CPMI do INSS inicia 2026 com ritmo intenso, embates no STF e novas etapas da Operação Sem Desconto - Rede Gazeta de Comunicação

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CPMI do INSS inicia 2026 com ritmo intenso, embates no STF e novas etapas da Operação Sem Desconto

Após a pausa para o recesso parlamentar de fim de ano, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no INSS retomou suas atividades em 2026 com agenda carregada, embates judiciais e novos desdobramentos da chamada Operação Sem Desconto. A CPMI volta ao centro do debate político nacional em meio a disputas jurídicas e promessas de aprofundamento das investigações.

Os trabalhos foram oficialmente retomados no dia 5 de fevereiro, com o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. A oitiva marcou a reabertura das atividades da comissão e deu início a uma nova fase de questionamentos sobre a estrutura interna da autarquia, os mecanismos de controle e a dimensão dos prejuízos causados pelas fraudes investigadas.

Depoimentos cancelados por decisão judicial

Já no dia 9 de fevereiro, dois depoimentos considerados estratégicos foram cancelados. Paulo Camisotti, apontado como um dos operadores do suposto esquema de fraude na Previdência, e o deputado estadual Edson Araújo não compareceram à comissão após obterem habeas corpus que lhes garantiu o direito de não prestar depoimento naquele momento.

As decisões judiciais provocaram reação dentro da comissão, que avalia que as sucessivas liminares têm atrasado o andamento das apurações. Parlamentares argumentam que os depoimentos são fundamentais para esclarecer a dinâmica do esquema e identificar possíveis responsáveis.

Operações continuam mesmo durante o recesso

Apesar da pausa nos trabalhos legislativos no fim de 2025, as investigações não ficaram estagnadas. Durante o recesso, a Polícia Federal realizou novas etapas da Operação Sem Desconto em conjunto com a CPMI, ampliando a coleta de provas e aprofundando o rastreamento financeiro dos envolvidos.

As novas diligências reforçam a linha investigativa que aponta para um esquema estruturado de descontos indevidos em benefícios previdenciários, com possível participação de operadores financeiros e agentes públicos.

Convocação de banqueiro gera embate no Supremo

Outro ponto de tensão envolve Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master e citado como um dos principais operadores financeiros ligados ao caso. Ele foi convocado a comparecer à CPMI, mas o Supremo Tribunal Federal retirou a obrigatoriedade de sua presença, decisão que gerou forte reação política.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, anunciou que recorrerá da decisão do STF. Segundo ele, a medida “interfere e atrasa as investigações”. O parlamentar afirmou que, caso o Supremo reveja o entendimento, o empresário será novamente obrigado a comparecer presencialmente para prestar esclarecimentos.

“Não é porque ele é banqueiro que receberá benefício. O empresário não terá privilégio na comissão. Vou defender que compareça presencialmente para prestar esclarecimentos”, declarou Viana.

A decisão do STF reacendeu o debate sobre os limites de atuação das CPIs e a possibilidade de convocação coercitiva de investigados.

Pedido de prorrogação por mais 60 dias

Diante do volume de requerimentos ainda pendentes e das oitivas que não foram realizadas, Carlos Viana solicitou a prorrogação dos trabalhos da CPMI por mais 60 dias. O objetivo é garantir que todos os convocados sejam ouvidos e que os requerimentos aprovados sejam efetivamente pautados.

O senador afirmou que, caso o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, não prorrogue o funcionamento da comissão, ele recorrerá ao Supremo Tribunal Federal para assegurar a continuidade das investigações.

Viana declarou ainda que, mesmo diante do que classificou como “blindagens e proteções” aos envolvidos no escândalo da Previdência, não desistirá de identificar os responsáveis e buscar a punição dos culpados.

Cenário político e expectativa

A retomada intensa dos trabalhos da CPMI ocorre em um momento de forte pressão pública por respostas sobre eventuais fraudes no sistema previdenciário. A expectativa é que as próximas semanas sejam marcadas por novos requerimentos, embates judiciais e possível redefinição do calendário da comissão.

Com decisões pendentes no Supremo e pedidos de prorrogação em análise, o andamento da CPMI do INSS em 2026 dependerá não apenas do ritmo das investigações, mas também do desfecho jurídico das disputas envolvendo convocações e depoimentos.

Enquanto isso, a comissão promete manter o foco na apuração dos fatos e na responsabilização dos envolvidos, reforçando que o objetivo final é proteger os recursos da Previdência e garantir maior transparência na gestão do sistema.