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Concessão das BRs 251 e 116 pode impulsionar economia do Norte de Minas - Rede Gazeta de Comunicação

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Concessão das BRs 251 e 116 pode impulsionar economia do Norte de Minas

Com 734,9 quilômetros sob administração da Ecovias das Gerais, corredor rodoviário atravessa 26 municípios e conecta regiões estratégicas para a mineração, a indústria, o agronegócio e o turismo; investimentos previstos chegam a R$ 13,16 bilhões em 30 anos

A concessão das rodovias BR-251 e BR-116 abre uma nova perspectiva para a infraestrutura e o desenvolvimento econômico do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha. Desde julho de 2026, a administração dos 734,9 quilômetros que integram esse importante corredor logístico está sob responsabilidade da Ecovias das Gerais, empresa do grupo EcoRodovias. O trecho atravessa 26 municípios, conectando o Norte de Minas ao Vale do Jequitinhonha e ao sul da Bahia.

A mudança na gestão ocorre em um momento de expansão de diferentes atividades econômicas na região. A mineração, especialmente a cadeia do lítio, o setor farmacêutico, a produção de celulose, o agronegócio e o turismo representam oportunidades de geração de empregos, atração de investimentos e diversificação da economia regional. Para que esse crescimento se consolide, entretanto, a melhoria da infraestrutura de transporte e da segurança viária é considerada um dos fatores fundamentais.

Historicamente, as duas rodovias convivem com problemas relacionados às condições do pavimento, à sinalização, à capacidade de tráfego e ao número de acidentes. A BR-251, em particular, aparece entre as estradas brasileiras com índices preocupantes de letalidade. A situação afeta diretamente quem utiliza as vias diariamente, mas também representa um obstáculo para empresas que dependem do transporte rodoviário para movimentar mercadorias e insumos.

A concessão prevê investimentos de R$ 13,16 bilhões ao longo de 30 anos, incluindo obras de duplicação, implantação de faixas adicionais, construção de contornos urbanos, recuperação do pavimento e ampliação da estrutura de atendimento aos usuários.

Infraestrutura interfere no custo de produção

As condições das rodovias têm impacto que vai muito além do tempo gasto nas viagens. Estradas com pavimento deteriorado, sinalização deficiente e trechos com capacidade limitada aumentam o consumo de combustível, o desgaste dos veículos, os custos de manutenção e os riscos de acidentes.

Levantamentos da Confederação Nacional do Transporte (CNT), citados pela concessionária, indicam que a qualidade do pavimento pode elevar em até 31,2% os custos operacionais do transporte no Brasil. Esse encarecimento repercute em toda a cadeia econômica: começa com transportadoras e caminhoneiros, alcança produtores rurais e indústrias e pode chegar ao consumidor final por meio do aumento dos preços dos produtos.

No Norte de Minas, onde a circulação de mercadorias depende fortemente do transporte rodoviário, a melhoria das condições das BRs 251 e 116 pode representar um diferencial para a competitividade regional. A redução do tempo de deslocamento e dos custos logísticos tende a beneficiar empresas de diferentes portes, além de facilitar o acesso a mercados consumidores e fornecedores.

A segurança também é uma questão central. Segundo informações apresentadas no material da concessionária, a BR-251 esteve entre as rodovias mais letais do país em 2025, com base em dados da Polícia Rodoviária Federal. O cenário descrito para os primeiros meses de 2026 também apontava crescimento no número de mortes em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O desafio, portanto, não se limita à recuperação do asfalto. Envolve uma série de intervenções para reduzir os riscos de colisões, saídas de pista e outros acidentes, além de garantir atendimento rápido às ocorrências.

O diretor-presidente de Concessões do Grupo EcoRodovias, Alberto Lodi, reconhece a dimensão do trabalho. Segundo ele, a região necessita de investimentos para aproveitar seu potencial comercial e turístico. O executivo afirma que a concessionária pretende enfrentar os problemas históricos das rodovias por meio de melhorias na infraestrutura e de uma operação permanente de atendimento aos usuários.

Primeiros meses tiveram mais de 90 frentes de trabalho

Nos primeiros 100 dias de atuação, a Ecovias das Gerais informou ter mobilizado mais de 90 frentes de trabalho nos trechos concedidos. As atividades envolveram recuperação de pavimento, revitalização da sinalização horizontal e vertical, implantação de dispositivos de segurança e intervenções em estruturas especiais.

De acordo com a empresa, as ações mobilizaram mais de 2 mil empregos, entre atividades diretas e indiretas relacionadas à operação e aos serviços executados.

Outro marco anunciado pela concessionária foi o início, em 3 de novembro, do atendimento aos usuários, com 60 dias de antecedência em relação ao prazo previsto no compromisso contratual. O serviço inclui socorro médico e mecânico, além de monitoramento contínuo das pistas.

A estrutura é especialmente importante em trechos extensos, nos quais a distância entre municípios e unidades de atendimento pode dificultar o socorro em situações de emergência. A rapidez na resposta a acidentes pode fazer diferença no atendimento às vítimas e na liberação das pistas, reduzindo também os impactos sobre o fluxo de veículos.

Vale do Lítio amplia demanda por logística

Um dos principais fatores que reforçam a importância econômica da concessão é a expansão da mineração no Vale do Jequitinhonha. A região ganhou projeção nacional e internacional com o desenvolvimento de projetos ligados à exploração do lítio, mineral estratégico para a fabricação de baterias utilizadas em veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

Dados apresentados pela reportagem original apontam que o polo de mineração de lítio registrou, em 2024, produção de 944 mil toneladas, volume quase quatro vezes superior ao do ano anterior. Desde 2023, os investimentos privados no setor teriam alcançado R$ 6,9 bilhões.

A expansão dessa atividade exige uma estrutura de transporte capaz de atender ao deslocamento de equipamentos, trabalhadores, insumos e produtos minerais. A eficiência logística é um componente importante para a viabilidade dos empreendimentos, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros industriais e portuários.

Nesse contexto, a BR-116 e a BR-251 desempenham papel estratégico ao conectar municípios produtores a outros corredores de transporte e mercados consumidores. A melhoria da malha rodoviária pode contribuir para reduzir custos e ampliar a capacidade de circulação da produção.

O desenvolvimento do setor mineral também pode gerar efeitos indiretos em outros segmentos, como comércio, serviços, hospedagem, alimentação, construção civil e fornecimento de equipamentos. Para que esses benefícios alcancem diferentes municípios, porém, é necessário que a infraestrutura acompanhe o crescimento da atividade econômica.

Norte de Minas reúne potencial industrial e turístico

Além da mineração, o Norte de Minas possui uma economia diversificada, com atividades agropecuárias, industriais e de serviços. A região também apresenta oportunidades relacionadas à produção de celulose e à indústria farmacêutica, segmentos que dependem de transporte eficiente para receber matérias-primas e distribuir produtos.

Montes Claros, principal polo urbano e econômico regional, exerce papel importante nessa dinâmica. A cidade concentra atividades industriais, comerciais, educacionais e de saúde, além de funcionar como ponto de conexão para municípios do Norte de Minas e de outras regiões do estado.

A BR-251 é uma das principais ligações rodoviárias utilizadas por quem circula entre o Norte de Minas e outras áreas do país. Já a BR-116 integra um eixo de transporte de grande importância para o deslocamento de cargas e passageiros. A melhoria das duas vias pode fortalecer a integração regional e ampliar as condições de circulação entre polos econômicos.

O turismo também aparece entre as atividades que podem ser beneficiadas. Municípios como Grão Mogol e Salinas, no trajeto da BR-251, reúnem atrativos naturais, históricos e culturais. Salinas, por exemplo, é reconhecida nacionalmente pela produção de cachaça, enquanto Grão Mogol se destaca pelo patrimônio histórico e pelas paisagens naturais.

No Vale do Jequitinhonha, os municípios integrados ao Circuito Turístico das Pedras Preciosas também representam oportunidades para o fortalecimento do turismo regional. A melhoria das estradas pode facilitar o acesso de visitantes, estimular roteiros entre cidades e favorecer negócios ligados à hospedagem, gastronomia, artesanato e serviços.

O diretor-superintendente da Ecovias das Gerais, Luis Salvador, destaca a presença expressiva de veículos comerciais nas rodovias e relaciona a qualidade da infraestrutura à capacidade de atração de investimentos. Na avaliação do executivo, viagens mais rápidas e seguras, associadas a melhores condições de escoamento, podem tornar a região mais atrativa para empresas interessadas em produzir e ampliar suas operações.

Desafio será transformar concessão em resultados

Embora a concessão represente uma mudança na gestão das rodovias, os resultados dependerão da execução das obras e do cumprimento das obrigações previstas no contrato ao longo das próximas décadas.

A população espera que os investimentos se traduzam em melhorias concretas: menos acidentes, atendimento eficiente nas emergências, pavimento em boas condições, sinalização adequada e maior segurança para motoristas, passageiros e trabalhadores do transporte.

Também será importante acompanhar o cronograma das duplicações, das faixas adicionais e dos contornos urbanos previstos, intervenções que podem modificar a dinâmica do tráfego em municípios cortados pelas rodovias.

Para o setor produtivo, a expectativa é de redução dos custos logísticos e maior previsibilidade no transporte. Para os moradores, a melhoria da infraestrutura pode significar deslocamentos mais seguros, acesso facilitado a serviços e novas oportunidades econômicas.

A concessão das BRs 251 e 116 chega, portanto, em um momento de transformação para o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha. A região reúne recursos naturais, produção industrial, potencial turístico e projetos de grande porte. O desafio é garantir que a infraestrutura acompanhe esse crescimento e que os investimentos previstos se convertam em benefícios efetivos para os municípios e para a população que depende diariamente dessas estradas.