Descrição da imagem
Acordo Mercosul-EFTA amplia oportunidades para produtos de Minas Gerais - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

Acordo Mercosul-EFTA amplia oportunidades para produtos de Minas Gerais

Estado respondeu por 26,6% das exportações brasileiras ao bloco em 2025; café, carnes, frutas, sucos e produtos com cacau estão entre os segmentos com potencial de crescimento

A entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) abre novas possibilidades para empresas mineiras que buscam ampliar a presença no mercado internacional. Formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, o bloco já mantém uma relação comercial relevante com Minas Gerais, especialmente em produtos do agronegócio e da mineração.

Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Minas Gerais exportou US$ 1,01 bilhão para os quatro países em 2025, o equivalente a 26,6% de tudo o que o Brasil exportou para o bloco naquele ano. No mesmo período, as importações mineiras somaram US$ 183 milhões, resultando em um superávit de aproximadamente US$ 827 milhões para o Estado.

O desempenho coloca Minas em posição relevante nas relações comerciais com os países da EFTA e cria espaço para que empresas mineiras busquem ampliar mercados, desde que estejam preparadas para atender às exigências de cada destino.

Para Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da FIEMG, o acordo representa uma possibilidade de ampliar a inserção internacional da indústria mineira.

“Minas Gerais já tem uma participação expressiva nas exportações brasileiras para a EFTA. O acordo abre novas condições de acesso a esses mercados e pode contribuir para ampliar a competitividade dos produtos mineiros, mas é fundamental que as empresas conheçam as regras e estejam preparadas para aproveitar as oportunidades”, afirma.

Café aparece entre os principais produtos

Entre os produtos que poderão encontrar condições mais favoráveis de acesso aos mercados da EFTA estão carnes bovina, de aves e suína, café, mel, milho, farelo de soja, frutas e sucos.

As condições, entretanto, não serão iguais para todos os produtos. O acordo prevê diferentes modalidades de acesso, que podem envolver livre comércio, redução ou preferência tarifária e cotas, conforme o produto e o país de destino.

Para Minas Gerais, o café aparece como uma das principais oportunidades. Em 2025, o Estado exportou aproximadamente US$ 114 milhões em café para os países da EFTA, segundo a análise da FIEMG. O produto ficou atrás apenas do ouro entre os principais itens da pauta exportadora mineira para o bloco.

A abertura de condições comerciais mais favoráveis pode ampliar o espaço para produtos mineiros de maior valor agregado, mas o aproveitamento dessas oportunidades dependerá da capacidade das empresas de atender às exigências específicas de cada mercado.

Além do café, a análise identifica possibilidades para chocolates e preparações à base de cacau, vinhos e sucos de frutas. Embora esses produtos ainda apresentem volumes menores na pauta de exportações, o novo ambiente comercial pode criar oportunidades de expansão.

Indústria também pode se beneficiar

O acordo não se limita ao agronegócio. Nos mercados em que suas disposições estiverem vigentes, produtos industriais originários do Mercosul também poderão se beneficiar da eliminação de tarifas, ampliando as possibilidades de competitividade das empresas brasileiras diante de fornecedores de outros países.

Para os produtos agropecuários, entretanto, as condições precisam ser analisadas individualmente. Tarifas, cotas, preferências comerciais e outras exigências podem variar de acordo com o produto e o país de destino.

Na prática, isso significa que a existência do acordo não garante automaticamente uma redução de custos para todos os produtos. As empresas interessadas em ampliar suas exportações precisarão verificar as regras específicas aplicáveis à mercadoria e ao mercado escolhido.

Entrada em vigor será gradual

A implementação do acordo também ocorrerá de forma diferente entre os países que integram a EFTA.

Para Brasil e Islândia, o acordo entra oficialmente em vigor em 1º de outubro. No caso de Brasil e Noruega, a aplicação começa em 1º de novembro.

Já em relação à Suíça e a Liechtenstein, o início da aplicação das tarifas preferenciais ainda depende da conclusão de procedimentos internos.

A diferença nos calendários exige atenção das empresas que já exportam ou pretendem iniciar negócios com esses mercados. Antes de fechar contratos ou definir preços, é necessário verificar qual regra estará efetivamente vigente para o produto e para o país de destino.

Minas parte de uma posição já relevante

Os números de 2025 mostram que Minas Gerais já possui uma participação expressiva no comércio brasileiro com a EFTA. O US$ 1,01 bilhão exportado pelo Estado representou mais de um quarto das vendas brasileiras ao bloco.

O saldo comercial positivo de cerca de US$ 827 milhões também evidencia a importância desses mercados para a economia mineira.

Com a implementação do acordo, a expectativa é de ampliação das possibilidades comerciais, principalmente para empresas capazes de combinar competitividade, qualidade, regularidade de fornecimento e cumprimento das exigências internacionais.

Para o setor produtivo mineiro, portanto, o novo acordo representa menos uma abertura automática de mercado e mais uma nova possibilidade de inserção internacional que dependerá da preparação das empresas e do conhecimento das regras específicas de cada operação.