Dono de 90% da SAF do Cruzeiro se reuniu com elenco, diretoria e comissão técnica nesta quinta-feira e demonstrou insatisfação com os resultados após eliminações na Libertadores e Copa do Brasil
O ambiente no Cruzeiro ganhou novos contornos nesta quinta-feira (3), após uma reunião entre o empresário Pedro Lourenço, o Pedrinho, jogadores, integrantes da diretoria e membros da comissão técnica na Toca da Raposa II. Principal acionista da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) celeste, com 90% das ações, o dirigente fez cobranças diante dos resultados recentes, mas, apesar da insatisfação, manteve a confiança no trabalho desenvolvido pelo clube.
A conversa ocorreu em um momento de pressão sobre o Cruzeiro. A equipe foi eliminada da Copa do Brasil pelo Atlético nas quartas de final e também deixou a Copa Libertadores após a derrota para o Flamengo. Com os dois torneios de mata-mata fora do calendário, o Campeonato Brasileiro passou a ser a principal frente de disputa da Raposa na temporada.
Pedrinho aproveitou a reunião para cobrar uma reação do elenco e da comissão técnica. A postura do empresário refletiu a insatisfação com o desempenho apresentado pela equipe, principalmente diante das expectativas criadas pelo investimento realizado no futebol.
Apesar da cobrança, a reunião não representou, neste momento, uma ruptura com o trabalho do técnico Artur Jorge. A sinalização de Pedrinho foi de confiança na comissão técnica e no elenco, embora com a necessidade de uma resposta dentro de campo.
Mais de R$ 300 milhões em reforços
A pressão sobre o Cruzeiro também está diretamente relacionada ao volume de recursos investidos na montagem do elenco. Sob a gestão de Pedro Lourenço, o clube aplicou mais de R$ 300 milhões em contratações e passou a contar com um dos grupos mais valiosos do futebol brasileiro.
De acordo com levantamento citado pelo site especializado Transfermarkt, o Cruzeiro possui atualmente o terceiro elenco mais valioso do país. O investimento elevou as expectativas da torcida, que passou a cobrar resultados compatíveis com o nível financeiro da equipe.
O problema é que, apesar dos recursos destinados ao futebol, a Raposa acabou eliminada das duas principais competições de mata-mata que disputou. Na Copa do Brasil, o Cruzeiro empatou por 1 a 1 com o Atlético no Mineirão e perdeu por 2 a 1 na Arena MRV, resultado que garantiu a classificação do rival para a semifinal.
Na Libertadores, a eliminação veio diante do Flamengo. Após empate por 1 a 1 no Mineirão, o Cruzeiro perdeu por 2 a 1 no Maracanã e deixou a competição.
Com as duas eliminações, o Campeonato Brasileiro ganhou peso ainda maior no planejamento celeste. A equipe ocupa atualmente a sexta colocação da Série A, com 39 pontos, 13 atrás do líder Palmeiras. A prioridade passou a ser terminar a competição na zona de classificação para a próxima edição da Libertadores.
Pressão aumenta fora dos gramados
A cobrança interna também foi acompanhada por manifestações de torcedores em Belo Horizonte. Nesta quinta-feira, faixas de protesto foram espalhadas pela capital mineira, tendo como principais alvos jogadores, comissão técnica, diretoria e o próprio técnico Artur Jorge.
O movimento mostra que a paciência da torcida diminuiu após as eliminações e diante do alto investimento feito pela SAF. A expectativa criada no início da temporada era de que o Cruzeiro pudesse disputar títulos importantes e consolidar-se novamente entre as principais forças do futebol brasileiro.
A sequência no Campeonato Brasileiro, portanto, ganhou caráter decisivo para o projeto comandado por Pedrinho. Com menos competições pela frente, cada resultado passa a ter peso maior na avaliação do trabalho.
Mesmo diante do cenário de pressão, o dono da SAF optou por manter a confiança na estrutura montada. A cobrança feita na Toca da Raposa II indica, porém, que a diretoria espera uma mudança de postura e resultados capazes de justificar o investimento realizado.
O desafio do Cruzeiro agora é transformar a pressão em desempenho. A equipe terá de recuperar a confiança dentro de campo e buscar uma reação no Campeonato Brasileiro para alcançar o principal objetivo restante da temporada: garantir presença na próxima Libertadores e evitar que o ano termine sem uma conquista de grande expressão.


