Ação integrada do Batalhão de Choque e da equipe de Rondas Ostensivas com Cães (ROCCA) da 11ª RPM localiza drogas com inscrições “Prada” e “Gucci”; PM segue à procura de comparsa foragido
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), por meio da 11ª Região de Polícia Militar (RPM), realizou na noite dessa segunda-feira (10) uma operação de combate ao tráfico de drogas no bairro Conferência Cristo Rei, em Montes Claros, no Norte de Minas. A ação, coordenada pelo Policiamento de Missões Especiais do Batalhão de Choque, contou com o apoio tático da equipe de Rondas Ostensivas com Cães (ROCCA) e resultou na prisão em flagrante de um homem de 36 anos e na apreensão de aproximadamente 7 quilos de cocaína pura.
De acordo com informações repassadas pela corporação, a ação teve início após denúncias anônimas que indicavam a presença de indivíduos envolvidos com o tráfico de drogas atuando de forma organizada na região. Segundo as informações preliminares, os suspeitos recebiam pedidos de entorpecentes por telefone e faziam as entregas diretamente nos endereços dos usuários, um método que tem sido frequentemente adotado por facções locais para tentar driblar a fiscalização policial.
Abordagem e flagrante na Rua Santo Inácio
Durante patrulhamento de rotina na Rua Santo Inácio, a equipe de Missões Especiais recebeu novas informações indicando que um homem de 36 anos estaria realizando a venda de drogas no local, utilizando uma residência como ponto de apoio.
Ao se aproximarem, os militares avistaram o suspeito em frente ao imóvel, em atitude considerada suspeita. Ele foi abordado e submetido a busca pessoal, sendo encontrado em seu poder um aparelho celular e R$100 em dinheiro, possivelmente provenientes da comercialização de drogas.
Com o auxílio do cão policial Zeus, da equipe da ROCCA, foi feita uma varredura minuciosa no interior do imóvel. Durante a busca, o cão sinalizou a presença de entorpecentes, levando os militares a localizar uma barra de substância semelhante à cocaína, embalada de forma padronizada e identificada com o nome de uma grife internacional: “Prada”.
Enquanto a equipe realizava os procedimentos, o telefone celular do suspeito recebeu uma notificação de entrada de dinheiro via Pix, o que reforçou a suspeita de que ele estava envolvido ativamente no comércio ilícito de entorpecentes.
Ação estendida e descoberta de esconderijo
Ao ser questionado sobre a origem da droga e a identidade de possíveis comparsas, o homem de 36 anos confessou manter ligações com um jovem de 21 anos, responsável por armazenar a maior parte do material ilícito. Ele indicou aos policiais o endereço do parceiro, localizado na Rua João Pereira Lima, também no bairro Cristo Rei.
Diante das informações, as equipes deslocaram-se até o local indicado, onde foram recebidas por uma mulher — tia do jovem — que autorizou a entrada dos militares na residência. Durante a vistoria no quarto do suspeito, o cão Zeus novamente apontou para um ponto específico sob o guarda-roupas. Ao verificar o local, os policiais encontraram seis barras adicionais de substância semelhante à cocaína, totalizando aproximadamente sete quilos da droga, além de materiais utilizados para fracionar e embalar entorpecentes, como balanças de precisão, plásticos e fitas adesivas.
O jovem de 21 anos não estava na residência no momento da abordagem e, até o fechamento desta edição, segue foragido. Segundo a Polícia Militar, ele é considerado coautor dos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Cocaína com marcas de “Prada” e “Gucci” chama atenção
Um dos detalhes que mais chamaram a atenção dos policiais foi o padrão das embalagens encontradas nas duas casas. As barras de cocaína estavam identificadas com logotipos de marcas de luxo, como “Prada” e “Gucci”, uma prática que tem se tornado comum no tráfico internacional e, mais recentemente, em operações locais.
Segundo especialistas em segurança pública, o uso dessas marcas serve como uma espécie de “assinatura” ou selo de qualidade para diferenciar lotes de drogas e demonstrar o poder econômico das organizações criminosas envolvidas.
As substâncias apreendidas foram encaminhadas para o Instituto de Criminalística da Polícia Civil, onde serão submetidas a análises laboratoriais para confirmar a natureza e o grau de pureza do entorpecente.
Confissão e prisão em flagrante
Diante das evidências, o homem de 36 anos admitiu estar envolvido com o tráfico de drogas e afirmou que o jovem de 21 anos era responsável por armazenar as maiores quantidades e realizar o recebimento de pagamentos por meio de transferências via Pix.
Ele foi preso em flagrante e conduzido à Delegacia de Plantão da Polícia Civil, juntamente com o material apreendido.
Ao todo, a operação resultou na apreensão de sete barras de cocaína (aproximadamente 7 kg), R$100 em dinheiro, além de materiais para dolagem e embalagem de drogas.
Polícia reforça combate ao tráfico e elogia apoio da comunidade
Em comunicado, a 11ª RPM destacou que a operação faz parte de um conjunto de ações estratégicas para enfrentar o tráfico de drogas e o crime organizado em Montes Claros e região. A corporação ressaltou a importância das denúncias anônimas e do apoio da comunidade, que têm sido fundamentais para o sucesso das operações de repressão.
“A participação da população é essencial. Cada informação repassada pode resultar em uma grande apreensão, como ocorreu nesse caso. O trabalho integrado das equipes, com o apoio da ROCCA e o uso de cães farejadores, tem se mostrado uma ferramenta decisiva no combate ao tráfico”, informou o comando da unidade.
A PM reforçou ainda que as investigações continuam para identificar e prender o segundo suspeito, além de rastrear possíveis conexões com redes de distribuição de entorpecentes em outras cidades do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha.
Contexto e impacto regional
Montes Claros, por ser um dos maiores polos urbanos do Norte de Minas, tem enfrentado desafios recorrentes no enfrentamento ao tráfico de drogas, que se espalha por bairros periféricos e zonas de transição. Segundo dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais, as apreensões de cocaína na região cresceram cerca de 40% em 2025, reflexo do aumento da atuação das forças de segurança e também da sofisticação das redes criminosas.
Nos últimos meses, o Batalhão de Choque e a ROCCA têm intensificado operações em áreas consideradas estratégicas, utilizando inteligência policial, tecnologia e cães especializados para identificar esconderijos de drogas e pontos de venda disfarçados em residências.
Cão Zeus: o “herói de quatro patas” da operação
O protagonista silencioso da noite foi o cão Zeus, integrante da ROCCA, treinado para detecção de entorpecentes, armas e munições.
Segundo o sargento responsável pela equipe, Zeus teve papel fundamental para o êxito da ação:
“O faro apurado do Zeus permitiu que localizássemos drogas escondidas em locais de difícil acesso. É um trabalho técnico e minucioso, que mostra o quanto o investimento em adestramento e equipamentos modernos traz resultados concretos.”
A atuação de cães como Zeus faz parte da política da PMMG de aperfeiçoar o policiamento com técnicas especializadas, integrando inteligência, ação tática e apoio animal.
Encaminhamentos e próximos passos
O suspeito preso foi encaminhado à Delegacia de Plantão de Montes Claros, onde foi autuado por tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 11.343/2006) e associação para o tráfico (art. 35).
O material apreendido passará por perícia técnica e, posteriormente, será destruído conforme decisão judicial.
A Polícia Militar segue em diligências para localizar o segundo envolvido e não descarta novas prisões nos próximos dias. O caso também será encaminhado à Delegacia Especializada em Narcóticos, que ficará responsável pela continuidade das investigações e pela identificação de possíveis fornecedores.


