Equipe venceu o Projeto Craque Cidadão por 7 a 3 na final do Sub-15; competição também destaca artilharia, defesa e o papel do esporte na formação de meninas
A III Copa Montes Claros de Futsal de Base já tem sua primeira equipe campeã. Na noite de terça-feira (6), a AMEF/Carlão Futsal conquistou o título da categoria Sub-15 Feminino ao vencer o Projeto Craque Cidadão, do Instituto Chuí, por 7 a 3, em uma final marcada por muitos gols e pela presença de jovens atletas que encontram no esporte uma oportunidade de desenvolvimento, convivência e transformação.
A decisão foi disputada no Ginásio Municipal João Bosco Martins, no complexo da antiga Escola Técnica, no bairro Alto São João. Com o resultado, a AMEF/Carlão Futsal levantou a primeira taça da edição 2026 da Copa e também garantiu duas premiações individuais.
A capitã Lorrane Alves terminou a competição como artilheira da categoria, com três gols. A goleira Antônia Valentine também se destacou ao sofrer o menor número de gols entre as atletas da posição, ajudando a equipe a construir a campanha que terminou com o título.
Mais do que os resultados dentro da quadra, a competição coloca em evidência o crescimento do futsal feminino de base em Montes Claros e a possibilidade de meninas de diferentes bairros terem acesso ao esporte organizado.
Primeiro título e novos sonhos
Aos 13 anos, Antônia Valentine ainda está dando os primeiros passos no futsal competitivo. Para a goleira, o título conquistado pela AMEF/Carlão Futsal tem um significado especial justamente por representar uma das primeiras conquistas de sua trajetória.
“Estou muito feliz com o meu primeiro título. Sou uma das jogadoras com menor tempo no projeto e espero que seja a primeira de muitas conquistas”, contou.
A relação de Antônia com o futsal começou de maneira simples, nas brincadeiras e partidas realizadas na praça do bairro. O contato com o esporte ganhou outra dimensão quando ela recebeu o convite para integrar a equipe da Escola Estadual Carlos Albuquerque, no bairro Maracanã, que disputaria os Jogos Escolares deste ano.
A experiência despertou o interesse da adolescente, que decidiu continuar treinando e passou a fazer parte da equipe fixa do projeto.
“Gostei muito e resolvi vir para o projeto da equipe fixa”, explicou.
A história da jovem mostra como projetos esportivos podem funcionar como porta de entrada para uma trajetória que vai além da competição. O primeiro contato pode acontecer em uma praça, em uma escola ou nas ruas do bairro, mas a oportunidade de treinamento sistemático permite que o talento seja desenvolvido e que a criança ou adolescente passe a enxergar novas possibilidades dentro do esporte.
Vice-campeonato também é motivo de comemoração
Do outro lado da decisão, o Projeto Craque Cidadão também encerrou sua participação com motivos para comemorar. A equipe do Instituto Chuí ficou com o vice-campeonato depois de chegar à decisão e disputar a primeira final da competição.
Entre as jogadoras estava Sophia de Souza, de 12 anos, que marcou um dos gols da equipe na decisão. Para ela, a experiência acumulada durante os meses de participação no projeto já representa uma conquista importante.
Sophia integra há quase oito meses o núcleo mantido pelo Instituto Chuí em parceria com a Prefeitura de Montes Claros, no bairro Cidade Industrial. Antes de entrar no projeto, o contato da menina com o futebol acontecia de maneira informal, nas partidas disputadas na rua e em casa com colegas da Escola Municipal Eva Cunegundes.
Com os treinamentos, a relação com o esporte mudou. A jovem passou a conhecer melhor as regras, aperfeiçoou fundamentos e desenvolveu maior concentração durante as partidas.
“Eu faço parte do projeto há quase oito meses e tudo mudou para melhor. Conheço bem as regras, melhorei nos fundamentos e na concentração de jogo. É um orgulho já ter condições de disputar uma final e garantir a primeira taça para nosso projeto”, afirmou.
Apesar da derrota na decisão, o vice-campeonato representa um passo importante para uma equipe que também está construindo sua trajetória. Para as atletas, chegar à final significa acumular experiência, aprender a lidar com a pressão de uma decisão e perceber que a competição pode ser parte de um processo maior de formação.
Esporte como ferramenta de formação
A III Copa Montes Claros de Futsal de Base é realizada pela Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude. A competição reúne equipes das categorias de base e busca utilizar o esporte também como instrumento de formação social.
Dentro das quadras, os resultados são consequência dos treinamentos, da disciplina e da preparação das equipes. Fora delas, a experiência envolve convivência, respeito às regras, concentração, responsabilidade e participação das famílias.
No caso do futsal feminino, iniciativas desse tipo também ajudam a ampliar o espaço ocupado pelas meninas no esporte. Muitas começam jogando em praças, ruas, escolas ou entre amigos e encontram nos projetos esportivos a possibilidade de continuar praticando a modalidade em um ambiente estruturado.
A trajetória de Antônia e Sophia representa justamente esse caminho. Ambas tiveram contato inicial com o futebol em espaços do cotidiano e chegaram aos projetos por meio de oportunidades oferecidas nas comunidades e nas escolas.
A competição também aproxima famílias, professores, treinadores e comunidades em torno das jovens atletas. O acompanhamento familiar e o incentivo recebido durante os treinamentos e partidas fazem parte da construção dessa experiência.
Primeira campeã da Copa
Com a vitória por 7 a 3, a AMEF/Carlão Futsal passa a ser a primeira equipe campeã da terceira edição da Copa Montes Claros de Futsal de Base. O resultado coroa uma campanha que ainda rendeu à equipe os destaques individuais da artilharia e da defesa.
A conquista também abre espaço para novas histórias ao longo da competição, que ainda terá decisões em outras categorias.
Para as meninas que participaram da final, independentemente do resultado, a noite no Ginásio João Bosco Martins ficará marcada como uma experiência que ultrapassa o placar. Para umas, veio a primeira taça; para outras, o primeiro vice-campeonato e a experiência de disputar uma final. Para todas, fica o aprendizado de competir, conviver e acreditar que o esporte pode abrir caminhos.
Em uma modalidade que exige velocidade, técnica, disciplina e concentração, a Copa mostra que a formação esportiva começa muito antes de uma final. Muitas vezes, começa com uma bola na praça, uma partida na rua, um convite para treinar ou a coragem de entrar em quadra pela primeira vez.
E, para Antônia, a primeira taça pode ser apenas o começo: aos 13 anos, ela já pensa nas próximas conquistas.


