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BARRAGEM DE JURAMENTO | Denúncias apontam falhas na fiscalização e deterioração de equipamentos - Rede Gazeta de Comunicação

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BARRAGEM DE JURAMENTO | Denúncias apontam falhas na fiscalização e deterioração de equipamentos

Especialista em recursos hídricos alerta para redução da vigilância, invasões em área protegida e problemas na descarga de fundo; Copasa afirma manter monitoramento 24 horas e informa que adota providências para recuperar e modernizar as estruturas

A segurança ambiental e operacional da Barragem de Juramento, um dos principais mananciais responsáveis pelo abastecimento de Montes Claros, entrou em pauta após denúncias sobre supostas falhas na fiscalização da área de proteção ambiental e problemas nos equipamentos utilizados para a descarga de fundo do reservatório.

Os apontamentos são do técnico em Recursos Hídricos e Meio Ambiente José Ponciano Neto, ex-supervisor de Gestão de Barragens, que alerta para a possível redução do efetivo de vigilância, a entrada irregular de pessoas na área protegida e a deterioração de componentes da estrutura hidráulica.

Em resposta, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou que mantém ações de monitoramento e proteção da barragem, com vigilância realizada por empresa terceirizada durante 24 horas por dia. A companhia também afirmou que a área recebe visitas periódicas da Polícia Militar e da Polícia Militar de Meio Ambiente para atividades de fiscalização e patrulhamento.

A empresa acrescentou que mantém providências voltadas à recuperação dos equipamentos e à modernização das estruturas da barragem, destacando o compromisso com a preservação ambiental e a continuidade do abastecimento de água.

Vigilância e controle de acesso

Segundo Ponciano Neto, a redução do número de vigilantes teria comprometido o controle de acesso ao reservatório e à vegetação protegida no entorno. Conforme o relato, apenas um profissional seria responsável pelas rondas diurnas e noturnas em uma área cercada com perímetro aproximado de 32 quilômetros, sem reforço da equipe durante feriados prolongados.

O especialista afirma que a fiscalização insuficiente pode facilitar a entrada irregular de pescadores, caçadores e banhistas, além da realização de acampamentos em áreas protegidas. Ele também relata suspeitas de comercialização ilegal de peixes e animais silvestres abatidos em uma comunidade próxima ao reservatório.

As acusações ainda dependem de apuração pelos órgãos competentes. A informação da Copasa sobre a vigilância permanente e as visitas das forças de segurança apresenta a posição oficial da companhia, mas não esclarece, por si só, o quantitativo de profissionais envolvidos, a frequência das inspeções ou a eventual ocorrência das irregularidades apontadas.

Descarga de fundo é ponto de alerta

Outro aspecto destacado pelo especialista é a situação da estrutura de descarga de fundo, sistema que permite a liberação controlada de água das camadas mais profundas do reservatório e pode contribuir para o manejo de sedimentos e determinadas condições ambientais a jusante, conforme as características do empreendimento.

De acordo com o relato de Ponciano Neto, a tubulação teria sido seccionada há anos devido à corrosão associada ao gás sulfídrico, também conhecido como sulfeto de hidrogênio. Parte do duto condutor teria sido retirada e substituída por uma solução provisória, com a instalação de um registro para controlar a passagem de água.

O técnico afirma ainda que as comportas localizadas na parte mais profunda do reservatório, que anteriormente estariam em funcionamento, teriam perdido sua capacidade operacional após uma intervenção de manutenção. Segundo ele, o sistema não teria recebido reparos suficientes para restabelecer suas condições anteriores, e o registro provisório apresentaria sinais de oxidação e vazamentos nas conexões.

A extensão dos problemas relatados, entretanto, precisa ser confirmada por inspeção técnica. É necessário verificar as condições atuais dos equipamentos, a possibilidade de operação, os reparos já executados e as intervenções ainda previstas.

A existência de problemas na descarga de fundo não permite concluir, isoladamente, que a água distribuída à população esteja contaminada ou que a barragem apresente risco estrutural iminente. Essas questões exigem avaliações específicas de segurança, funcionamento e qualidade da água.

Manancial e abastecimento público

A conservação da Barragem de Juramento envolve tanto a integridade das estruturas físicas quanto a proteção da bacia hidrográfica, o controle das atividades humanas no entorno e o acompanhamento das condições ambientais do reservatório.

A ocupação irregular, a supressão de vegetação, a caça e a pesca ilegais, quando confirmadas em áreas protegidas, podem comprometer a fauna e os ecossistemas locais. Já a degradação da bacia hidrográfica pode favorecer processos erosivos e o assoreamento, dependendo das condições ambientais e do uso do solo.

Diante das denúncias, permanecem questões relevantes para a população de Montes Claros: quais são as condições atuais da descarga de fundo? Os equipamentos apontados pelo especialista já foram submetidos a avaliações recentes? Quais medidas estão previstas para ampliar a fiscalização e recuperar as estruturas?

A Copasa afirma que trabalha na recuperação dos equipamentos e na modernização da barragem, mas não detalhou, na manifestação apresentada, o cronograma das intervenções, os serviços específicos previstos ou o estágio de execução dos reparos mencionados.

A divulgação dessas informações, acompanhada de avaliações técnicas e esclarecimentos sobre a fiscalização ambiental, poderá contribuir para dar transparência à situação de um manancial estratégico para o abastecimento público.

Até que os pontos levantados sejam tecnicamente verificados, as informações sobre falhas na vigilância e deterioração dos equipamentos devem ser tratadas como denúncias atribuídas ao especialista, e não como irregularidades definitivamente comprovadas.

Sobre o autor das denúncias

José Ponciano Neto é técnico em Recursos Hídricos e Meio Ambiente, ex-supervisor de Gestão de Barragens e de Estação Climatológica, escritor e historiador. É diretor financeiro da Academia Maçônica de Letras do Norte de Minas (AMALENM), membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros (IHGMC) e colaborador de veículos de comunicação regionais.