Projeto promove palestras, rodas de conversa e atividades de autocuidado para estimular a escuta e reduzir o tabu em torno do sofrimento emocional
A discussão sobre saúde mental ganhou espaço em escolas e Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Montes Claros durante as ações do Setembro Amarelo, campanha de conscientização e prevenção ao suicídio. A programação promovida pela Prefeitura reúne palestras, rodas de conversa, atividades lúdicas e dinâmicas com a participação de psicólogos, médicos e enfermeiros.
A proposta é ampliar o diálogo sobre sofrimento emocional e criar ambientes em que estudantes, professores, funcionários, gestores e moradores possam falar sobre o que estão vivendo e, quando necessário, buscar ajuda.
Uma das iniciativas é o projeto “Valorização da Vida: Educar para Conscientizar”, que trabalha especialmente a comunidade escolar. A intenção é combater o silêncio e o estigma relacionados à saúde mental, estimulando uma abordagem baseada na escuta e no acolhimento, sem transformar o sofrimento em motivo de julgamento.
A escola pode ter papel importante nesse processo porque professores e funcionários convivem diariamente com crianças e adolescentes e, muitas vezes, conseguem perceber mudanças de comportamento. A proposta das ações é justamente ampliar a capacidade de ouvir e orientar, sem substituir o acompanhamento profissional quando ele for necessário.
Acolhimento também fora das salas de aula
Na sexta-feira (25), cerca de 30 moradores participaram de uma noite de acolhimento, autocuidado e convivência na Escola Monsenhor Gustavo, no bairro Santo Inácio. A atividade integrou o Programa Ginástica para Todos e também teve como objetivo abrir espaço para o diálogo sobre saúde mental e reduzir o estigma relacionado ao suicídio.
A programação incluiu práticas integrativas, ventosaterapia e momentos de convivência. A ação foi realizada em parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde, por meio do programa Saúde aos Montes, e a Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude, por meio do Programa Ginástica para Todos.
Para a psicóloga Valéria Borborema, falar sobre autocuidado também significa reconhecer que as pessoas enfrentam o sofrimento de maneiras diferentes e possuem necessidades individuais.
“Nós vivemos num mundo onde o parecer é mais do que o ser. Então, quando a gente investe no autocuidado, quando a gente investe nas pessoas, no sentido de que cada um é cada um, cada caso é cada caso, é um ganho muito bom”, afirmou.
A profissional também chamou atenção para a tendência de tratar a dor emocional como algo que precisa ser rapidamente eliminado, sem necessariamente compreender suas causas ou ouvir quem está passando pelo problema.
Segundo Valéria, reconhecer o sofrimento como parte da experiência humana não significa ignorá-lo, mas criar condições para que a pessoa seja acolhida e encontre recursos para enfrentá-lo.
Cuidado vai além do tratamento
A psicóloga destacou ainda que o conceito de cuidado em saúde envolve mais do que tratar uma doença já instalada. Para ela, acolhimento, respeito e escuta ativa são elementos importantes para estabelecer relações de cuidado.
A proposta das atividades realizadas durante o Setembro Amarelo segue justamente essa perspectiva: criar oportunidades de conversa antes que o isolamento e o silêncio aprofundem situações de sofrimento.
No ambiente escolar, isso significa envolver toda a comunidade e evitar abordagens que façam o estudante se sentir exposto ou julgado. A intenção é que o espaço seja percebido como um local onde pedir ajuda seja possível.
Atividade física como espaço de convivência
A educadora física Vanessa Vilela Barbosa Velasquez, responsável pelo núcleo da Ginástica para Todos no bairro Santo Inácio, também relaciona a atividade física ao cuidado com a saúde mental.
Segundo ela, a proposta das aulas não se limita ao exercício físico. O convívio, a disposição, a troca entre os participantes e a valorização da vida também fazem parte das atividades.
“Não só trabalhar o físico, mas transmitir essa energia, essa alegria, essa vontade de viver”, afirmou.
As ações do Setembro Amarelo em Montes Claros seguem ao longo do período com atividades em diferentes espaços públicos. A programação reforça que a prevenção passa pela informação, mas também pela criação de ambientes em que as pessoas possam ser ouvidas e orientadas a procurar ajuda quando estiverem enfrentando situações que não conseguem superar sozinhas.


