A toga de Dias Toffoli perdendo peso - Rede Gazeta de Comunicação

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A toga de Dias Toffoli perdendo peso

Gregório José

Jornalista/Radialista/Filósofo

Há algo profundamente errado quando a mais alta Corte do país passa a conviver com suspeitas que fariam corar qualquer delegacia de bairro. Não se trata de fofoca, nem de intriga política. Trata-se de fatos publicados pela imprensa, que pedem resposta e não silêncio.

Reportagem do Metrópoles revelou que o Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, empreendimento ligado à família do ministro Dias Toffoli, abriga um cassino com máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos valendo dinheiro, incluindo blackjack, modalidade proibida no Brasil. Caça-níqueis, ainda que com outro nome, continuam sendo caça-níqueis.

Na cidade, o hotel é conhecido sem rodeios como o “resort do Toffoli”. Funcionários tratam o ministro como proprietário, ministros do Supremo já se hospedaram ali, festas privadas foram realizadas com pompa, artistas, celebridades e até inauguração simbólica da área de jogos. Tudo isso enquanto o nome do ministro aparece, direta ou indiretamente, em processos sensíveis envolvendo bancos e grandes grupos econômicos que também orbitam o empreendimento.

Não é papel do jornalismo condenar. Mas é, sim, papel do jornalismo questionar. E as perguntas são inevitáveis.

Se o Brasil proíbe cassinos, como funciona um cassino em um resort associado à família de um ministro do STF?

Se um magistrado deve ser exemplo de legalidade, como levar a sério a toga quando paira sobre ela a sombra da contravenção?

E, sobretudo: de onde veio o dinheiro para erguer um resort desse porte?

Quando um ministro do Supremo se vê envolvido em denúncias dessa gravidade, a atitude republicana não é se esconder atrás do cargo. É exatamente o oposto. Afastar-se temporariamente, permitir que os fatos sejam investigados com independência e transparência, e prestar esclarecimentos à sociedade.

O silêncio, neste caso, não protege a instituição — corrói.

A complacência não fortalece a Justiça — desmoraliza.

O Supremo Tribunal Federal não é um clube privado, nem uma confraria blindada. É um pilar da democracia. E pilares só se sustentam quando não têm rachaduras escondidas sob o tapete.

Se tudo for legal, que se prove. Se não for, que se pague o preço.

Porque quando a Justiça parece jogar em mesa viciada, quem perde é sempre o cidadão.