O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos–MG), anunciou na sessão da Comissão de quinta-feira (23) que pedirá a prisão temporária de testemunhas convocadas que não agendarem seus depoimentos até o final de semana.
Segundo Viana, a medida é necessária para garantir o avanço das investigações sobre as fraudes que desviaram bilhões de reais de aposentados e pensionistas.
Entre os convocados que ainda não compareceram estão: Mauro Palombo Concílio, contador de empresas suspeitas; Vinicius Ramos da Cruz, cunhado do presidente da Conafer; Silas da Costa Vaz, ligado à mesma entidade; Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen); e o empresário Danilo Berndt Trento, também citado nas apurações.
“Quero solicitar aos advogados dessas pessoas que entrem em contato com a secretaria e marquem as datas para oitivas. Se isso não ocorrer até o fim de semana, colocarei em votação o pedido de prisão junto à Justiça Federal, para que sejam conduzidos pela polícia e trazidos a esta CPMI”, afirmou Viana.
Presidente da CPMI rebate ministro da Previdência
Durante a reunião, o senador também rebateu as críticas do ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que, em entrevista à Rádio Itatiaia, classificou a CPMI como “pirotecnia da oposição”. Indignado, Viana disse que as declarações são um “desrespeito absurdo ao Parlamento” e lembrou que a comissão já revelou fraudes que estavam paradas há anos.
“Antes da CPMI, não havia prisões, bloqueios de bens ou qualquer providência, mesmo com alertas da CGU e do TCU. Agora, estão pagando pessoas com dinheiro do contribuinte porque esta comissão começou a jogar luz sobre o esgoto da ladroagem na Previdência brasileira”, criticou o senador, que chamou o ministro de mal-informado.
Viana prometeu ainda que o colegiado entregará um relatório final completo, identificando todos os responsáveis pelos desvios. “Vamos até o fim e entregaremos ao Brasil um relatório com todos os culpados por essa roubalheira”, disse.
Médica nega ser “laranja” do marido em esquema de fraudes
Na mesma sessão, a CPMI ouviu o depoimento da médica Thaisa Hoffmann Jonasson e do ex-procurador-geral do INSS e marido dela, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ambos investigados por envolvimento no esquema de fraudes no INSS, segundo a Polícia Federal.
Os parlamentares disseram que, de acordo com as investigações, empresas em nome de Thaisa teriam sido usadas para “lavar” dinheiro de propina pago ao marido por meio do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Thaisa Hoffmann não respondeu às perguntas dos parlamentares.
Já Virgílio Filho, afastado do cargo em abril de 2025, respondeu algumas perguntas e negou ter padrinhos políticos. Disse ter agido com retidão todo o tempo que ficou nos vários cargos públicos de chefia. Em relação ao aumento de patrimônio dele e das empresas da esposa Thaisa Hoffmann, Virgílio não respondeu.


