Dos 26 atletas chamados por Ramón Menezes para o primeiro jogo do novo ciclo, apenas 27% foram ao Mundial seguinte; lista mostra quem se firmou e quem ficou pelo caminho
A renovação da Seleção Brasileira depois de uma Copa do Mundo costuma começar com uma pergunta simples: quem vai permanecer quando chegar o próximo Mundial? O ciclo iniciado após a eliminação para a Croácia, em 2022, oferece uma resposta clara sobre como a camisa amarela pode mudar de dono em apenas quatro anos.
Na primeira convocação depois daquele Mundial, feita pelo técnico interino Ramón Menezes para o amistoso contra o Marrocos, em março de 2023, foram chamados 26 jogadores. Apenas sete deles estiveram na Copa do Mundo de 2026, realizada quatro anos depois. O número representa aproximadamente 27% da primeira lista do novo ciclo.
Ou seja: quase três quartos dos jogadores que começaram a caminhada rumo ao Mundial seguinte não conseguiram chegar à competição.
A convocação de Ramón já indicava uma tentativa de renovação. Dos 26 nomes, apenas nove haviam participado da Copa de 2022. Outros jogadores ganharam espaço naquele momento, alguns com status de promessa e outros buscando uma oportunidade de se consolidar entre os principais nomes do futebol brasileiro.
A lista tinha Mycael, Ederson e Weverton no gol. Nas laterais, Arthur, Emerson Royal, Alex Telles e Renan Lodi. A defesa era formada por Ibañez, Éder Militão, Robert Renan e Bremer, enquanto Marquinhos havia sido cortado. No meio-campo estavam André, Andrey Santos, Casemiro, João Gomes, Lucas Paquetá e Raphael Veiga. O ataque reunia Antony, Vitor Roque, Rodrygo, Rony, Vinicius Junior e Yuri Alberto, com Richarlison também cortado.
Quatro anos depois, a fotografia era bem diferente.
Entre os jogadores daquela primeira lista que conseguiram permanecer no caminho até 2026 estão nomes que se tornaram referências da Seleção, como Ederson, Éder Militão, Bruno Guimarães, Rodrygo e Vinicius Junior, além de outros atletas que atravessaram diferentes momentos do ciclo.
A trajetória, porém, foi marcada por mudanças constantes no comando técnico. Depois de Ramón Menezes, Fernando Diniz assumiu interinamente a equipe, Dorival Júnior comandou a Seleção e, posteriormente, Carlo Ancelotti passou a conduzir o time. Cada treinador trouxe suas próprias convicções, alterando o espaço ocupado por determinados jogadores.
Lesões, queda de rendimento, mudanças de clube e o surgimento de novas gerações também interferiram na disputa por vagas. O que parecia uma aposta em 2023 poderia perder força dois anos depois, enquanto atletas que sequer estavam na primeira lista passaram a ocupar posições de destaque.
O caso de Vitor Roque, por exemplo, simboliza a distância que pode existir entre expectativa e consolidação. Convocado ainda jovem no início do ciclo, o atacante era tratado como uma das promessas do futebol brasileiro, mas não conseguiu transformar aquela oportunidade inicial em presença garantida no Mundial.
O mesmo aconteceu com outros nomes que receberam a chance na primeira convocação, mas acabaram perdendo espaço ao longo dos anos.
Por outro lado, jogadores como Vinicius Junior e Rodrygo conseguiram atravessar o período de transição e permanecer entre os principais nomes da Seleção. A continuidade, nesse caso, foi acompanhada pela evolução dos atletas nos clubes e pela conquista de maior protagonismo com a camisa brasileira.
A experiência do ciclo 2023-2026 serve agora como referência para uma nova etapa. Após a Copa de 2026, Carlo Ancelotti iniciou outra fase de observação, desta vez pensando no Mundial de 2030. E a primeira lista do novo ciclo também traz nomes que podem representar o futuro da Seleção.
São 26 convocados para os amistosos contra Austrália e Índia, entre eles jogadores que buscam espaço e outros que já carregam experiência internacional. A presença de jovens como o goleiro Otávio, do Cruzeiro, mostra que a comissão técnica pretende observar alternativas para os próximos anos.
Se a história recente servir de parâmetro, porém, estar na primeira lista está longe de significar presença garantida na Copa seguinte.
A estatística é reveladora: de cada quatro jogadores chamados no início do ciclo anterior, apenas um chegou ao Mundial de 2026.
Daqui a quatro anos, a pergunta voltará a ser feita. E será justamente o tempo — esse velho adversário dos jogadores e dos técnicos — que vai separar promessa, oportunidade e consolidação na Seleção Brasileira.


