Produtos de Delfim Moreira e Maria da Fé venceram o Prêmio Brasil Artesanal da CNA; Epamig participou da avaliação e contribuiu para o desenvolvimento de uma das cultivares premiadas
Dois azeites produzidos no Sul de Minas Gerais conquistaram o primeiro lugar nas categorias Varietal e Blend do Prêmio Brasil Artesanal, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado reconhece a qualidade da produção mineira e reforça o avanço da olivicultura no estado, com participação da pesquisa agropecuária no desenvolvimento de variedades e no aprimoramento dos produtos.
O azeite Alto das Oliveiras, de Delfim Moreira, venceu na categoria Varietal. Já o Mantikir, produzido em Maria da Fé, conquistou o primeiro lugar na categoria Blend. O concurso recebeu 85 amostras e selecionou os cinco melhores produtos de cada categoria, com avaliação de júris técnico e popular e consideração da história dos produtores e dos azeites.
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) participou da iniciativa como apoiadora. A instituição colaborou na elaboração do edital, na definição dos critérios de avaliação, na orientação para o aprimoramento dos produtos e na composição do júri técnico, ao lado da Embrapa, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e do Sebrae.
Cultivar desenvolvida pela Epamig está entre as vencedoras
O Alto das Oliveiras foi elaborado com azeitonas da cultivar Grappolo 541, desenvolvida e registrada pela Epamig. A variedade se destaca por características sensoriais como amargor elevado, picância expressiva e notas herbáceas.
Segundo o pesquisador da Epamig Luiz Fernando de Oliveira, a qualidade do azeite depende de cuidados em todas as etapas, desde a integridade dos frutos até a extração, centrifugação, filtragem e armazenagem.
O olival que produz o Alto das Oliveiras ocupa três hectares e foi implantado em 2018 pelo casal José Martins Diogo de Siqueira Filho e Marciane Oliveira. A propriedade adota práticas biodinâmicas, orientadas pelos ciclos naturais e pela busca de autossustentabilidade.
Em 2021, a produção recebeu certificação orgânica. O reconhecimento nacional chegou na quinta safra do olival, em um momento especial para os produtores: o desenvolvimento precoce da Grappolo 541, em 2026, permitiu a elaboração do azeite monovarietal premiado.
José Martins afirmou que a conquista foi inesperada, especialmente por ter ocorrido no primeiro concurso de que o produto participou. Para o produtor, o resultado representa satisfação e também a responsabilidade de manter o padrão de qualidade.
Mantikir amplia trajetória de premiações
Na categoria Blend, o vencedor foi o azeite Mantikir, de Maria da Fé, produto que vem acumulando reconhecimentos em concursos do setor.
O produtor Herbert Sales destacou que o prêmio da CNA tem um significado especial por considerar não apenas as características do azeite, mas também a história de quem produz, o território, as condições de cultivo e o ecossistema em que as oliveiras se desenvolvem.
Os dois azeites premiados foram extraídos nos Olivais de Quelemém, em Maria da Fé, estrutura que atende aproximadamente 40 produtores. O trabalho envolve a integração entre o manejo no campo e o processamento das azeitonas.
Para Luiz Augusto da Silva, gerente e mestre lagareiro da propriedade, o resultado depende diretamente do cuidado dos olivicultores com os frutos. A qualidade final, segundo ele, começa no olival e precisa ser preservada durante todo o processo de produção.
Pesquisa e qualidade fortalecem a produção mineira
A conquista dos dois primeiros lugares evidencia a participação de produtores, estruturas de processamento e instituições de pesquisa no desenvolvimento da olivicultura em Minas Gerais.
No caso do Alto das Oliveiras, a presença de uma cultivar desenvolvida pela Epamig entre os produtos vencedores demonstra como a pesquisa pode contribuir para ampliar as possibilidades de produção e agregar valor ao azeite.
Além do reconhecimento aos produtos, a premiação destaca a importância do manejo adequado, da colheita cuidadosa e do processamento correto para preservar os atributos sensoriais do azeite de oliva. Em um mercado que valoriza cada vez mais a origem e a qualidade, os resultados colocam os produtores mineiros em evidência no cenário nacional.


