A vez em que fui mais rápida que a Inteligência Artificial - Rede Gazeta de Comunicação

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A vez em que fui mais rápida que a Inteligência Artificial

Adelaide Valle Pires

Autora

Hoje vivi uma cena curiosa dessas que só a vida moderna inventa.

Eu estava aqui organizando uma imagem que representa meu jeito de escrever.

Um caminho de pedras.

Sete perguntas.

Uma régua para medir a conversa escrita.

Até aí, tudo tranquilo.

Resolvi então pedir ajuda à minha amiga IARA.

Inteligência Artificial Rápida.

A ideia era simples:

eu explicava o que precisava ajustar na imagem…

e ela ajustava.

Mas a conversa começou a correr rápido demais.

Eu dizia:

— Não mexe na imagem, só troca o número.

Ela voltava com outra imagem inteira.

Eu respondia:

— Não, não… a base está perfeita!

E lá vinha mais uma versão nova.

Foi quando percebi uma coisa engraçada:

a Inteligência Artificial estava rápida…

mas eu estava mais rápida ainda.

E quando duas velocidades não combinam o ritmo, aparece um velho conhecido da comunicação humana:

o estresse.

Parei um pouco e olhei de novo para o desenho das pedras.

E entendi algo que talvez eu mesma ainda não tivesse percebido.

Minha escrita não anda em linha reta.

Ela desce, sobe, volta, gira, refaz o caminho.

Como aquelas trilhas de pedra que parecem ir embora…

mas na verdade estão ajudando a gente a entender melhor o caminho.

Talvez por isso tenha surgido essa régua das sete palavras.

Primeiro a gente caminha.

Depois passa a régua.

Foi então que me lembrei de uma cena do passado.

Antigamente, muita gente tinha o hábito de dizer boa noite para o Cid Moreira quando ele terminava o Jornal Nacional.

A televisão falava…

e as pessoas respondiam.

Talvez sem perceber, já existia ali uma vontade humana de conversar com quem estava do outro lado da tela.

Hoje a tecnologia mudou.

A televisão virou tela interativa.

E agora a gente conversa até com Inteligência Artificial.

Confesso que achei curioso perceber outra coisa nesse processo.

Hoje muita gente fala da Inteligência Artificial.

Alguns criticam.

Outros usam.

E muitos fazem as duas coisas ao mesmo tempo.

Eu mesma sempre me declarei burrinha tecnológica.

Mas hoje tive uma pequena surpresa.

Em uma conversa com a Inteligência Artificial…

descobri que consegui ser mais rápida que ela.

E fiquei pensando aqui comigo:

será que o segredo não está na velocidade…

ou no jeito como cada um de nós aprende a conversar?