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Após enfrentar o câncer, enfermeira de Mirabela cria projeto para acolher outros pacientes - Rede Gazeta de Comunicação

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Após enfrentar o câncer, enfermeira de Mirabela cria projeto para acolher outros pacientes

Taluani Andrade transformou a própria experiência com o câncer de mama em uma iniciativa que busca ajudar pacientes e familiares durante viagens, tratamentos e momentos de maior fragilidade

Receber o diagnóstico de câncer muda a rotina, os planos e, muitas vezes, a maneira como a pessoa enxerga o próprio futuro. Para quem precisa viajar para outras cidades em busca de consultas, exames e tratamento, aos desafios da doença se somam o cansaço dos deslocamentos, as dificuldades financeiras e a sensação de enfrentar tudo longe de casa.

A enfermeira Taluani Andrade, moradora de Mirabela, no Norte de Minas, conhece essa realidade por experiência própria. Depois de passar pelo tratamento contra o câncer de mama, ela decidiu transformar parte do que viveu em uma iniciativa voltada a outras pessoas que enfrentam a doença.

Assim nasceu o projeto “Cuidar é Acolher”, uma proposta que busca construir uma rede de apoio para pacientes com câncer e seus familiares no município.

A ideia é ajudar principalmente quem encontra dificuldades para manter o tratamento, seja no deslocamento para outros municípios, na realização de exames e procedimentos ou diante de limitações sociais e financeiras.

Mas a proposta vai além da ajuda prática. O projeto pretende oferecer escuta, companhia e acolhimento durante uma fase em que o medo e a insegurança podem se tornar tão presentes quanto os próprios procedimentos médicos.

Da experiência pessoal para uma rede de solidariedade

A história de Taluani com o câncer começou em 27 de julho de 2025, quando recebeu o diagnóstico que mudaria sua vida.

Em 1º de setembro, iniciou a quimioterapia. Foram 16 sessões — quatro do chamado protocolo vermelho e outras 12 do protocolo branco — concluídas em 27 de janeiro de 2026.

Poucas semanas depois, em 20 de fevereiro, ela passou por uma mastectomia bilateral e pelo esvaziamento da axila esquerda. Desde então, segue em recuperação e respeitando as orientações médicas e o tempo necessário para que o corpo se recupere.

Foi justamente durante esse percurso que surgiu a percepção de que o tratamento contra o câncer não se resume a medicamentos, consultas e cirurgias.

Há também o silêncio antes de uma notícia, a ansiedade de uma viagem, o medo de um exame, a necessidade de alguém para acompanhar uma consulta e a importância de ter uma pessoa por perto quando a família também está emocionalmente abalada.

Foi a partir dessa vivência que Taluani decidiu criar uma iniciativa capaz de oferecer a outros pacientes parte do apoio que ela própria conheceu ou sentiu falta durante sua caminhada.

Cuidado também é presença

O “Cuidar é Acolher” pretende mobilizar moradores, voluntários e empresas de Mirabela para formar uma rede de solidariedade.

Entre as possibilidades estão apoio para deslocamentos, combustível, alimentos e materiais, além de trabalho voluntário e divulgação da iniciativa.

A proposta inclui ajudar pacientes que precisam sair do município para consultas, exames e procedimentos, mas também criar uma rede de pessoas dispostas a acompanhar esses momentos.

Na prática, isso pode significar ajudar alguém a chegar a uma consulta, acompanhar uma viagem para tratamento, oferecer uma refeição ou simplesmente estar disponível para ouvir.

O projeto parte de uma ideia simples: em determinadas fases da doença, ter alguém por perto pode representar uma diferença importante para o paciente e para a família.

Uma história que olha para a comunidade

A experiência de Taluani é individual, mas o projeto pretende alcançar outras histórias.

O lema escolhido para a iniciativa resume esse propósito: “Cuidar é acolher. Acolher é dar esperança.”

A intenção é reunir pessoas dispostas a contribuir de diferentes formas, respeitando as possibilidades de cada uma. Além de doações financeiras, a rede poderá receber apoio com combustível, alimentos e materiais, trabalho voluntário e divulgação.

Empresas também poderão participar como parceiras da iniciativa.

Para Taluani, a experiência de enfrentar o câncer não apagou o medo nem tornou o processo mais fácil. Mas abriu espaço para um novo significado: transformar uma trajetória marcada por tratamentos, limitações e incertezas em uma oportunidade de ajudar quem está começando ou atravessando o mesmo caminho.

Em Mirabela, o “Cuidar é Acolher” nasce, portanto, de uma experiência pessoal e se volta para o coletivo. Porque, diante do câncer, o tratamento médico é indispensável, mas ninguém precisa atravessar cada etapa sem companhia, escuta e solidariedade.