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AMAMS cobrar crédito emergencial para prejuízo de R$ 500 milhões da estiagem - Rede Gazeta de Comunicação

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AMAMS cobrar crédito emergencial para prejuízo de R$ 500 milhões da estiagem

Relatório agroclimatológico da Emater-MG aponta perdas de até 70% na produção agrícola e impactos no abastecimento de água em mais de 88% dos municípios pesquisados. Entidade defende renegociação de dívidas rurais, novas linhas de financiamento e repasses emergenciais do Governo de Minas para os municípios afetados

A estiagem prolongada e a distribuição irregular das chuvas provocaram um prejuízo estimado em R$ 500 milhões na pecuária do Norte de Minas durante o ano agrícola 2025/2026. Os danos estão relacionados principalmente à degradação das pastagens, à redução da disponibilidade de água e ao comprometimento das condições necessárias para a criação dos rebanhos. Na agricultura, as perdas chegaram a 70% em determinadas produções, segundo relatório agroclimatológico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).

Diante da gravidade do cenário, a Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS) intensificou a defesa de medidas emergenciais para evitar o agravamento da crise no campo. Entre as principais reivindicações estão a suspensão temporária da cobrança das dívidas de financiamentos rurais, a renegociação dos compromissos financeiros dos produtores, a abertura de linhas especiais de crédito e a liberação de recursos estaduais para os municípios atingidos pela seca.

O presidente da AMAMS e prefeito de São João da Lagoa, Ronaldo Soares Mota Dias, avalia que a resposta dos governos precisa considerar tanto as perdas imediatas quanto a necessidade de recuperar a capacidade produtiva da região. A preocupação envolve desde pequenos agricultores familiares até pecuaristas que dependem de pastagens, reservatórios e fontes regulares de água para manter suas atividades.

“Os produtores rurais estão enfrentando uma situação extremamente difícil, com perdas na lavoura, falta de pastagens e redução da disponibilidade de água. É fundamental que os governos ofereçam condições para que o homem do campo consiga renegociar suas dívidas, acessar novos recursos e manter sua atividade. Sem apoio emergencial, muitas famílias poderão enfrentar dificuldades ainda maiores para continuar produzindo”, destaca Ronaldo.

Perdas milionárias e lavouras sob pressão

Os números apresentados pela Emater-MG dimensionam a gravidade dos impactos econômicos da estiagem. O prejuízo estimado em R$ 500 milhões na pecuária evidencia a dimensão das perdas associadas à deterioração das pastagens e à dificuldade de manter a alimentação dos animais. Na agricultura, os danos de até 70% demonstram como a irregularidade das precipitações pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e reduzir significativamente a produção.

É importante observar que o percentual de 70% corresponde às perdas registradas em determinadas produções, não necessariamente à totalidade da agricultura regional. Da mesma forma, os R$ 500 milhões são uma estimativa dos prejuízos na pecuária, e não representam, isoladamente, o valor total dos danos econômicos provocados pela seca em todos os segmentos produtivos.

O levantamento também aponta que, desde abril de 2026, a região enfrenta um período prolongado de estiagem, com redução da disponibilidade hídrica em rios, poços, barragens e açudes. Mais de 88% dos municípios pesquisados registraram impactos na oferta de água destinada à irrigação e ao consumo humano e animal.

O dado chama a atenção porque demonstra que os efeitos da seca ultrapassam os limites das propriedades rurais. A escassez hídrica interfere no abastecimento das comunidades, na manutenção dos rebanhos, no desenvolvimento das lavouras e no funcionamento das atividades econômicas que dependem diretamente da produção agropecuária.

Com menos água disponível, os produtores enfrentam dificuldades para irrigar plantações, garantir a dessedentação dos animais e manter a produtividade. Ao mesmo tempo, a deterioração das pastagens pode elevar os custos com alimentação suplementar e pressionar o orçamento das propriedades, justamente quando a redução da produção compromete a renda e a capacidade de pagamento dos financiamentos contratados.

Crédito emergencial e renegociação de dívidas

Para a AMAMS, o acesso ao crédito é uma das medidas necessárias para impedir que a estiagem provoque consequências prolongadas sobre a economia rural. A entidade defende condições especiais para que os produtores afetados possam reorganizar suas obrigações financeiras e obter recursos para recompor pastagens, recuperar lavouras, investir em água e manter a atividade produtiva.

A suspensão temporária da cobrança das dívidas rurais é outra reivindicação apresentada pela associação. A proposta busca aliviar o fluxo de caixa dos produtores que perderam parte significativa da produção e enfrentam dificuldades para honrar compromissos assumidos antes da intensificação da crise climática.

A efetivação dessas medidas, entretanto, depende de decisões dos órgãos e instituições competentes, das regras aplicáveis a cada modalidade de financiamento e da definição dos mecanismos de comprovação das perdas. A AMAMS defende que os procedimentos sejam simplificados para facilitar o acesso dos agricultores e pecuaristas atingidos.

O crédito emergencial também precisa estar associado à recuperação da capacidade produtiva. Sem investimentos em água, solo, pastagens e assistência técnica, o financiamento pode apenas adiar as dificuldades, sem resolver as vulnerabilidades que tornam a atividade rural mais suscetível aos períodos prolongados de estiagem.

Água e prevenção para reduzir os prejuízos

O relatório agroclimatológico recomenda ampliar os investimentos em segurança hídrica, recuperação de pastagens, assistência técnica, armazenamento de água e medidas preventivas diante dos riscos climáticos. Essas ações são consideradas fundamentais para reduzir a dependência das chuvas e aumentar a capacidade de resposta das propriedades rurais.

Entre as iniciativas necessárias estão a construção e recuperação de estruturas de armazenamento, a manutenção de barragens e açudes, o uso mais eficiente da água na irrigação e a adoção de práticas de manejo adequadas às condições climáticas do semiárido. A assistência técnica também pode ajudar os produtores a planejar o calendário agrícola, escolher cultivos compatíveis com a disponibilidade hídrica e preservar a capacidade de recuperação do solo.

Na agricultura familiar, os impactos podem ser especialmente severos quando a perda da produção compromete simultaneamente a renda da família e o abastecimento alimentar. Por isso, a defesa de políticas emergenciais envolve não apenas a recuperação econômica dos produtores, mas também a manutenção da produção de alimentos e o abastecimento dos mercados locais.

A situação exige articulação entre as administrações municipais, o Governo de Minas Gerais e a União, tanto para atender às necessidades imediatas quanto para estruturar políticas permanentes de convivência com a seca.

El Niño aumenta a preocupação com o regime de chuvas

A possibilidade de influência do fenômeno El Niño também reforça a necessidade de monitoramento climático. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno altera padrões de circulação atmosférica e pode modificar a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do Brasil.

Os efeitos não são iguais em todo o território nacional e dependem da intensidade do fenômeno, da época do ano e da interação com outros sistemas meteorológicos. No Norte de Minas, a preocupação está na combinação entre temperaturas elevadas, evaporação intensa e precipitações insuficientes, fatores que podem ampliar o déficit hídrico e aumentar a pressão sobre os reservatórios.

A confirmação dos impactos esperados para a região depende dos prognósticos meteorológicos atualizados. Ainda assim, diante das perdas já relatadas, o planejamento preventivo ganha importância para evitar que novos períodos críticos aprofundem os prejuízos na agricultura e na pecuária.

AMAMS cobra decreto e recursos para os municípios

Além das medidas voltadas diretamente aos produtores, a AMAMS cobra do Governo de Minas Gerais a publicação de um decreto que viabilize o repasse de recursos aos municípios afetados pela estiagem. A reivindicação busca fortalecer a capacidade das prefeituras de executar ações emergenciais e atender às comunidades que enfrentam os efeitos da escassez de água.

A liberação de recursos poderá contribuir para ampliar as respostas locais, conforme os critérios e as finalidades definidos pelo governo estadual. A medida é considerada importante para apoiar as administrações municipais na organização de ações de enfrentamento à seca, especialmente nas localidades com maior comprometimento do abastecimento e da produção rural.

Para a associação, a resposta precisa ocorrer antes que as perdas se ampliem e que os produtores sejam obrigados a reduzir ou interromper suas atividades. A preocupação é que a crise climática se transforme também em uma crise financeira para as famílias rurais e em um problema de abastecimento e renda para os municípios.

“Não podemos esperar que os prejuízos aumentem para agir. O Norte de Minas precisa de políticas públicas que garantam água, crédito e condições para o produtor se recuperar. Apoiar o homem do campo é proteger a economia regional, a agricultura familiar e a segurança alimentar da nossa população”, conclui o presidente da AMAMS.

Com prejuízos pecuários estimados em R$ 500 milhões, perdas agrícolas de até 70% em determinadas produções e impactos hídricos registrados em mais de 88% dos municípios pesquisados, a estiagem impõe ao Norte de Minas o desafio de conciliar socorro imediato e planejamento de longo prazo. Para a AMAMS, a prioridade é garantir condições financeiras para a sobrevivência dos produtores, fortalecer a resposta dos municípios e ampliar os investimentos em segurança hídrica para reduzir a vulnerabilidade regional aos próximos períodos de seca.