DE OLHO NA ÁGUA | Comunidade se une contra descarte irregular e pela preservação ambiental - Rede Gazeta de Comunicação

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DE OLHO NA ÁGUA | Comunidade se une contra descarte irregular e pela preservação ambiental

Em tempos de crescente preocupação com os impactos ambientais nas comunidades urbanas e rurais, ações locais de educação e preservação ganham cada vez mais relevância. Foi esse o caso da Comunidade de Olhos D’Água, na zona rural de Montes Claros, onde uma iniciativa da Prefeitura Municipal, em parceria com a Unimontes, levou informação, conscientização e coleta de dados para planejamento ambiental.

A ação foi resultado de um pedido feito pela Associação de Moradores da Comunidade, preocupada com o aumento do descarte irregular de resíduos sólidos nas margens das estradas vicinais e dentro da própria comunidade. O lixo acumulado em locais inadequados não apenas compromete a estética do ambiente como representa riscos à saúde pública e ao equilíbrio ambiental da região.

Atendendo à solicitação, a Secretaria de Ambiente, Bem-Estar Animal e Sustentabilidade, por meio da Coordenadoria de Educação Ambiental, realizou uma palestra educativa voltada para os moradores. O foco principal foi a destinação correta dos resíduos domésticos e agrícolas, além da prevenção à contaminação de nascentes e cursos d’água locais.

Educação como instrumento de mudança

A escolha pela abordagem educativa reflete uma mudança de estratégia no enfrentamento de problemas ambientais: ao invés de ações meramente punitivas, o município aposta na formação cidadã e no fortalecimento do senso coletivo de responsabilidade.

“A população está cada vez mais consciente de que preservar o meio ambiente é uma questão de sobrevivência. Mas, para que essa consciência se transforme em prática, é preciso informação acessível e contínua”, explicou uma das educadoras ambientais presentes na ação.

Durante a palestra, moradores relataram que o problema do lixo envolve não apenas o comportamento de residentes, mas também de visitantes e de quem transita pelas estradas vicinais, muitas vezes descartando sacolas plásticas e entulhos ao longo do caminho.

Olhos D’Água e o desafio da conservação dos recursos hídricos

Além da palestra, a equipe técnica realizou uma coleta de dados primários da Bacia do Rio São Lamberto, que corta a região de Olhos D’Água. A atividade integra a etapa inicial para a elaboração do Atlas Hidrográfico de Montes Claros, documento técnico-científico que está sendo construído em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

Esse atlas terá papel fundamental no planejamento e uso sustentável dos recursos hídricos do município, especialmente em áreas vulneráveis à degradação ambiental. A região de Olhos D’Água, por exemplo, abriga nascentes que contribuem para o abastecimento de pequenas propriedades e zonas de cultivo familiar.

A coleta envolveu mapeamento de nascentes, levantamento de características do solo, observações sobre o uso do solo nas proximidades dos cursos d’água e identificação de áreas com risco de contaminação.

Sustentabilidade na prática: entre discurso e realidade

Embora ações como essa estejam se tornando mais frequentes, os desafios são muitos. A zona rural de Montes Claros enfrenta carência de infraestrutura para descarte e reciclagem, e muitas comunidades ainda não contam com coleta regular de resíduos sólidos, o que dificulta a adoção de práticas sustentáveis mesmo por parte dos moradores mais conscientes.

“O lixo não some porque alguém joga fora. Ele apenas muda de lugar – e muitas vezes vai parar nas beiras dos córregos ou nos quintais alheios. Precisamos de soluções coletivas, e não apenas de orientações”, comentou um dos participantes do encontro, destacando que a comunidade espera que o poder público avance também em políticas de logística reversa, coleta seletiva e incentivo à compostagem.

Ainda assim, a realização do evento foi recebida com entusiasmo pelos moradores, que destacaram a importância da aproximação entre a comunidade, a universidade e o poder público.

Um modelo que pode (e deve) se expandir

A ação em Olhos D’Água mostra que iniciativas locais podem funcionar como modelo para outras comunidades de Montes Claros, especialmente aquelas situadas em áreas rurais ou periurbanas, onde os impactos ambientais são sentidos com maior intensidade e onde a atuação do poder público muitas vezes é limitada por questões logísticas.

A proposta da Prefeitura e da Unimontes é de que, a partir das informações coletadas e do engajamento da população, seja possível criar um banco de dados regionalizado, com o objetivo de traçar políticas ambientais específicas para cada microbacia, respeitando as características sociais, culturais e geográficas de cada território.

Preservar hoje para garantir o amanhã

No fim das contas, a ação realizada na Comunidade de Olhos D’Água é um lembrete de que a preservação ambiental começa em casa, nas ruas, nos quintais e nos pequenos gestos do dia a dia. Mas ela também é resultado de planejamento, investimento público e, principalmente, de escuta ativa das demandas da população.

Em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos nas cidades brasileiras – com secas prolongadas, calor extremo e escassez hídrica – as ações realizadas ali, embora pontuais, ganham uma dimensão ainda mais significativa: a de preparar o território para os desafios do futuro.