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Golpe do falso portal do IPVA desvia R$ 1,7 milhão de contribuintes mineiros - Rede Gazeta de Comunicação

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Golpe do falso portal do IPVA desvia R$ 1,7 milhão de contribuintes mineiros

Operação do MPMG prende dez investigados por esquema que clonava o site oficial do Governo de Minas; fraude fez pelo menos 2.435 vítimas e pode ter atingido contribuintes de todas as regiões do Estado, incluindo o Norte de Minas

Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (3) pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) revelou a dimensão de um esquema criminoso que utilizava páginas falsas para desviar pagamentos do IPVA. A fraude já teria feito pelo menos 2.435 vítimas em Minas Gerais e provocado um prejuízo estimado em R$ 1.746.312,44.

A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) e pela 11ª Promotoria de Justiça com atribuições no Combate ao Crime Organizado de Belo Horizonte. Batizada de Operação Contramão, a ação cumpriu 14 mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão em municípios de Goiás, Maranhão e São Paulo.

Embora os alvos da operação estejam concentrados fora de Minas Gerais, a fraude atingiu diretamente contribuintes mineiros. O esquema utilizava sites falsos que reproduziam a identidade visual e o fluxo de pagamento do portal oficial do Governo de Minas, fazendo com que o cidadão acreditasse estar quitando regularmente o imposto.

A prática representa um alerta também para os contribuintes do Norte de Minas, onde milhares de proprietários de veículos precisam realizar anualmente o pagamento do IPVA. A orientação das autoridades é redobrar a atenção principalmente durante os períodos de vencimento do imposto, quando aumenta a procura por informações e canais de pagamento na internet.

Portal falso simulava site oficial

De acordo com a investigação, o grupo criminoso atuava pelo menos desde 2024 e repetia o esquema a cada ciclo de vencimento do IPVA. Os integrantes criavam páginas com aparência semelhante à dos canais oficiais e utilizavam domínios que combinavam palavras como “gov”, “detran” e “minasgerais”.

O contribuinte chegava ao endereço fraudulento, informava os dados necessários para consultar o imposto e, ao optar pelo pagamento via Pix, recebia um QR Code. O dinheiro, entretanto, não era destinado aos cofres públicos.

Os valores eram encaminhados para contas bancárias controladas pelos criminosos. Para dar aparência de legitimidade às operações, o grupo teria utilizado empresas de fachada com nomes relacionados a serviços como “pagamentos de taxas”, “gestão de tarifas” e “administrativo veicular”.

Segundo o MPMG, várias dessas empresas eram abertas pouco antes dos vencimentos das parcelas do imposto e permaneciam em funcionamento por menos de cinco meses. Depois de receber os recursos, o grupo encerrava as atividades e utilizava outras empresas para dar continuidade ao esquema.

Os valores obtidos ilegalmente eram fracionados entre contas pessoais em Goiás, Maranhão, São Paulo e na região do Distrito Federal, dificultando o rastreamento do dinheiro.

Dez suspeitos foram presos

A Operação Contramão cumpriu ordens judiciais em Aparecida de Goiânia, Valparaíso de Goiás e Luziânia, em Goiás; Imperatriz e São Luís, no Maranhão; e São Paulo e Ribeirão Preto, no estado de São Paulo.

Até o momento, dez investigados foram presos. Durante as ações, foram apreendidos celulares, notebooks, pendrives e cartões bancários, além de 11 papelotes de cocaína e um simulacro de arma de fogo.

As investigações continuam. O material apreendido será submetido à análise e as forças de segurança seguem em busca dos demais investigados que ainda não foram localizados. O processo tramita sob sigilo.

Para o promotor de Justiça e coordenador do Gaeciber, André Salles Dias Pinto, o golpe explorava justamente a confiança dos contribuintes nos canais oficiais.

“As fraudes cibernéticas se alimentam da confiança que o cidadão deposita nos canais oficiais. Quando o criminoso clona o portal do Estado, ele não subtrai apenas o valor do imposto: corrói a relação entre o contribuinte e a administração pública”, afirmou.

Atenção redobrada no Norte de Minas

O caso serve de alerta para moradores de Montes Claros e dos demais municípios do Norte de Minas. A facilidade do pagamento por Pix e a utilização de sites visualmente semelhantes aos oficiais podem fazer com que o golpe passe despercebido, especialmente para quem busca rapidamente informações sobre débitos e vencimentos.

A principal recomendação é que o IPVA seja pago somente por meio dos canais oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) ou pela rede bancária autorizada.

Os contribuintes também devem evitar acessar páginas encontradas por meio de links patrocinados em mecanismos de busca ou recebidas por WhatsApp, SMS e redes sociais. O endereço eletrônico precisa ser conferido cuidadosamente antes do preenchimento de qualquer informação.

Outro cuidado fundamental é verificar o destinatário do Pix. Um pagamento de imposto estadual não deve ter como beneficiário uma empresa privada com nomes relacionados a “gestão”, “assessoria” ou “pagamento de taxas”.

A utilização de domínios comerciais que misturam nomes de órgãos públicos também deve ser considerada um forte sinal de alerta.

O que fazer em caso de golpe

Quem acredita ter realizado o pagamento do IPVA em um site falso deve agir rapidamente. A orientação é registrar um boletim de ocorrência, comunicar imediatamente a instituição bancária para tentar bloquear ou recuperar os valores e procurar os canais oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda.

A dimensão do prejuízo já identificado pelo MPMG — superior a R$ 1,7 milhão — demonstra que o golpe não se limita a casos isolados. Com milhares de vítimas identificadas, a investigação evidencia como criminosos podem explorar períodos de grande movimentação financeira para atingir contribuintes de diferentes cidades e regiões.

No Norte de Minas, onde o acesso aos serviços públicos e financeiros ocorre cada vez mais por meios digitais, a recomendação é combinar praticidade com cautela. Antes de confirmar qualquer pagamento, conferir o endereço eletrônico e, principalmente, o nome do beneficiário do Pix pode evitar que o imposto devido ao Estado termine nas mãos de criminosos.