Adelaide Valle Pires
Autora
Hoje cedo acordei com uma mensagem do meu filho.
Era uma charge provocativa:
“Como aspirante a escritor, eu te pediria para não ler somente bons livros.”
Fiquei pensando na frase.
Talvez aprender seja justamente isso: olhar os dois lados da moeda.
Se os livros bons mostram o que fazer, os ruins também ensinam — mostram o que não fazer.
Enquanto eu ainda ruminava essa provocação, outra mensagem chegou no grupo da família.
Desta vez era o certificado do Felipe.
Curiosamente, a foto apareceu de cabeça para baixo.
Talvez porque certas notícias tenham mesmo esse poder: virar a perspectiva da gente.
Depois de dois mestrados, ele começava o doutorado.
E foi impossível não lembrar de uma brincadeira antiga sobre o “ranking da família”.
Cada um ocupando simbolicamente seu lugar no pódio.
Mas naquele momento o sinal imaginário soou — PEM!
E o patinho estudioso fez sua mudança:
do terceiro para o primeiro lugar.
Foi então que me lembrei de uma cena de um filme que citei no meu livro Arena da Comunicação:
“Não se preocupem com o que vão fazer, e sim com o que vão ser.
Toque numa simples folha de papel com fé e coragem e, juntos, vamos fazer deste mundo um mundo melhor.”
Talvez seja exatamente isso que o estudo faz.
O herói dessa história não luta com espadas.
Luta com livros, prazos e persistência.
Porque aprender, no fundo, não é apenas acumular conhecimentos.
É atravessar dúvidas, cansaços e recomeços.
E, quem sabe, transformar uma simples folha de papel em um pequeno rearranjo no mundo.


