Antigo armazém ferroviário será restaurado e ampliado para se transformar em Centro de Referência do Cerrado e das Tradições Geraizeiras, reunindo cultura, gastronomia, pesquisa, formação e valorização da identidade regional
O antigo armazém da Estação Ferroviária de Montes Claros começa a ganhar um novo capítulo em sua história. A Prefeitura assinou a Ordem de Serviço que marca o início da restauração e ampliação do espaço, que será transformado no Armazém Cultural – Centro de Referência do Cerrado e das Tradições Geraizeiras.
A cerimônia, conduzida pelo prefeito Guilherme Guimarães, contou com a presença do secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Almeida Pereira Fernandes. Durante o evento, foi reafirmada a parceria entre o Governo de Minas e o Município para a implantação do projeto, que pretende unir preservação histórica, valorização cultural e desenvolvimento econômico.
Por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o Município pretende transformar o antigo armazém ferroviário em um espaço onde passado e presente se encontrem para contar e preservar a história do povo geraizeiro. A proposta é valorizar costumes, saberes, fazeres, gastronomia, produtos regionais e as diferentes manifestações que formam a identidade cultural do Norte de Minas.
Para o prefeito Guilherme Guimarães, o projeto representa mais do que a recuperação de uma construção histórica. A criação do Armazém Cultural, segundo ele, reforça a importância do patrimônio e evidencia a riqueza cultural e gastronômica de Montes Claros e de toda a região.
O espaço deverá integrar diversas áreas ligadas ao desenvolvimento territorial. Turismo, biodiversidade, identidade regional, pesquisa, formação profissional, inovação socioprodutiva e gastronômica, economia criativa e governança estarão reunidos em uma proposta voltada para a valorização da cultura local.




A expectativa é que o novo centro contribua para preservar e divulgar modos de vida, conhecimentos tradicionais, expressões artísticas, festas, rituais e manifestações populares do território geraizeiro. A iniciativa também busca ampliar o reconhecimento das práticas culturais do Cerrado e do Norte de Minas como parte de um patrimônio imaterial que precisa ser protegido e transmitido às novas gerações.
Nova função para um espaço histórico
O local onde, no século passado, a ferrovia simbolizou a chegada do progresso e ajudou a impulsionar o desenvolvimento de Montes Claros deverá voltar a desempenhar papel importante na economia e na vida cultural da cidade.
Segundo a secretária municipal de Cultura e Turismo, Júnia Rebello, a Estação Ferroviária e o antigo Armazém terão uma nova função, mas continuarão ligados ao mesmo propósito histórico: promover desenvolvimento.
A proposta prevê uma estrutura de múltiplas funcionalidades, capaz de fortalecer a cultura, a gastronomia e a economia criativa, além de contribuir para a reurbanização de toda a região do entorno da estação.
Sabores e Saberes do Cerrado
Entre as atividades previstas para o Armazém Cultural está o fortalecimento da identidade gastronômica regional. O espaço deverá contar com um banco de dados voltado à pesquisa, à produção e à divulgação de conteúdos sobre a cultura e os produtos do Cerrado.
Também estão previstas ações de educação ambiental, produção de material didático e formação de redes solidárias de comercialização, especialmente relacionadas ao pequi e aos demais frutos e produtos nativos da região.
Um dos destaques do projeto será a implantação de uma cozinha-escola social, destinada à formação técnica, à inovação culinária e à transmissão dos conhecimentos tradicionais entre diferentes gerações.
A ideia é que receitas, técnicas e experiências que fazem parte da memória e dos sabores do sertão possam ser preservadas, reinventadas e transformadas também em oportunidades de geração de trabalho e renda.
Com a assinatura da Ordem de Serviço, Montes Claros dá o primeiro passo para devolver vida ao antigo armazém ferroviário. Um espaço que, durante décadas, esteve ligado à circulação de mercadorias e ao desenvolvimento econômico da cidade, agora deverá se tornar ponto de encontro da história, da cultura e da criatividade geraizeira.
Mais do que restaurar paredes e preservar uma construção antiga, o Armazém Cultural pretende guardar aquilo que não cabe apenas nos prédios: a memória, os sabores, os saberes e a identidade de um povo que fez do Cerrado a sua casa e da cultura geraizeira uma de suas maiores riquezas.


