Especialista do Senac destaca a importância da formação em primeiros socorros para profissionais do turismo de aventura
A morte de Juliana Marins, que desapareceu no último dia 21 de junho durante uma trilha e foi encontrada sem vida três dias depois, escancarou a urgência de discutir a preparação de profissionais que atuam no turismo de aventura. Especialista na área, a docente Tatiane Silva, do curso de Primeiros Socorros para Profissionais do Turismo do Senac, que faz parte do Sistema Fecomércio MG, vê na capacitação uma ferramenta especial para evitar tragédias semelhantes.
“Guias e condutores de ecoturismo devem ter amplo conhecimento em primeiros socorros, como imobilização, reanimação cardiopulmonar (RCP), controle de sangramento e manutenção térmica da vítima. É essencial que estejam sempre com um kit básico e, principalmente, devidamente credenciados para esse tipo de condução”, destaca o docente.
Juliana se separou do grupo durante a subida do Monte Rinjani, e só foi localizada por um drone mais de 24 horas depois, em uma área de difícil acesso, a mais de 600 metros da trilha principal. Apesar de ter sido visto com vida, o resgate só foi concluído no quarto dia de operação, levantando críticas sobre a atuação das equipes locais e sobre o uso ineficaz da tecnologia.
Para Tatiane, o atendimento imediato pode ser determinante. “Imobilizar a vítima, manter a hidratação e aquecer são medidas básicas que fazem toda a diferença até a chegada de um socorro especializado”.
O curso ministrado pela docente no Senac aborda tanto conteúdos teóricos quanto práticos. Inclui manobras para desobstrução de vias aéreas, como a manobra de Heimlich, curativos compressivos, imobilização de membros, técnicas de RCP e procedimentos para lidar com crises de pânico – além de ensinar a montar um kit de primeiros socorros adequados para diferentes tipos de expedição.
Mas, segundo Tatiane, o preparo vai além da técnica. “O profissional precisa estudar constantemente o destino, ir ao campo, observar as condições climáticas, o relevo e identificar possíveis riscos. Ecoturismo exige atualização e comprometimento contínuo”.
Com 3.721 metros de altitude, o Monte Rinjani é considerado um dos locais mais perigosos da Indonésia para trilhas. Segundo o parque nacional, entre 2020 e 2024, foram registados 190 acidentes, com nove mortes e 180 feridos, entre eles 44 turistas estrangeiros. O ensino ressalta que a preparação do condutor é tão importante quanto a estrutura de apoio, e isso reforça o papel da qualificação técnica na prevenção de fatalidades.
Para Tatiane, formar profissionais capacitados é, além de uma exigência legal, uma responsabilidade ética com a vida dos turistas. “Cursos como o nosso existe para salvar vidas. É preciso levar isso a sério.”
FORMAÇÃO | O Senac está com inscrições abertas para o curso gratuito de Primeiros Socorros para Profissionais do Turismo nas unidades em Diamantina, com início em 07/07 e Curvelo, com turma prevista para 24/11. Já a unidade em Montes Claros oferece o curso Condutor de Turismo de Aventura, com início previsto para 4/8.
As inscrições deverão ser realizadas presencialmente na unidade respetiva de cada curso. É necessário apresentar documento de identidade com foto, CPF, comprovante de residência e comprovante de escolaridade. Candidatos menores de idade deverão ser acompanhados por um responsável legal.
Mais informações sobre os cursos do Senac podem ser obtidas pelo WhatsApp estadual (31) 3057-8600.


