Reunião orientou agricultores sobre documentação e regras do PNAE, programa que pode transformar a produção rural em renda para as famílias
A produção que sai das pequenas propriedades rurais de São João do Paraíso pode ganhar um novo destino: as escolas do próprio município. Agricultores e agricultoras participaram de uma reunião voltada às oportunidades de fornecimento de alimentos para a merenda escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
O encontro foi promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, em parceria com a Secretaria de Educação e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater). A proposta foi aproximar os produtores das regras e dos procedimentos necessários para participar do programa.
Para quem vive da agricultura familiar, a possibilidade de vender para as escolas representa mais do que um novo comprador. É uma alternativa de comercialização que pode dar maior previsibilidade à produção e fazer com que parte dos recursos destinados à alimentação escolar permaneça circulando dentro do próprio município.
Durante a reunião, os agricultores receberam orientações sobre cadastro, documentação, Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), produtos que podem ser fornecidos e procedimentos relacionados à entrega dos alimentos.
São etapas que podem parecer burocráticas para quem está acostumado a produzir e comercializar diretamente, mas que fazem diferença para que o agricultor esteja apto a acessar mercados institucionais.
Da propriedade para a escola
A lógica do PNAE aproxima duas pontas que, muitas vezes, estão geograficamente próximas, mas economicamente distantes: o produtor rural e o consumidor. Neste caso, a produção cultivada no município pode chegar à alimentação dos próprios estudantes da rede de ensino.
Além de ampliar a variedade de fornecedores, a compra da agricultura familiar contribui para valorizar produtos cultivados na região e cria uma alternativa de renda para famílias que dependem da atividade rural.
O efeito também pode ultrapassar os limites das propriedades. Quando o agricultor consegue vender sua produção, o dinheiro recebido volta a circular no comércio e nos serviços locais, movimentando uma cadeia que envolve transporte, insumos, equipamentos e consumo das famílias.
A Secretaria Municipal de Agricultura destacou que a aproximação dos produtores com o PNAE pode fortalecer a produção rural e ampliar o acesso às políticas públicas.
“O PNAE é uma importante oportunidade para fortalecer a agricultura familiar e valorizar quem produz no nosso município. Quando conseguimos aproximar o agricultor da alimentação escolar, promovemos geração de renda, valorizamos a produção local e contribuímos para que nossos alunos tenham acesso a alimentos de qualidade”, destacou a pasta.
Informação também é ferramenta de renda
Um dos principais objetivos da reunião foi justamente reduzir a distância entre o produtor e as exigências necessárias para participar do programa. Ter documentação regularizada, conhecer os critérios e entender como funciona o fornecimento pode ser decisivo para transformar uma produção que muitas vezes é comercializada de maneira informal em uma oportunidade de venda institucional.
A participação da Emater também contribui para oferecer orientação técnica aos agricultores, especialmente para aqueles que ainda não têm experiência com esse tipo de comercialização.
Para a agricultura familiar, encontrar mercados para a produção é um dos desafios permanentes. O agricultor pode produzir frutas, verduras, legumes e outros alimentos, mas precisa ter para quem vender e condições de entregar aquilo que foi produzido.
Quando esse mercado está dentro do próprio município, o benefício pode ser ainda maior. A produção permanece vinculada ao território, o produtor encontra uma alternativa de comercialização e as escolas recebem alimentos que chegam diretamente da agricultura local.
Em São João do Paraíso, a iniciativa busca justamente ampliar essa conexão. A intenção é preparar os agricultores para que possam participar das oportunidades oferecidas pelo PNAE e, com isso, fortalecer uma cadeia que começa na propriedade rural e termina na mesa dos estudantes.
No fim, a proposta coloca a merenda escolar como parte de uma engrenagem econômica maior: enquanto alimenta os alunos, pode também alimentar a renda de famílias que vivem da terra e ajudar a manter o dinheiro circulando no próprio município.


