Pré-conferência reuniu instituições e comunidade para discutir acolhimento, prevenção de novas agressões e fortalecimento da rede de proteção; propostas serão encaminhadas à Conferência Estadual
A denúncia é um passo importante para romper o ciclo da violência, mas não encerra os riscos enfrentados por muitas mulheres. Em Buritizeiro, no Norte de Minas, esse desafio esteve no centro dos debates da Pré-Conferência Municipal com o tema “O que fazer para não morrer após a denúncia? Os desafios enfrentados pelas sobreviventes da violência de gênero”. O encontro foi realizado na Câmara Municipal e reuniu representantes de instituições e integrantes da comunidade para discutir estratégias de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.
A atividade integrou a Oficina de Formação de Mulheres para o Enfrentamento às Violências de Gênero no Norte de Minas e teve como objetivo promover a formação, o diálogo e a elaboração coletiva de propostas para aprimorar as políticas públicas voltadas à garantia dos direitos das mulheres.
A iniciativa foi organizada pelo Fórum Norte Mineiro em Defesa da Vida de Mulheres e Meninas (FEMINORTE), em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda (SEDEST), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Cadastro Único (CadÚnico).
A programação contou com palestras de Márcia Bia Inácio, coordenadora da FEMINORTE, e Arlete de Almeida, representante do GRAAL em Buritizeiro e da FEMINORTE. Os participantes também participaram de discussões temáticas e atividades voltadas à construção de propostas que serão encaminhadas à Conferência Estadual.
Denunciar não pode significar mais risco
Um dos principais pontos discutidos foi a vulnerabilidade de mulheres que continuam expostas a ameaças e agressões mesmo depois de denunciar seus agressores. O debate evidenciou a necessidade de que os mecanismos de denúncia estejam associados a medidas efetivas de segurança, acompanhamento e assistência.
A proteção não deve se limitar ao momento em que a vítima procura uma delegacia ou outro serviço público. O enfrentamento à violência exige continuidade no atendimento, identificação de riscos, encaminhamento adequado e suporte para que a mulher consiga romper o ciclo de agressões com segurança e dignidade.
Nesse contexto, a integração entre os serviços públicos e as instituições que compõem a rede de atendimento é considerada fundamental. A articulação permite identificar situações de vulnerabilidade, facilitar o acesso aos serviços especializados e fortalecer as ações de prevenção de novas ocorrências.
A secretária municipal de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda, Ana Freitas, destacou a responsabilidade do poder público na construção de uma rede capaz de oferecer segurança e apoio às mulheres.
“Não basta que uma mulher tenha coragem de denunciar a violência; é fundamental que ela encontre no poder público uma rede de apoio capaz de garantir sua segurança, seu acolhimento e condições para recomeçar. Nosso compromisso é fortalecer as políticas públicas e a atuação conjunta das instituições para que nenhuma mulher se sinta desamparada ao buscar ajuda”, afirmou.
Propostas para fortalecer a Rede de Proteção
Além de discutir os desafios enfrentados pelas sobreviventes da violência de gênero, a pré-conferência destacou a importância da mobilização social e da troca de experiências para reconhecer as diferentes formas de agressão e ampliar a capacidade de resposta das instituições.
As propostas elaboradas durante o encontro serão encaminhadas à Conferência Estadual, contribuindo para o debate sobre o aperfeiçoamento das políticas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas.
A iniciativa reforça que o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas depende de ações articuladas, serviços preparados e compromisso permanente do poder público e da sociedade. Mais do que incentivar denúncias, o desafio é garantir que toda mulher que procure ajuda encontre condições reais para reconstruir a própria vida, sem medo de sofrer novas agressões.


