Crescimento da produção, das exportações e do emprego fortalece cadeia de proteína animal em Minas e amplia oportunidades para regiões produtoras
A avicultura deixou de ser apenas uma atividade ligada à produção rural para se consolidar como uma importante engrenagem da economia de Minas Gerais. O avanço da produção de carne de frango, a recuperação das exportações e a geração de empregos no primeiro semestre de 2026 mostram a força de uma cadeia que também pode representar oportunidades para o Norte de Minas, região que busca ampliar a diversificação de sua economia e agregar valor à produção agropecuária.
Dados do boletim da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) mostram que o Brasil abateu aproximadamente 3,4 bilhões de aves entre janeiro e junho deste ano, crescimento de cerca de 3% em relação ao mesmo período de 2025. A produção de carne de frango chegou a aproximadamente 7,5 milhões de toneladas, alta de 6%.
Minas Gerais acompanhou o movimento. No primeiro semestre, foram abatidas cerca de 241 milhões de aves, responsáveis por uma produção próxima de 524 mil toneladas. O volume representa crescimento de pouco mais de 1% na comparação anual.
Mais importante para a economia mineira é o valor gerado por essa atividade. A avicultura de corte deverá alcançar aproximadamente R$ 7,7 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP) em 2026, colocando Minas Gerais na sexta posição entre os estados brasileiros.
Para o Norte de Minas, esse cenário ganha importância porque a cadeia avícola tem potencial de movimentar diferentes setores da economia regional. A produção não termina dentro da granja ou do frigorífico. Ela envolve milho, soja, transporte, armazenagem, assistência técnica, equipamentos, energia, mão de obra, serviços veterinários e comércio.
Ou seja: quando a produção cresce, o dinheiro circula por uma cadeia muito maior.
Exportação aumenta e abre mercado
Outro indicador que chama atenção é a recuperação das exportações. No primeiro semestre, o Brasil vendeu aproximadamente US$ 5,6 bilhões em carne de frango ao mercado internacional, crescimento de cerca de 18%. Os embarques ficaram próximos de 3 milhões de toneladas.
Em Minas Gerais, as exportações da avicultura chegaram a aproximadamente US$ 211 milhões, alta de 14%, com volume próximo de 103 mil toneladas.
O resultado mostra que a proteína brasileira continua competitiva no mercado internacional e que o aumento da demanda externa pode estimular investimentos em produção, processamento e logística.
Para o gerente e economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, a combinação entre crescimento da produção e recuperação das compras internacionais explica parte importante do desempenho.
“O setor avícola apresentou avanço consistente no primeiro semestre, com crescimento da produção e recuperação das exportações. A retomada das compras por importantes mercados internacionais, somada à competitividade da proteína brasileira, contribuiu para esse desempenho”, afirmou.
Emprego e renda no campo e na indústria
O impacto também aparece no mercado de trabalho. O setor de abate de aves abriu aproximadamente 11 mil postos de trabalho no Brasil no primeiro semestre. Em Minas Gerais, foram cerca de 630 novas vagas.
Os números mostram uma característica importante da avicultura: sua capacidade de gerar atividade econômica tanto no campo quanto na indústria.
No Norte de Minas, onde municípios convivem com desafios relacionados à geração de emprego, renda e diversificação econômica, o fortalecimento de cadeias agroindustriais pode representar uma alternativa para ampliar a participação da região na economia estadual.
A lógica é conhecida: quanto maior a produção organizada, maior a necessidade de fornecedores, transporte, armazenagem, trabalhadores especializados e serviços. Quando existe processamento industrial próximo da produção, parte maior do valor permanece na própria região.
Insumos continuam no radar
O desempenho positivo, porém, não significa que o setor esteja livre de riscos. O custo da alimentação das aves continua sendo um dos principais fatores que determinam a rentabilidade da atividade.
Milho e farelo de soja tiveram disponibilidade considerada favorável ao longo de 2026, ajudando a controlar os custos. Mas câmbio, preços das commodities, clima e sanidade animal podem alterar rapidamente o cenário.
“A disponibilidade de milho e farelo de soja ajudou a manter os custos sob controle ao longo de 2026. Para os próximos meses, o setor deve continuar avançando, embora fatores como preços dos insumos, câmbio, condições climáticas e sanidade avícola permaneçam no radar”, destacou Pio.
Para uma região como o Norte de Minas, essa equação é ainda mais relevante. Produzir proteína animal em escala exige planejamento, oferta regular de insumos, segurança sanitária, energia, água, estradas e logística eficiente.
Não basta ter produtor. É preciso ter cadeia.
2027 deve manter crescimento
As perspectivas para 2027 continuam positivas, embora em ritmo mais moderado. A produção brasileira de carne de frango poderá chegar a aproximadamente 16,7 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem permanecer próximas de 5,8 milhões de toneladas.
Para Minas Gerais, que já ocupa posição de destaque na avicultura nacional, o cenário abre espaço para novos investimentos e para o fortalecimento de polos regionais.
No Norte de Minas, a oportunidade está justamente em transformar a vocação agropecuária em uma cadeia cada vez mais industrializada, capaz de produzir, processar e comercializar dentro e fora de Minas.
Em uma região acostumada a enfrentar as limitações impostas pelo clima e pela distância dos grandes centros consumidores, diversificar a produção e agregar valor deixou de ser apenas uma estratégia de crescimento. É uma necessidade econômica.
E a avicultura, pelos bilhões que movimenta, pelos empregos que gera e pela capacidade de conectar campo, indústria e comércio exterior, aparece como uma das atividades que podem ajudar a escrever esse próximo capítulo.


