silencioso com tudo o que me cerca — pessoas, objetos, cenas do dia a dia, livros, filmes, e até as pausas.
Meu livro nasceu desse movimento.
E, embora a vovó seja o rosto mais visível da história, o verdadeiro protagonista é o catador de pequi — o leitor, o ouvinte, aquele que recolhe significados e, aos poucos, se descobre autor de si mesmo.

A intenção da vovó é simples e profunda: movimentar o primeiro dominó, iniciar a corrente do bem.
O livro é, antes de tudo, um convite — a ser o C de construtor, o E de empreiteiro e o O de “ocê”, o CEO da própria vida.
Um convite para transformar lembranças, relações e experiências em matéria viva de autoconhecimento.
Não se trata de buscar a perfeição, mas de lapidar-se, de valorizar os pontos fortes, reconhecer as fragilidades e aprender a gerenciá-las, sempre de olho nas ameaças e nas oportunidades que estão aí para todos — especialmente para quem tem perseverança, flexibilidade, persuasão e coragem para lidar com os paradoxos da vida.

Talvez seja isso que o Topo Gigio tenha vindo me lembrar: que o tempo não volta, mas se abre, como um túnel onde o passado nos acena — e o futuro espera o próximo dominó cair.