Entre os dias 9 e 19 de novembro, moradores poderão buscar soluções consensuais para questões envolvendo divórcio, pensão alimentícia, guarda de filhos, partilha de bens, dívidas, direitos do consumidor e conflitos de vizinhança. Iniciativa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, com apoio da Prefeitura Municipal, pretende aproximar os serviços judiciários da população, incentivar o diálogo e facilitar a resolução de demandas sem a necessidade de longas disputas judiciais
A população de Botumirim, município localizado no Norte de Minas Gerais, terá uma importante oportunidade de acesso aos serviços da Justiça entre os dias 9 e 19 de novembro de 2026, período em que será realizado o atendimento itinerante do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC). A iniciativa é promovida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), com apoio da Prefeitura Municipal de Botumirim, e tem como principal finalidade aproximar o Poder Judiciário dos cidadãos, proporcionando alternativas gratuitas e acessíveis para a resolução de conflitos familiares, patrimoniais, financeiros e de convivência social.
A ação representa uma oportunidade especialmente importante para moradores que enfrentam dificuldades para buscar atendimento judicial em outras localidades, seja em razão da distância, dos custos de deslocamento, das limitações financeiras ou da falta de informações sobre os mecanismos disponíveis para solucionar conflitos de maneira pacífica.
Por meio do atendimento itinerante, os cidadãos poderão apresentar suas demandas, receber orientações sobre os procedimentos de conciliação e buscar encaminhamentos que favoreçam o entendimento entre as partes envolvidas.
A proposta é estimular a cultura do diálogo, reduzir a judicialização desnecessária de conflitos e contribuir para que situações que muitas vezes se prolongam por meses ou anos possam encontrar soluções consensuais, respeitando os direitos e os interesses legítimos dos envolvidos.
Os atendimentos serão realizados de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, na sede da Prefeitura Municipal de Botumirim, situada na Rua Dr. José Ferreira, s/nº, no Centro, em frente à Pousada Campina da Serra.
A escolha de um espaço público localizado na região central do município busca facilitar o acesso dos moradores e oferecer condições para que diferentes segmentos da população possam procurar os serviços disponibilizados durante a iniciativa.
Conciliação como instrumento de cidadania e pacificação social
A atuação do CEJUSC está fundamentada na valorização dos métodos consensuais de solução de conflitos, especialmente a conciliação e a mediação, instrumentos reconhecidos pelo ordenamento jurídico brasileiro como alternativas importantes para a promoção da justiça, da cidadania e da pacificação social.
Diferentemente dos procedimentos judiciais tradicionais, nos quais a solução de uma controvérsia normalmente depende de uma decisão proferida por um magistrado, a conciliação busca construir um ambiente de diálogo no qual os próprios envolvidos possam participar ativamente da elaboração de um acordo.
Nesse modelo, o conciliador atua como facilitador da comunicação, auxiliando as partes a identificar os pontos de divergência, compreender as possibilidades de entendimento e avaliar alternativas que possam atender aos interesses envolvidos, sempre dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
O objetivo não é impor decisões, mas criar condições para que os cidadãos encontrem caminhos juridicamente adequados e socialmente equilibrados para superar situações de conflito.
A conciliação também pode contribuir para a preservação de relacionamentos familiares, comerciais e comunitários, especialmente quando as pessoas envolvidas precisam manter algum tipo de convivência após a solução da controvérsia.
Em municípios do interior, onde os vínculos familiares, sociais e de vizinhança frequentemente se estendem por gerações, a possibilidade de solucionar divergências por meio do entendimento pode representar um benefício que ultrapassa os interesses individuais das partes.
Além de proporcionar maior participação dos envolvidos na construção das soluções, os métodos consensuais podem reduzir despesas, evitar desgastes emocionais e contribuir para a diminuição do número de processos judiciais, permitindo que o sistema de Justiça concentre esforços nas situações que efetivamente exigem uma decisão judicial.
Entretanto, a realização de um acordo depende da natureza do conflito, da manifestação livre das partes e do cumprimento dos requisitos legais, não havendo garantia de que todas as demandas apresentadas sejam solucionadas durante o atendimento.
Demandas familiares estão entre os principais serviços oferecidos
Durante a permanência do CEJUSC itinerante em Botumirim, poderão ser recebidas demandas pré-processuais relacionadas a diferentes situações do cotidiano, com destaque para questões familiares, patrimoniais, financeiras e de convivência comunitária.
Entre os assuntos contemplados estão divórcio, reconhecimento e dissolução de união estável, partilha de bens, guarda de filhos, pensão alimentícia, indenizações, cobranças de dívidas, direitos do consumidor e conflitos de vizinhança.
As questões familiares merecem atenção especial em razão de seus reflexos diretos na vida de crianças, adolescentes, pais, mães e demais integrantes do núcleo familiar.
Nos casos de separação conjugal, por exemplo, a conciliação pode permitir que os envolvidos discutam consensualmente aspectos relacionados à dissolução do casamento, à organização das responsabilidades parentais e à divisão do patrimônio, observadas as exigências legais aplicáveis.
Em situações envolvendo guarda de filhos, o procedimento busca favorecer entendimentos que respeitem o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente, assegurando que eventuais acordos considerem suas necessidades de proteção, convivência familiar, educação e desenvolvimento.
A pensão alimentícia também integra o conjunto de demandas que poderão ser encaminhadas para conciliação. Nesses casos, o diálogo pode contribuir para a definição de obrigações alimentares, considerando as necessidades de quem recebe os alimentos e as possibilidades econômicas de quem deve prestá-los.
Quando houver interesses de crianças, adolescentes ou outras pessoas legalmente protegidas, os acordos estarão sujeitos às formalidades e aos controles previstos na legislação, inclusive à intervenção do Ministério Público e à homologação judicial quando exigidas.
A possibilidade de resolver essas questões de maneira consensual pode representar uma alternativa importante para famílias que desejam evitar o agravamento de desentendimentos e estabelecer condições mais estáveis de convivência.


