A Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, foi tomada por cores, sons e devoção na noite dessa terça-feira (6/1), durante o Cortejo de Folias de Reis que marcou o encerramento oficial do Natal da Mineiridade. A celebração reuniu sete grupos tradicionais da capital e do interior do estado, consolidando um dos maiores e mais expressivos ciclos natalinos já realizados em Minas Gerais, tanto pelo alcance de público quanto pela valorização da cultura popular.
A iniciativa é do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), da Fundação Clóvis Salgado (FCS) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). O evento reafirmou o compromisso do poder público com a preservação e a difusão das manifestações culturais que integram a identidade mineira.
O cortejo atraiu grande público desde a concentração em frente à sede do Iepha-MG até o Palácio da Liberdade, em um percurso marcado por cantorias, instrumentos tradicionais, estandartes e figurinos típicos. Participaram do encontro a Folia de Dona Guidinha, do bairro Caiçara, em Belo Horizonte; a Folia de Nossa Senhora Aparecida, de Ibirité, na Região Metropolitana; e a Folia de São Sebastião, de Salto da Divisa, no Vale do Jequitinhonha, além de outros grupos que mantêm viva a tradição em diferentes regiões do estado.
Para muitos participantes, o evento representou uma oportunidade rara de dar visibilidade a expressões culturais que, na maior parte do tempo, acontecem de forma mais reservada, especialmente em comunidades rurais. Mestre do Reisado da Folia de São Sebastião, Adilson Alves de Souza participou pela primeira vez de um cortejo na capital e destacou a importância do reconhecimento.
“É uma honra muito grande estar aqui. A gente canta no interior, lá na zona rural, mas quase ninguém fica sabendo. Quando vem para um lugar como esse, todo mundo tem a oportunidade de conhecer o nosso trabalho e a nossa fé”, afirmou Adilson, emocionado com a receptividade do público.
Reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais desde 2017, as Folias de Reis representam um conjunto de saberes, rituais, músicas e práticas devocionais transmitidas de geração em geração. Mais do que uma celebração religiosa, a manifestação carrega elementos históricos e simbólicos que fortalecem a memória coletiva e o sentimento de pertencimento das comunidades envolvidas.
A secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, ressaltou que o encerramento do Natal da Mineiridade com o Cortejo de Folias de Reis simboliza a força e a vitalidade da cultura popular mineira. “As Folias de Reis representam a essência da mineiridade porque carregam fé, música, memória e pertencimento. Encerrar o Natal da Mineiridade com esse cortejo é reconhecer o valor das tradições que atravessam gerações e seguem vivas nos territórios, fortalecendo a identidade cultural de Minas Gerais”, afirmou.
O diretor de Proteção e Memória do Iepha-MG, Adriano Maximian, também destacou o caráter contemporâneo e dinâmico da tradição. “As Folias de Reis seguem vivas, pulsantes e em diálogo com o presente. Este cortejo expressa a continuidade dessa manifestação e o compromisso com sua salvaguarda”, ressaltou.
Edição histórica do Natal da Mineiridade
A edição 2025 do Natal da Mineiridade entrou para a história como uma das maiores ações culturais do período natalino no Brasil. Somente na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, a estimativa é de que cerca de 1 milhão de pessoas tenham participado das atividades ao longo da programação. Já o Palácio da Liberdade recebeu 164.711 visitantes durante o ciclo festivo.
Ao todo, foram realizadas 36 atrações musicais na Praça da Liberdade, com apresentações que valorizaram a diversidade artística e promoveram o acesso democrático à cultura. Concertos, espetáculos, cortejos e intervenções artísticas transformaram o tradicional cartão-postal da capital em um grande palco a céu aberto.
Impacto na economia criativa
Além do aspecto cultural, o Natal da Mineiridade também gerou impactos significativos na economia criativa. Em Belo Horizonte, a Vila Mineiridade funcionou por 49 dias, entre 19 de novembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, recebendo aproximadamente 60 mil visitantes.
O espaço registrou um faturamento estimado em R$ 3,6 milhões, gerou cerca de 350 empregos diretos e contou com 40 barracas, que comercializaram aproximadamente 55,5 mil refeições, com ticket médio de R$ 60. Os números reforçam o potencial das ações culturais como instrumentos de geração de renda, estímulo ao empreendedorismo e fortalecimento da economia local.
Alcance em todo o estado
No interior de Minas Gerais, o programa também teve grande capilaridade. Ao todo, 484 municípios cadastraram mais de 850 eventos dentro da programação do Natal da Mineiridade, demonstrando a força e a diversidade das tradições natalinas mineiras.
As ações voltadas aos Presépios e Lapinhas também tiveram destaque, com o registro de 357 presépios cadastrados em 281 municípios, fortalecendo uma das expressões mais simbólicas e afetivas do ciclo natalino no estado.
Com o encerramento marcado pelo Cortejo de Folias de Reis, o Natal da Mineiridade reafirma-se como uma celebração que vai além das luzes e da decoração, consolidando-se como um grande movimento de valorização da cultura, da fé, da economia criativa e da identidade do povo mineiro.


