CPMI do INSS realiza sessão extra para votar convocação de familiares e sócios de investigados - Rede Gazeta de Comunicação

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CPMI do INSS realiza sessão extra para votar convocação de familiares e sócios de investigados

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) realizará uma sessão extra nesta terça-feira (16), às 14h, no Senado Federal. Em pauta, a votação em regime de urgência de seis requerimentos para convocação de testemunhas ligadas a investigados centrais no esquema de fraudes que teria desviado milhões de reais dos cofres da Previdência Social.

A decisão de antecipar os trabalhos foi tomada após reunião de cúpula entre o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), o relator Alfredo Gaspar (União-AL), o vice-presidente da comissão e líderes partidários da base do governo e da oposição.

Entre os nomes que poderão ser convocados estão pessoas próximas a dois dos principais investigados pela comissão: Antônio Carlos Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, e Maurício Camisotti. Serão alvo da deliberação:

Tânia Carvalho dos Santos, esposa de Camilo;

Romeu Carvalho Antunes, filho de Camilo;

Rubens Oliveira Costa, sócio de Camilo;

Milton Salvador de Almeida e Júlio, sócios em empresas apontadas como parte do esquema;

Cecília Montalvão, esposa de Camisotti;

Nelson Willians, advogado que já foi alvo de uma operação da Polícia Federal no contexto das investigações.

A convocação ocorre após a desistência de investigados que haviam confirmado presença em sessões anteriores, mas não compareceram, frustrando a agenda da comissão. Entre eles, o próprio “Careca do INSS”, que cancelou sua ida de última hora.

“Estamos aqui para dar uma resposta ao povo brasileiro. A CPMI tem poder de polícia e não vamos permitir que os acordos firmados sejam desrespeitados”, afirmou o presidente da comissão, senador Carlos Viana.

Esquema investigado envolve contratos e movimentações suspeitas

A CPMI do INSS busca esclarecer o envolvimento de pessoas físicas e jurídicas em um complexo esquema de fraudes previdenciárias. De acordo com os indícios reunidos até o momento, empresas laranjas e contratos de fachada foram usados para desviar recursos públicos por meio de benefícios irregulares e serviços nunca prestados.

A expectativa é que os depoimentos dos convocados comecem ainda nesta semana, já na quinta-feira (18). A comissão acredita que a oitiva de familiares e sócios pode fornecer informações cruciais sobre a estrutura do esquema e o destino dos recursos desviados.

O relator Alfredo Gaspar reforçou que os trabalhos da CPMI entrarão agora em uma nova fase, mais incisiva:

“Estamos cruzando dados bancários, fiscais e societários. Essas convocações são estratégicas para aprofundarmos a identificação dos beneficiários diretos e indiretos desse esquema criminoso que sangrou a Previdência”, disse.

A CPMI foi instalada em junho deste ano e tem previsão de funcionamento até o fim do semestre legislativo, com possibilidade de prorrogação. O grupo já colheu depoimentos de servidores do INSS, peritos e empresários suspeitos de participação no esquema.

Com a pressão política crescente e o apoio de parlamentares da base e da oposição, a comissão promete intensificar os trabalhos nas próximas semanas.