Apesar da desaceleração do índice geral, um fator continua pressionando o orçamento das famílias: o aumento no preço dos alimentos
O custo de vida em Montes Claros apresentou desaceleração no mês de fevereiro de 2026, segundo levantamento do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Moc), calculado pelo Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O indicador registrou variação de 0,30% no mês, resultado inferior ao verificado em janeiro, quando o índice havia alcançado 0,71%. Com o novo resultado, a inflação acumulada no ano chegou a 1,01% no município.
Apesar da desaceleração do índice geral, um fator continua pressionando o orçamento das famílias: o aumento no preço dos alimentos, especialmente hortaliças e alguns itens básicos de consumo. O grupo Alimentação foi o principal responsável pela alta registrada no período.
De acordo com a professora Vânia VilasBoas, coordenadora geral do IPC-Moc, a elevação nos preços está relacionada principalmente a fatores climáticos e de oferta, que influenciaram diretamente o comportamento de diversos produtos agrícolas nas últimas semanas.
Segundo a pesquisadora, embora o impacto dos alimentos tenha sido significativo, a queda em itens de vestuário e a relativa estabilidade nos preços do transporte contribuíram para evitar uma elevação mais acentuada da inflação no município.
“De modo geral, o resultado indica uma inflação moderada neste início de 2026, mas ainda bastante sensível às oscilações dos preços dos alimentos, que continuam sendo o principal componente de pressão sobre o custo de vida das famílias”, explica a coordenadora.
Alimentação lidera pressão inflacionária
O grupo Alimentação, que possui o maior peso na composição do orçamento doméstico das famílias pesquisadas — 29,47% — apresentou variação positiva de 0,75%, contribuindo com 0,22 ponto percentual para o resultado final do IPC-Moc de fevereiro.
Entre os produtos que registraram aumento, destacaram-se itens básicos do dia a dia, como:
sal (3,39%)
macarrão (3,22%)
sopão (2,52%)
achocolatados (1,67%)
caldos industrializados (1,67%)
margarina (1,14%)
bolacha (0,96%)
manteiga (0,79%)
No entanto, foram principalmente os produtos hortifrutigranjeiros que apresentaram as maiores variações de preço. Alguns exemplos incluem:
beterraba (27,96%)
repolho (20,51%)
berinjela (16,30%)
maxixe (15,30%)
melão (14,62%)
brócolis (12,34%)
uva (11,64%)
pimentão (11,60%)
ovos (11,90%)
feijão (5,70%)
Por outro lado, alguns alimentos apresentaram redução de preços no período, contribuindo para suavizar o impacto inflacionário. Entre eles estão:
todinho (-2,73%)
óleo de soja (-2,68%)
mel de abelha (-2,53%)
doce de frutas (-2,19%)
água de coco (-2,11%)
azeite de oliva (-2,04%)
café (-1,82%)
açúcar (-1,48%)
arroz (-1,44%)
carne bovina (-0,77%)
Habitação tem leve alta
O grupo Habitação, que possui peso de 21,25% no índice, registrou variação positiva de 0,09%, contribuindo com 0,02 ponto percentual para o resultado final do IPC-Moc.
Entre os produtos e materiais que apresentaram aumento de preços estão:
pano de chão (4,76%)
chuveiro (4,68%)
cadeado (4,54%)
tanque (3,70%)
janela (3,70%)
compensado (2,22%)
cerâmica e porcelanato (2,16%)
cano PVC (1,42%)
Por outro lado, alguns itens de limpeza doméstica apresentaram queda nos preços, como:
alvejante (-5,44%)
papel laminado (-3,23%)
detergente (-1,71%)
desinfetante (-1,33%)
água sanitária (-1,10%)
Artigos de residência registram queda
O grupo Artigos de Residência e Serviços Domésticos, com peso de 5,24%, apresentou variação negativa de -0,20%, contribuindo com -0,01 ponto percentual no índice geral.
Alguns equipamentos eletrônicos registraram aumento de preços, como:
tablet (9,23%)
tanquinho (2,68%)
computador (1,76%)
celular (1,67%)
Por outro lado, houve redução significativa nos preços de alguns eletrodomésticos, como:
espremedor de frutas (-12,74%)
secadora de roupas (-6,33%)
aspirador de pó (-6,05%)
ar-condicionado (-6,05%)
Saúde e cuidados pessoais apresentam alta
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais, que representa 9,74% do orçamento das famílias, registrou alta de 0,82%, contribuindo com 0,08 ponto percentual para o índice geral.
Entre os principais aumentos estão:
consultas médicas (3,15%)
antitérmicos (4,50%)
antidepressivos (2,64%)
Já alguns medicamentos tiveram queda nos preços:
digestivos (-3,69%)
fortificantes (-1,88%)
medicamentos para hipertensão (-0,88%)
Transporte tem variação discreta e vestuário recua
O grupo Transportes e Comunicação, com peso de 19,62%, registrou variação positiva de 0,13%, contribuindo com 0,02 ponto percentual para o IPC-Moc.
Já o grupo Vestuário, responsável por 5,98% do orçamento, apresentou queda de -0,70%, o que ajudou a conter uma inflação maior no mês, contribuindo com -0,04 ponto percentual para o índice geral.
Educação e despesas pessoais também sobem
O grupo Educação e Despesas Pessoais, com peso de 8,70%, apresentou variação positiva de 0,14%, contribuindo com 0,01 ponto percentual para o resultado final do índice.
Entre os itens que mais subiram estão:
revistas (11%)
mochilas (2,92%)
brinquedos (2,88%)
Enquanto alguns produtos escolares apresentaram queda, como:
cola (-5,01%)
régua (-0,65%)
IPC-Moc acompanha custo de vida desde 1982
O IPC-Moc é o principal indicador utilizado para medir a evolução do custo de vida das famílias de Montes Claros. O índice é calculado pela Unimontes desde 1982 e acompanha a variação de preços de um conjunto fixo de bens e serviços consumidos por famílias com renda mensal entre um e seis salários mínimos.
A pesquisa considera produtos e serviços que fazem parte das despesas habituais da população, permitindo analisar com maior precisão as oscilações do custo de vida no município.
Cesta básica sobe mais de 2% em fevereiro
Mesmo com a desaceleração da inflação geral, o custo da cesta básica voltou a subir de forma mais expressiva em fevereiro.
De acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Preços ao Consumidor, utilizada para o cálculo do IPC-Moc, os preços dos 13 produtos que compõem a cesta básica aumentaram 2,08%, após uma elevação bem mais modesta de 0,15% registrada em janeiro.
Com base no salário mínimo nacional de R$ 1.621, o trabalhador montes-clarense precisou destinar 35,58% de sua renda apenas para adquirir os itens básicos de alimentação.
O custo total da chamada Ração Essencial Mínima chegou a R$ 576,69 em fevereiro, valor superior ao observado no mês anterior, quando a cesta custava R$ 564,95.
Orçamento apertado
Após a compra dos produtos básicos de alimentação, restaram ao trabalhador local R$ 1.044,31 para arcar com outras despesas essenciais, como:
moradia
saúde
higiene
transporte
vestuário
lazer
serviços pessoais
O cenário evidencia que, embora a inflação tenha desacelerado no início de 2026, o aumento nos preços dos alimentos continua sendo um dos principais desafios para o equilíbrio financeiro das famílias, especialmente aquelas com renda mais baixa.



