Time de Jorge Sampaoli vive reta final dramática e pode terminar 2025 no topo, no meio ou no fundo da tabela; disputa aberta envolve matemática, torcidas rivais e alta dose de tensão
O Atlético chega aos últimos sete dias da temporada de 2025 vivendo um dos cenários mais complexos, improváveis e imprevisíveis de sua história recente. A equipe comandada por Jorge Sampaoli, que alternou altos e baixos ao longo do ano, entra nas duas rodadas finais do Campeonato Brasileiro podendo conquistar vaga na Copa Libertadores, se classificar à Copa Sul-Americana ou, no pior e mais temido dos desfechos, ser rebaixada para a Série B.
Com 45 pontos, o Galo é o 13º colocado após 36 jogos — quatro à frente do Internacional, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento, e três atrás do São Paulo, oitavo colocado. A oscilação da equipe ao longo das rodadas levou o clube a uma reta final em que o torcedor precisa acompanhar tabela, calculadora e combinações de resultados quase em tempo integral.
Os dois últimos compromissos do time serão em casa, na Arena MRV, contra Palmeiras (quarta, 3/12, às 21h30) e Vasco (domingo, 7/12, às 16h). A definição do futuro alvinegro passa integralmente pelo desempenho nesses jogos.
Mesmo vivendo um Brasileirão irregular, o Atlético ainda pode conquistar uma vaga na principal competição do continente. A chance surgiu por causa da configuração do campeonato e do entrelaçamento com a Copa do Brasil.
O G7 já está definido: Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Mirassol, Botafogo, Fluminense e Bahia estão garantidos na Libertadores de 2026. Porém, como Cruzeiro e Fluminense ainda disputam a semifinal da Copa do Brasil, um eventual título de qualquer um deles abriria uma vaga extra via Campeonato Brasileiro.
Assim, a oitava posição se torna classificatória — justamente onde está o São Paulo, com 48 pontos.
Para o Atlético, a equação da vaga é dura, mas clara:
O Galo precisa vencer Palmeiras e Vasco, chegando a 51 pontos;
O São Paulo precisa somar no máximo dois pontos contra Internacional (Vila Belmiro) e Vitória (Barradão);
Corinthians, Grêmio, Vasco e Bragantino — todos acima do Atlético — não podem somar mais do que quatro pontos nas rodadas finais.
Os rivais diretos jogam assim:
São Paulo: Inter (casa) e Vitória (fora)
Corinthians: Fortaleza (fora) e Juventude (casa)
Grêmio: Fluminense (casa) e Sport (fora)
Vasco: Mirassol (casa) e Atlético (fora)
Bragantino: Vitória (casa) e Inter (fora)
A combinação é difícil, mas não impossível — especialmente em um campeonato em que nenhum time consegue manter regularidade plena.
Este é o cenário mais provável para o Atlético. De acordo com o portal Probabilidades do Futebol, da UFMG, o Galo tem 83% de chance de disputar a Sul-Americana em 2026.
Isso porque a competição continental deve contemplar até o 15º colocado do Brasileirão, já que semifinalistas da Copa do Brasil — Vasco e Corinthians — também estão nessa faixa da tabela.
Para se garantir, o Atlético precisa apenas terminar entre o 9º e o 15º lugar, o que pode ser alcançado com um empate ou vitória em uma das partidas finais. A Sul-Americana seria, dentro do contexto turbulento da temporada, um desfecho aceitável.
Embora matematicamente possível, a queda é considerada extremamente improvável. A UFMG aponta 0,04% de probabilidade — mas o percentual não alivia a tensão do torcedor, dado o desempenho irregular recente e a boa fase de rivais diretos na luta contra o rebaixamento.
Para que o Galo caia, seria necessário um desfecho dramático:
O Atlético precisa perder para Palmeiras e Vasco;
Quatro entre cinco clubes abaixo na tabela precisam ter desempenho positivo.
Abaixo do Galo estão:
Ceará – 43 pontos
Vitória – 42
Santos – 41
Internacional – 41
Fortaleza – 40
Nenhum deles se enfrenta nas rodadas finais, abrindo possibilidade para uma “arrancada coletiva” que deixaria o Atlético para trás.
O que cada um precisa fazer se o Galo perder as duas:
Ceará: dois empates ou uma vitória
Vitória: uma vitória e um empate
Santos: duas vitórias
Internacional: duas vitórias
Fortaleza: duas vitórias
Se o Atlético empatar um dos jogos, ainda existe risco, mas a matemática fica mais apertada. O ideal para evitar qualquer ameaça é chegar a 47 pontos, seja com dois empates ou uma vitória.
Em caso de término na 16ª posição, o Atlético escapa do rebaixamento, mas não se classifica para nenhuma competição continental. O clube disputaria, então, a recém-criada Copa Sul-Sudeste, da CBF, em 2026.
O torneio reunirá os 12 melhores times das regiões Sul e Sudeste da Série A e B que não se classificarem para a Libertadores ou Sul-Americana. É um cenário intermediário, em que o Galo não cai, mas também não avança a nível internacional.
A reta final coloca o Atlético diante de dois jogos que definirão o tom da temporada e, possivelmente, o rumo do trabalho de Sampaoli em 2026. A Arena MRV deve receber grandes públicos, já que a torcida sabe que a disputa agora é emocional, matemática, estratégica — e decisiva.
Entre Libertadores, Sul-Americana e risco remoto de queda, o que se desenha no horizonte é uma das semanas mais dramáticas da história recente alvinegra. E todas as respostas chegarão dentro de casa, diante da própria massa, que fará sua parte empurrando o time rumo ao desfecho que deseja — e que o clube tanto precisa.


