Mobilização reuniu profissionais da saúde, equipes dos CAPS, agentes comunitários, Polícia Militar e representantes de escolas para fortalecer a prevenção ao suicídio e o acolhimento
Uma mobilização realizada em Bocaiuva, no Norte de Minas, reuniu diferentes setores que atuam diretamente com a população em ações voltadas à saúde mental e à prevenção ao suicídio durante o Setembro Amarelo. A iniciativa buscou ampliar o acesso à informação, estimular o diálogo e fortalecer o acolhimento de pessoas que estejam passando por situações de sofrimento emocional.
A ação envolveu profissionais da área da saúde, equipes dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), Transtorno Mental (CAPS TM) e Infantojuvenil (CAPS IJ), além de agentes comunitários de saúde, integrantes da Polícia Militar e representantes de escolas.
A participação de diferentes segmentos teve como objetivo aproximar os setores que mantêm contato cotidiano com a população e reforçar a importância de uma atuação articulada na identificação de situações de vulnerabilidade, na orientação e no encaminhamento para os serviços disponíveis no município.
Segundo a coordenadora municipal de Saúde Mental, Hilda Peixoto, o trabalho de prevenção exige atenção contínua e a participação de diferentes profissionais e instituições.
“A saúde mental é uma área que demanda atenção contínua e a prevenção depende da participação de toda a rede”, afirmou.
Rede integrada para ampliar o acolhimento
A proposta da mobilização é fazer com que a discussão sobre saúde mental ultrapasse os espaços exclusivamente destinados ao atendimento especializado. Profissionais da saúde, escolas, agentes comunitários e outros segmentos que convivem diretamente com a comunidade podem contribuir para perceber mudanças de comportamento e situações que demandem atenção.
De acordo com Hilda, essa proximidade torna a atuação conjunta ainda mais importante, especialmente quando se trata de prevenção ao suicídio e acolhimento de pessoas em sofrimento.
“Estamos unidos enquanto rede, com a participação de vários agentes sociais, nesse acolhimento, nessa escuta para prevenção ao suicídio”, destacou a coordenadora.
Os Centros de Atenção Psicossocial têm papel específico dentro da rede de atenção em saúde mental, atendendo públicos e demandas diferentes. A presença das equipes dos CAPS AD, CAPS TM e CAPS IJ na mobilização também reforça a necessidade de integrar os serviços especializados aos demais pontos de contato com a população.
Nesse processo, os agentes comunitários de saúde ocupam uma posição estratégica por acompanharem famílias e moradores nos territórios onde atuam. Já as escolas podem contribuir para a identificação de situações que envolvam crianças e adolescentes e para a orientação das famílias em busca de atendimento.
A participação da Polícia Militar amplia ainda mais o conjunto de instituições envolvidas na mobilização, considerando que seus profissionais também podem se deparar com situações de crise ou vulnerabilidade durante o atendimento de ocorrências.
Setembro Amarelo reforça importância do diálogo
Realizado anualmente em setembro, o Setembro Amarelo busca ampliar a discussão pública sobre saúde mental, prevenção do suicídio e valorização da vida. A campanha também procura estimular a busca por ajuda e reduzir o silêncio em torno do sofrimento emocional.
Mais do que concentrar ações em um único período do ano, a mobilização realizada em Bocaiuva reforçou a necessidade de manter a atenção à saúde mental de forma permanente. A prevenção depende da existência de uma rede preparada para ouvir, orientar e encaminhar as pessoas aos serviços adequados.
Para a coordenação municipal de Saúde Mental, a atuação conjunta também ajuda a ampliar o alcance das informações e facilita o acesso aos serviços especializados. Cada setor, dentro de suas atribuições, pode contribuir para reconhecer situações que exigem atenção e orientar a população sobre onde buscar ajuda.
A proposta é fortalecer uma cultura de cuidado na qual conversar sobre saúde mental, ouvir quem está passando por dificuldades e procurar atendimento sejam compreendidos como atitudes de cuidado e prevenção.
A mobilização em Bocaiuva, portanto, reforça a importância de manter o tema em discussão durante todo o ano e de integrar os diferentes setores que fazem parte da rede de proteção e atendimento.
“Falar é importante. Ouvir é essencial. Acolher pode transformar vidas”, concluiu Hilda Peixoto.


