ICEI-MG avança 4,7 pontos e chega a 48, ainda abaixo da linha de confiança; expectativas para os próximos seis meses voltam ao campo otimista após oito meses de avaliações negativas
A confiança dos empresários industriais de Minas Gerais apresentou recuperação em outubro de 2026, mas continua em território de falta de confiança pelo 23º mês consecutivo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (ICEI-MG) avançou 4,7 pontos e alcançou 48 pontos, segundo levantamento divulgado na sexta-feira (16) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
Apesar da melhora, o indicador permanece abaixo dos 50 pontos, patamar que separa a confiança da falta de confiança. O resultado mostra uma mudança positiva na percepção dos industriais sobre os próximos meses, mas ainda revela dificuldades para consolidar uma recuperação do ambiente de negócios no estado.
A pesquisa, elaborada pela Gerência de Economia da FIEMG, aponta um cenário marcado por duas avaliações distintas: de um lado, os empresários demonstram expectativas mais favoráveis para o futuro; de outro, continuam considerando desfavoráveis as condições econômicas atuais do país e a situação de seus próprios negócios.
A diferença entre essas percepções ajuda a explicar por que o índice avançou, mas ainda não ultrapassou a linha que caracteriza um ambiente de confiança empresarial.
Expectativas voltam ao campo positivo
Um dos principais destaques do levantamento de outubro foi a retomada do otimismo em relação aos próximos seis meses. Após oito meses consecutivos de avaliações negativas, as expectativas dos industriais mineiros voltaram ao campo positivo.
A mudança indica uma melhora na percepção dos empresários sobre as perspectivas econômicas e as condições futuras de suas empresas. Entretanto, a recuperação das expectativas ainda não foi suficiente para compensar integralmente a avaliação desfavorável do cenário presente.
Para o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, a melhora da confiança ocorreu em um contexto de maior definição política após o primeiro turno das eleições, fator que pode ter contribuído para reduzir parte das incertezas sobre os meses seguintes.
“A melhora da confiança dos industriais mineiros ocorreu em um contexto de maior definição do cenário político, após o primeiro turno das eleições, o que pode ter contribuído para reduzir parte das incertezas em relação aos próximos meses. Contudo, a avaliação das condições atuais permaneceu desfavorável, refletindo um ambiente ainda marcado por juros elevados, inflação acima do teto da meta e preocupações com a situação fiscal”, avalia.
A análise evidencia que a percepção dos empresários não depende apenas das expectativas políticas. O custo do crédito, o comportamento dos preços e as condições das contas públicas continuam entre os fatores que influenciam as decisões de investimento e expansão da atividade industrial.
Juros e inflação continuam no radar
O cenário econômico segue impondo desafios às empresas. Juros elevados encarecem o financiamento de máquinas, equipamentos, capital de giro e projetos de expansão, podendo levar empresários a adiar investimentos ou adotar maior cautela na contratação de trabalhadores.
A inflação também afeta o planejamento das empresas, pois pressiona custos de produção e reduz o poder de compra dos consumidores. Quando o ambiente econômico permanece incerto, a indústria enfrenta mais dificuldades para projetar a demanda, definir preços e avaliar a viabilidade de novos investimentos.
Outro ponto de atenção é a situação fiscal, que influencia as expectativas sobre a trajetória da economia e pode repercutir nas condições de financiamento e no comportamento dos juros.
Segundo João Gabriel Pio, as incertezas no ambiente externo também limitam a confiança dos empresários mineiros. Dessa forma, mesmo com a melhora registrada em outubro, a combinação de fatores internos e internacionais continua exigindo cautela do setor produtivo.
Melhora do índice ainda não significa recuperação consolidada
O avanço de 4,7 pontos em um único mês representa uma mudança relevante na percepção dos industriais, mas precisa ser analisado em conjunto com a trajetória do indicador. A permanência abaixo dos 50 pontos pelo 23º mês consecutivo demonstra que a falta de confiança continua predominando.
O resultado também revela a diferença entre acreditar em uma melhora futura e perceber condições favoráveis no presente. Embora os empresários estejam mais otimistas em relação aos próximos seis meses, a avaliação das condições atuais da economia e dos negócios permanece negativa.
Para que a recuperação da confiança se consolide, será importante acompanhar os próximos resultados do ICEI-MG e verificar se o otimismo se mantém, se as condições atuais melhoram e se o indicador consegue ultrapassar a marca dos 50 pontos.
A evolução da confiança empresarial é relevante porque as decisões da indústria sobre produção, contratação, modernização e investimentos dependem, entre outros fatores, da previsibilidade econômica. Quando os empresários demonstram maior segurança em relação ao futuro, o ambiente tende a se tornar mais favorável ao planejamento. Isso, porém, não significa que a melhora das expectativas se transforme automaticamente em crescimento da atividade econômica.
Indústria mineira segue em alerta
O levantamento de outubro apresenta, portanto, um sinal positivo, mas ainda insuficiente para caracterizar uma retomada consistente da confiança industrial em Minas Gerais.
A recuperação das expectativas após oito meses de avaliações negativas indica uma mudança de perspectiva, enquanto a sequência de 23 meses com o ICEI-MG abaixo de 50 pontos reforça a persistência das dificuldades enfrentadas pelo setor.
Na avaliação da FIEMG, o comportamento dos juros, da inflação, das contas públicas e do cenário internacional continuará influenciando as decisões empresariais. O desafio, nos próximos meses, será transformar o otimismo renovado em uma percepção mais favorável das condições atuais, permitindo que a confiança avance de forma sustentada.
Os números de outubro
ICEI-MG: 48 pontos.
Variação mensal: alta de 4,7 pontos.
Tempo abaixo de 50 pontos: 23 meses consecutivos.
Expectativas: voltaram ao campo otimista após oito meses de avaliações negativas.
Fonte: Gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).


