A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) deu início, nesta semana, a um dos mais importantes ciclos de qualificação técnica já realizados pela instituição no campo da aquicultura e da conservação ambiental. Entre os dias 1º e 5 deste mês, acontece o 1º Curso de Treinamento em Processo Reprodutivo Induzido de Peixes Nativos da Bacia do Rio São Francisco, no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Três Marias (1ª/CIM), localizado no município de Três Marias, em Minas Gerais. A iniciativa se destaca tanto pela abrangência quanto pela profundidade técnica das atividades, que se estendem ao longo de cinco dias de aula teórica e prática.
O treinamento reúne profissionais de diferentes regiões do país, incluindo técnicos das superintendências da Codevasf e representantes de diversas instituições parceiras, como a Universidade Federal de Goiás (UFG), o Instituto Federal de Bambuí (IFMG), a Secretaria de Agricultura do Distrito Federal, além de biólogos das empresas Nexa e Biogolden. A diversidade de participantes reflete o caráter multidisciplinar necessário para ampliar o conhecimento e o manejo sustentável dos recursos pesqueiros do Brasil.
O principal objetivo do curso é capacitar equipes que atuam diretamente nos setores de pesca, aquicultura, conservação e manejo de espécies nativas de diferentes regiões. A iniciativa busca aprimorar o domínio técnico sobre processos reprodutivos, mecanismos de cultivo e metodologias de manejo que contribuam para a recomposição da ictiofauna, o fortalecimento dos estoques naturais de peixes e o uso sustentável da biodiversidade, especialmente em regiões onde comunidades ribeirinhas e pescadores artesanais dependem da atividade para garantir renda e segurança alimentar.
A capacitação também reforça o compromisso da Codevasf com ações voltadas à educação ambiental, ao desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas à aquicultura e à ampliação de parcerias institucionais. Esses esforços têm impacto direto na produção de proteína animal, contribuindo para a autonomia alimentar de populações que vivem às margens dos rios e dos reservatórios das bacias atendidas pela Companhia.
Para o superintendente regional da Codevasf em Minas Gerais, Romeu Souto, o curso representa um marco dentro do processo de qualificação contínua das equipes técnicas, especialmente diante da expansão das ações da Companhia para novas regiões. “Ao preparar nossas equipes para esses novos desafios, fortalecemos a conservação e a preservação das espécies, mantemos estoques pesqueiros de interesse econômico e social e garantimos que o desenvolvimento regional avance de forma sustentável”, afirmou Souto. Segundo ele, a capacitação permitirá ampliar os programas de revitalização de espécies nativas não apenas no Rio São Francisco, mas também nas bacias do Pará, Amapá e Goiás, onde a Codevasf passou a atuar mais recentemente.
O chefe da 1ª/CIM, Julimar Souza, reforça que a Codevasf é pioneira no país quando o assunto é produção, manejo e revitalização de espécies nativas da bacia do São Francisco. Ele destaca que a expansão geográfica da instituição aumenta a responsabilidade técnica das equipes: “É fundamental que nossas equipes e instituições parceiras atuem alinhadas aos padrões científicos e normativos, garantindo que todas as ações sejam realizadas com excelência”, afirmou Julimar.
O curso tem carga horária total de 40 horas, divididas entre conteúdos práticos e teóricos. Um dos módulos mais intensos é dedicado à propagação de peixes reofílicos, que são espécies que realizam migração reprodutiva e exigem técnicas específicas para reprodução induzida. Esse módulo ocupa 17 horas da programação, contemplando etapas como captura e seleção de reprodutores, hipofisação, extrusão, fertilização artificial, incubação controlada e procedimentos de avaliação da fecundidade e da produção de larvas.
Outras 8 horas do curso são destinadas à propagação de espécies não reofílicas, que exigem metodologias diferentes no processo reprodutivo. As atividades incluem coleta e pesagem de ovos, manejo de larvas, técnicas de larvicultura avançada, produção de alimento vivo e processos de alevinagem.
Completando a programação, três módulos de cinco horas cada abordam temas essenciais para garantir a qualidade do ciclo produtivo, como avaliação de parâmetros da água, preparação de viveiros para alevinagem e os procedimentos necessários para o peixamento, que inclui captura, transporte, soltura de alevinos e o cumprimento dos critérios normativos e ambientais previstos pelos órgãos de fiscalização.
A realização do curso reforça a posição da Codevasf como referência nacional em pesquisa aplicada, manejo sustentável e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento das regiões hidrográficas brasileiras. A expectativa é de que a capacitação resulte em novas estratégias de conservação, ampliação da produção de peixes nativos e fortalecimento de cadeias produtivas que dependem diretamente dos recursos hídricos.
Se quiser, posso ampliar ainda mais o texto, incluir contextualização histórica sobre a Codevasf, dados da bacia do São Francisco ou informações técnicas sobre as espécies trabalhadas. Quer acrescentar algo?


