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Bandeira verde reduz conta de luz em novembro, mas FIEMG alerta para riscos no sistema elétrico - Rede Gazeta de Comunicação

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Bandeira verde reduz conta de luz em novembro, mas FIEMG alerta para riscos no sistema elétrico

Aneel mantém tarifa sem cobrança adicional pelo segundo mês consecutivo; Federação das Indústrias de Minas Gerais aponta recuperação insuficiente dos reservatórios, previsão de calor acima da média e chuvas irregulares como fatores de preocupação

A conta de energia elétrica dos consumidores brasileiros não terá cobrança adicional de bandeira tarifária em novembro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (30/10) a manutenção da bandeira verde, decisão considerada positiva pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Apesar do alívio para famílias e empresas, a entidade alerta que o cenário energético ainda exige atenção, principalmente em razão dos níveis dos reservatórios e das condições climáticas previstas para as próximas semanas

Esta será a segunda vez consecutiva que a bandeira verde permanece em vigor, permitindo que os consumidores paguem apenas o valor correspondente ao consumo de energia, sem os acréscimos aplicados quando o sistema precisa recorrer a fontes de geração mais caras.

Para a indústria mineira, a decisão representa um fator favorável aos custos de produção, especialmente em setores que dependem intensamente de energia elétrica. Entretanto, a FIEMG avalia que a situação não deve ser interpretada como uma garantia de estabilidade para os próximos meses.

Chuvas melhoram geração, mas reservatórios ainda preocupam

De acordo com a avaliação da Federação, a manutenção da bandeira verde está relacionada à melhora nas condições de geração de energia, favorecida pelas chuvas acima da média registradas desde setembro nas regiões Sul e Sudeste.

Com o aumento das vazões dos rios, houve redução da necessidade de acionamento das usinas termelétricas, que apresentam custos de geração mais elevados em comparação com as hidrelétricas.

O cenário atual é mais favorável do que o registrado em novembro de 2025, quando os consumidores estavam sujeitos à bandeira vermelha patamar 1, que representava um acréscimo de R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

Apesar da melhora, os níveis de armazenamento de água continuam sendo motivo de preocupação. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) citados pela FIEMG, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, considerado o principal reservatório de água do sistema elétrico nacional, deveria encerrar outubro com aproximadamente 55% de armazenamento.

O percentual é próximo ao registrado durante o auge da estiagem, indicando que a recuperação dos reservatórios ainda não ocorreu de maneira suficiente para afastar os riscos relacionados à disponibilidade de água.

Calor pode aumentar consumo e pressionar tarifas

Outro fator de atenção é a previsão climática para novembro. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas no Sudeste podem ficar até 2 °C acima da média, enquanto a distribuição das chuvas em Minas Gerais deve apresentar irregularidades.

O calor mais intenso tende a elevar a demanda por eletricidade, principalmente devido ao uso de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e sistemas de refrigeração.

Esse aumento do consumo já foi observado em outubro, segundo a avaliação da Federação. A entidade também aponta a ocorrência de picos de preços no início da noite, período em que a geração de energia solar diminui e o sistema precisa recorrer a outras fontes de fornecimento, potencialmente mais caras.

A combinação entre temperaturas elevadas, consumo crescente e chuvas irregulares pode pressionar o sistema elétrico caso a recuperação dos reservatórios não avance.

FIEMG defende reformas e eficiência energética

Para o coordenador de Mercado de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, a decisão da Aneel representa uma notícia positiva, mas não significa que os desafios do setor tenham sido superados.

“A manutenção da bandeira verde é uma excelente notícia para as famílias e para a indústria mineira, que no ano passado pagava bandeira vermelha nesta mesma época. Mas o período chuvoso está só começando, e os reservatórios do Sudeste ainda não se recuperaram. Com calor acima da média e chuvas irregulares previstas para Minas, precisamos acompanhar de perto as próximas semanas”, observa.

Diante desse cenário, a FIEMG defende o avanço de reformas estruturais no setor elétrico, além do incentivo à eficiência energética e de políticas que fortaleçam a segurança do abastecimento.

A entidade considera que a previsibilidade das tarifas e a redução dos custos de energia são fundamentais para preservar a competitividade da indústria, estimular investimentos e evitar impactos adicionais sobre os consumidores.

O que muda para o consumidor em novembro?

Com a bandeira verde, não haverá cobrança de valor adicional por bandeira tarifária sobre o consumo de energia elétrica durante novembro. Isso não significa, entretanto, que as contas terão necessariamente redução, já que o valor final continua dependendo da quantidade de energia utilizada, das tarifas aplicáveis e dos demais encargos previstos na fatura.

Para famílias e empresas, a manutenção da bandeira representa um alívio financeiro, mas a recomendação é manter hábitos de consumo consciente.

Em Minas Gerais, onde a previsão de temperaturas elevadas pode aumentar a utilização de equipamentos elétricos, medidas como evitar desperdícios, utilizar aparelhos mais eficientes e controlar o funcionamento de sistemas de refrigeração podem ajudar a reduzir despesas.

A avaliação da FIEMG é que o momento é favorável, mas ainda não permite afastar as preocupações. A continuidade das chuvas e a recuperação dos reservatórios serão determinantes para a segurança energética e para o comportamento das tarifas nos próximos meses.