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A virada do tempo - Rede Gazeta de Comunicação

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A virada do tempo

Adelaide Valle Pires

Psicóloga

Outro dia, uma ideia me levou a outra.

Acredito que é assim que as boas ideias acontecem: uma coisa acende uma luz, a luz permite enxergar possibilidades e, quando percebemos, estamos procurando uma direção.

Foi assim comigo.

Passei boa parte da minha vida no mundo corporativo. Trabalhei com pessoas, modelos de gestão, desenvolvimento, jogos e ferramentas que buscavam transformar conhecimento em experiência.

No mundo corporativo, existe uma coisa que sempre me chamou a atenção: a ideia de trajetória.

Você entra em uma organização, aprende, desenvolve competências, assume responsabilidades, enfrenta novos desafios e, quando está preparado, pode avançar.

Há caminhos.

Há etapas.

Há desenvolvimento.

Não se espera que alguém chegue ao topo sem antes conhecer o caminho que leva até lá.

Foi pensando nisso que me veio uma pergunta:

O que significa ter experiência?

Quando alguém diz que tem dez anos de experiência, estamos falando realmente de dez anos de experiência?

Ou pode ser um ano de experiência repetido dez vezes?

Tempo de permanência não é necessariamente tempo de aprendizagem.

Assim como ocupar uma posição durante muitos anos não significa, por si só, que houve crescimento.

Experiência, para mim, tem mais a ver com aquilo que fazemos com o tempo que recebemos.

Aprendemos?

Mudamos?

Experimentamos?

Erramos?

Recomeçamos?

Desenvolvemos novas competências?

Ampliamos nosso olhar?

Quando temos diante de nós diferentes possibilidades, não basta enxergá-las. É preciso saber para onde queremos ir.

No mundo corporativo, aprendi que desenvolvimento não acontece apenas quando subimos um degrau. Acontece quando estamos preparados para assumir o próximo.

E essa ideia também vale para a vida.

Não precisamos ter todas as respostas.

Mas precisamos continuar aprendendo a fazer perguntas melhores.

Precisamos reconhecer onde estamos, perceber para onde queremos ir e ter coragem de recalcular a rota quando necessário.

Penso ser  essa a grande virada: compreender que experiência não é apenas o tempo que passou, mas aquilo que fizemos com o tempo que tivemos.

E fiquei pensando:

Será que estamos vivendo experiências ou apenas acumulando tempo?

Porque o tempo passa para todos.

Mas crescer é uma escolha.