A caneta pousou no lugar certo - Rede Gazeta de Comunicação

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A caneta pousou no lugar certo

Alysson Silva

Professor

Sala de sexto ano, lotada! 

Se não me falha a memória, o fato aconteceu no meu primeiro ano de trabalho em uma das maiores escolas de Minas Gerais.

Os alunos estavam bem concentrados na aula expositiva; só quem exerce o ofício de mestre sabe como isso é bom! Tudo transcorria de maneira perfeita, no que diz respeito à pedagogia.

Mas a previsibilidade de uma sala de aula é ilusória…

Lá estava eu, com meu impecável jaleco branco, discorrendo sobre a exata perfeição da natureza, quando, sem nenhum aviso prévio, levantou-se do fundo da sala um aluno que arremessou uma caneta. Aparentemente, a intenção era alvejar a lixeira. E, como numa cena de filme, exaustivamente ensaiada, o objeto de escrita percorreu uma bela trajetória parabólica e foi pousar exatamente em meu bolso.

A sala e eu ficamos em analítico silêncio, tentando processar o belo e raro fenômeno físico.

Em seguida, o comentário foi geral; aproveitei para dar uma explicação científica para o ocorrido e sobre os riscos de se arremessar um objeto em um ambiente com pessoas.

A aula tomou outro rumo, não menos proveitoso do que foi planejado.

Talvez os alunos não se lembrem mais desse caso, depois de tanto tempo, mas, volta e meia, me pego pensando no dia em que a caneta pousou no lugar certo!