O Atlético vive mais um momento delicado em sua trajetória recente na elite do futebol nacional. Em meio a uma sequência de resultados negativos e com o alerta máximo ligado dentro e fora das quatro linhas, o clube mineiro novamente se vê ameaçado pela zona de rebaixamento da Série A do Campeonato Brasileiro. O sinal vermelho, como definiu o CSO do clube, Paulo Bracks, já está aceso — e as críticas vêm de todos os lados. Uma das mais contundentes foi feita por Carlos Eduardo Mansur, comentarista do SporTV, que apontou: “O Atlético vai flertar de novo com o desastre”.
A declaração de Mansur aconteceu após a derrota acachapante do Galo por 3 a 0 para o Fluminense, no último sábado (4), em pleno Maracanã. A partida, válida pela 27ª rodada do Brasileirão, escancarou os problemas enfrentados pelo time comandado por Jorge Sampaoli. Mais do que uma goleada, o jogo trouxe à tona fragilidades táticas, escolhas questionáveis e uma aparente perda de identidade da equipe em campo.
Pressão Interna e Críticas à Comissão Técnica
Paulo Bracks revelou que, após a partida, os jogadores foram cobrados com rigor no vestiário. Segundo ele, o tom da cobrança foi elevado, refletindo a gravidade do momento vivido pelo clube. No entanto, as broncas internas não foram suficientes para conter as críticas externas.
Durante o programa Troca de Passes, Carlos Eduardo Mansur fez uma análise minuciosa das decisões de Sampaoli e das consequências da instabilidade técnica e tática que o Atlético vem apresentando. “O time que já não vinha respondendo antes era mais natural ainda que não respondesse agora a essa nova maneira de jogar”, destacou o jornalista, apontando a dificuldade de adaptação do elenco às mudanças promovidas pelo treinador argentino.
Apesar de ter reconhecido pontos positivos no empate com o Juventude, na rodada anterior (0 a 0), Mansur ressaltou que a falta de consistência nas escolhas de Sampaoli tem comprometido o desempenho da equipe. “Teve cinco alterações daquele time para hoje, porque tinha alguns retornos esperados. Outras opções do Sampaoli são um pouco mais difíceis de entender. Não ter começado com o Scarpa, por exemplo. O Arana não vive um grande momento. O Caio tinha feito uma boa partida e, hoje, começou no banco.”
A volta do fantasma da Série B
A situação do Atlético, segundo Mansur, é preocupante. Com apenas uma vitória nas últimas nove rodadas, o clube estacionou na tabela e vê os adversários diretos na luta contra o rebaixamento se aproximarem perigosamente. “Sem querer soar alarmista: são quatro pontos em relação ao Z4. Tem menos jogos do que o Vitória, que está no limite, mas nessa tendência recente, se não mudar o aproveitamento, vai flertar de novo com o desastre – como aconteceu no ano passado”, alertou o comentarista.
De fato, em 2024, o Atlético escapou da Série B por pouco. O alívio só veio na última rodada, com uma vitória sofrida por 1 a 0 sobre o Athletico-PR, na Arena MRV, em Belo Horizonte. Agora, o filme ameaça se repetir, e o torcedor atleticano teme que o desfecho desta temporada seja ainda mais amargo.
Reação da torcida e ambiente pesado
Nas redes sociais, o clima é de apreensão. Torcedores do Atlético demonstram frustração com o rendimento da equipe e cobram mudanças urgentes. Vídeos do programa Alterosa Esporte viralizaram, mostrando o representante do Galo, Fael Lima, em um desabafo inflamado: “Vergonha na cara! Tirem os bolsos para fora, mostrem vontade de jogar com a camisa do Atlético!” – bradou, gesticulando com veemência diante das câmeras.
Além das críticas à postura dos atletas, boa parte da torcida também questiona o desempenho do técnico Jorge Sampaoli. Contratado com a expectativa de promover uma transformação no estilo de jogo da equipe, o treinador ainda não conseguiu implementar um sistema eficiente. Os constantes testes, as substituições duvidosas e a ausência de uma formação titular consolidada alimentam a insegurança no ambiente interno do clube.
O desafio da retomada e o que vem pela frente
A situação é crítica, mas ainda há tempo para reverter o cenário. Com 11 rodadas restantes até o fim do campeonato, o Atlético precisa reagir imediatamente. O próximo compromisso será nesta quarta-feira (8), às 19h, em duelo adiado da 14ª rodada contra o Sport, na Arena MRV. A partida é encarada como uma verdadeira final para o Galo, que precisa pontuar para afastar o perigo da zona da degola.
O time pernambucano também briga na parte de baixo da tabela, o que aumenta ainda mais o peso do confronto. Jogando em casa, o Atlético não pode vacilar — e a pressão da torcida promete ser intensa. Uma derrota pode significar o início de uma crise ainda mais profunda, com consequências imprevisíveis para a continuidade do trabalho da comissão técnica.
Considerações Finais: O que esperar do Atlético?
Resta saber se o clube conseguirá unir forças para sair da situação delicada em que se encontra. O elenco tem qualidade individual, mas carece de organização coletiva e confiança. A missão de Jorge Sampaoli será encontrar o equilíbrio entre manter sua identidade tática autoral e respeitar as características do grupo que tem em mãos.
O Atlético já passou por momentos turbulentos em sua história recente e soube reagir. Porém, com o campeonato afunilando e o nível de competitividade aumentando, não há mais espaço para erros. O “flerte com o desastre” ao qual se refere Mansur precisa ser tratado com seriedade — sob o risco de se transformar, novamente, em realidade.


