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Casamento comunitário oficializa união de 73 casais em Montes Claros - Rede Gazeta de Comunicação

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Casamento comunitário oficializa união de 73 casais em Montes Claros

Cerimônia reuniu 23 casais no Santos Reis; iniciativa garantiu gratuitamente a formalização civil de uniões que, em alguns casos, já duravam décadas

Depois de anos de convivência, planos adiados e histórias construídas em conjunto, 73 casais de Montes Claros tiveram a oportunidade de oficializar gratuitamente a união civil. A iniciativa foi realizada pela Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), através do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), e com o Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais de Montes Claros.

A cerimônia foi realizada na tarde de segunda-feira (28), no salão paroquial da Igreja dos Santos Reis, na região do bairro Santos Reis. Dos 73 casais beneficiados pela iniciativa, 23 participaram presencialmente da celebração, acompanhados por familiares, padrinhos e integrantes da comunidade.

Mais do que uma cerimônia coletiva, o casamento comunitário representou para os participantes a possibilidade de transformar uma relação construída ao longo dos anos em uma união oficialmente reconhecida pelo Estado, sem que os custos do procedimento cartorário fossem um obstáculo.

Entre os casais estavam pessoas que vivem juntas há poucos anos e outras que já dividem a vida há décadas.

Depois de 28 anos, o sonho saiu do papel

A história de José Antônio Rodrigues Pereira e Isabel Lima Rodrigues chamou atenção pelo tempo de convivência. O casal está junto há 28 anos e só agora conseguiu concretizar o desejo de oficializar a união.

“Estamos muito felizes por este dia finalmente ter chegado, após 28 anos juntos”, contou José Antônio. Para Isabel, a celebração representou a realização de um desejo que acompanhou o casal durante boa parte da vida em comum.

“Esta é a concretização de um sonho”, afirmou a noiva.

Outro casal beneficiado foi formado por Alysson Nunes Andrade e Jéssica Patrícia Ramos Fernandes, que convivem há sete anos. Para eles, a oportunidade de formalizar o casamento sem custos também significou a realização de um projeto que até então não havia saído do papel.

Herbert Cassiano de Oliveira e Ana Carolina Rodrigues também participaram da cerimônia e comemoraram a oficialização da união.

Formalização garante reconhecimento jurídico

A regularização da união por meio do casamento civil produz efeitos jurídicos e formaliza uma relação que, até então, poderia estar baseada apenas na convivência ou em uma união estável.

O juiz de paz do Cartório de Registro Civil de Montes Claros, Heitor Machado Martins de Menezes, destacou justamente esse aspecto. Segundo ele, o casamento civil representa a consolidação jurídica de uma vida construída em comum e, no caso da iniciativa, permite que casais de baixa renda tenham acesso ao procedimento sem precisar arcar com os custos cartorários.

“A regularização da união estável por meio do casamento civil gratuito simboliza a consolidação jurídica de uma vida em comum e oferece a chance de oficializar a união sem os encargos financeiros dos custos cartorários”, afirmou.

A possibilidade de gratuidade para pessoas que não têm condições de pagar pelos atos necessários à formalização do casamento está prevista na legislação brasileira. O benefício busca impedir que a falta de recursos financeiros impeça o exercício de um direito civil.

Cidadania além da festa

O coordenador do Cejusc da Comarca de Montes Claros, juiz Nalbernard de Oliveira, ressaltou que o casamento comunitário também possui uma dimensão de cidadania e acesso a direitos.

Segundo ele, o projeto permite que casais realizem o casamento sem custos, com a articulação entre o Poder Judiciário, o município, o cartório e parceiros envolvidos na iniciativa.

“O projeto do casamento comunitário é uma iniciativa que reforça a cidadania e a dignidade, ao possibilitar que diversos casais concretizem seu sonho matrimonial sem custos”, afirmou.

Na avaliação da coordenadora do CRAS do bairro Santos Reis, Luciana Rodrigues, a ação atende principalmente pessoas que desejavam regularizar a situação civil, mas encontravam dificuldades financeiras para assumir as despesas de um casamento convencional.

“O objetivo deste casamento comunitário gratuito, que permitiu a oficialização do casamento de 73 casais sem custos, com 23 deles participando da cerimônia, foi facilitar a regularização legal para aqueles que ainda não formalizaram sua união”, explicou.

Uma tarde de histórias diferentes

A cerimônia reuniu casais com trajetórias distintas. Alguns estão juntos há poucos anos; outros chegaram ao casamento depois de décadas de convivência. Em comum, a decisão de formalizar uma relação que já fazia parte da vida cotidiana.

Ao lado dos noivos, familiares e padrinhos acompanharam o momento no salão paroquial da Igreja dos Santos Reis. Para os participantes, a cerimônia coletiva não diminuiu o significado individual da ocasião.

Cada casal chegou ao altar com sua própria história, mas compartilhou com os demais o mesmo momento de oficialização.

Entre os 23 casais que participaram da cerimônia estavam:

José Antônio Rodrigues Pereira e Isabel Lima Rodrigues;

Pedro Henrique Santos Carvalho e Thainá Ribeiro de Aquino;

João Vitor Souza Pereira e Núbia Rayane Ferreira de Souza;

Lucas de Paula Ramos e Graciele Aparecida dos Reis Santos;

Fernando Muniz de Souza e Vanessa Soares dos Reis;

Warley José Pereira Silva e Magaly Silva Ferreira;

Domingos Rogério Leite e Karinna Vieira Fonseca;

William Douglas Barbosa Souza e Elaine Patrícia Rosa Ruas;

José dos Passos Madureira de Aquino e Jaqueline da Silva Pereira;

Daci Pinheiro Lima e Laurilene Gonçalves de Souza;

Samuel Santos Gusmão e Suely Rodrigues da Silva;

Valdilson Ribeiro Sebrae e Manuela Maria de Oliveira;

Herbert Cassiano de Oliveira e Ana Carolina Rodrigues;

Hanílson Pereira da Silva e Luísa Rodrigues Pinto;

João Vitor Gonçalves Rodrigues e Laura Stéfany Celestino dos Santos;

Gilberto Alves de Souza e Adriana Gonçalves da Silva;

Ronaldo Alves da Cunha e Vanessa Ferreira Lima;

William Ricardo Rocha Viana e Daiane Matos Freire;

Carlos Antônio Alves dos Santos e Eliene Ribeiro dos Santos;

Reinaldo Rodrigues da Rocha e Ingrid Rayane Pereira Bastos;

Samuel Andrade de Moura e Gabriela Celestino Silva;

Alysson Nunes Andrade e Jéssica Patrícia Ramos Fernandes;

Adilson Carlo Veloso e Marlene de Souza Nogueira.

O casamento comunitário mostra que, para muitos casais, a formalização civil não é apenas uma questão de cerimônia. É também a oportunidade de regularizar uma história de vida, garantir reconhecimento jurídico à união e transformar um desejo antigo em um documento oficial.

Em Montes Claros, 73 histórias passaram a ter esse registro. Para 23 delas, a formalização ganhou ainda o cenário de uma cerimônia compartilhada, com direito a padrinhos, familiares e celebração de um momento que, independentemente do tempo de espera, chegou para cada casal com significado próprio.