Desenvolvida com tecnologia de partículas semelhantes ao vírus (VLP), vacina de dose única já é utilizada em países como Estados Unidos, Canadá e membros da União Europeia. Produto aguarda análise da Anvisa para futura disponibilização no mercado brasileiro
A possibilidade de contar com uma nova ferramenta para combater uma das principais arboviroses do país deu um passo importante nesta semana. A Eurofarma, multinacional farmacêutica brasileira líder em prescrição médica no país, anunciou uma parceria estratégica com a empresa dinamarquesa Bavarian Nordic para trazer ao Brasil a vacina CHIKV VLP, desenvolvida para a prevenção da chikungunya.
A companhia informou que já protocolou, em junho deste ano, o pedido de registro do imunizante junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), iniciando oficialmente o processo regulatório que poderá permitir sua comercialização no país após a conclusão da análise técnica do órgão.
Caso seja aprovada, a vacina representará um importante avanço na prevenção da chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti que, além de provocar febre alta e dores intensas nas articulações durante a fase aguda, pode deixar sequelas incapacitantes por meses ou até anos, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Parceria fortalece acesso à inovação
O acordo firmado entre a Eurofarma e a Bavarian Nordic garante à farmacêutica brasileira os direitos exclusivos de comercialização e distribuição da vacina em todo o território nacional.
Além do mercado brasileiro, a parceria prevê preferência para futuras oportunidades de registro e comercialização em outros países da América Latina onde a Eurofarma mantém operações consolidadas.
Segundo a empresa, sua atuação compreenderá todas as etapas relacionadas ao acesso ao mercado brasileiro, incluindo estratégias regulatórias, comercialização, distribuição e disponibilização do imunizante, caso receba autorização da Anvisa.
A iniciativa faz parte da estratégia da companhia de ampliar sua participação em áreas consideradas prioritárias para a saúde pública, incorporando tecnologias inovadoras voltadas à prevenção de doenças de grande impacto epidemiológico.
Tecnologia moderna oferece segurança e eficácia
A vacina CHIKV VLP utiliza uma plataforma tecnológica conhecida como Virus-Like Particles (VLP) — ou partículas semelhantes ao vírus.
Diferentemente das vacinas produzidas com vírus vivos atenuados ou inativados, essa tecnologia reproduz apenas a estrutura externa do vírus da chikungunya, sem conter material genético.
Na prática, isso significa que as partículas não conseguem infectar células, não se multiplicam no organismo e não apresentam capacidade de provocar a doença.
Apesar disso, elas estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos capazes de reconhecer e neutralizar o vírus caso a pessoa seja exposta futuramente à infecção.
Segundo os estudos clínicos apresentados pelas empresas, o imunizante apresentou perfil favorável de segurança e elevada capacidade de induzir anticorpos neutralizantes em adolescentes, adultos e idosos.
Outro diferencial destacado é a rapidez da resposta imunológica, observada poucos dias após a aplicação da vacina de dose única.
A tecnologia VLP já é utilizada em outras vacinas modernas e é reconhecida internacionalmente por combinar elevado potencial imunológico com excelente perfil de segurança.
Vacina já é utilizada em outros países
Antes mesmo de chegar ao Brasil, a vacina já recebeu autorização de importantes agências regulatórias internacionais.
O imunizante é comercializado com o nome VIMKUNYA® e está aprovado para imunização ativa de pessoas com idade igual ou superior a 12 anos nos:
Estados Unidos;
Canadá;
Reino Unido;
Suíça;
países da União Europeia.
A experiência acumulada nesses mercados contribui para a avaliação conduzida pelas autoridades sanitárias brasileiras durante o processo de registro.
Chikungunya continua sendo desafio para a saúde pública
A chegada de uma vacina ocorre em um momento em que a chikungunya permanece como uma das arboviroses de maior preocupação para os sistemas de saúde.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus já foi identificado em mais de 110 países, espalhando-se por regiões da Ásia, África, Europa e Américas nas últimas duas décadas.
Em 2025, foram registrados mais de 490 mil casos da doença em todo o mundo, além de aproximadamente 200 mortes, evidenciando a persistência da circulação do vírus em diversos continentes.
No Brasil, o cenário também inspira atenção.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, somente em 2025, foram contabilizados cerca de 130 mil casos de chikungunya e 120 óbitos relacionados à doença.
Especialistas alertam que um dos principais problemas da enfermidade é a possibilidade de evolução para formas crônicas, caracterizadas por dores persistentes nas articulações, inflamações, limitação dos movimentos e redução da capacidade funcional dos pacientes.
Em muitos casos, os sintomas podem permanecer por meses ou anos, exigindo acompanhamento médico contínuo e impactando diretamente a produtividade, o bem-estar e a qualidade de vida.
Ministério da Saúde reforça estratégias de combate
Diante do crescimento das arboviroses, o Ministério da Saúde vem ampliando as ações de vigilância e enfrentamento da dengue, zika e chikungunya.
Entre as iniciativas está o Plano Nacional de Contingência para Dengue, Chikungunya e Zika, que fortalece medidas relacionadas ao monitoramento epidemiológico, controle do mosquito transmissor, comunicação em saúde, qualificação da assistência e preparação das redes hospitalares.
Nesse contexto, especialistas consideram que uma vacina poderá atuar como ferramenta complementar às ações tradicionais de combate ao Aedes aegypti, contribuindo para reduzir casos graves, sequelas e mortes.
Eurofarma destaca compromisso com inovação
Para o vice-presidente de Inovação da Eurofarma, João Siffert, a introdução da vacina reforça o compromisso da empresa em ampliar o acesso da população brasileira a tecnologias de saúde inovadoras.
Segundo ele, a chikungunya continua avançando no país e provoca impactos importantes não apenas durante a fase aguda da infecção, mas também pelas complicações crônicas que sobrecarregam pacientes e sistemas de saúde.
“A introdução da vacina reforça o compromisso da Eurofarma de ampliar o acesso da população a produtos de saúde inovadores, capazes de atender a desafios importantes de saúde pública com eficácia e segurança. A chikungunya segue avançando no Brasil e gerando impacto significativo sobre pacientes, não só durante a infecção inicial, mas também com efeitos crônicos, impactando os pacientes e sistemas de saúde”, afirmou.
Bavarian Nordic aposta na expansão da imunização
O presidente e CEO da Bavarian Nordic, Paul Chaplin, destacou que o pedido de registro junto à Anvisa representa um passo importante para ampliar o acesso ao imunizante em regiões onde a chikungunya representa um problema recorrente de saúde pública.
Segundo ele, a parceria une a experiência internacional da empresa no desenvolvimento de vacinas à estrutura e ao conhecimento do mercado brasileiro da Eurofarma.
“A submissão à Anvisa representa um marco importante em nossa estratégia de ampliar o acesso à nossa vacina contra chikungunya para além dos mercados tradicionalmente associados a viajantes, alcançando regiões onde a doença representa um ônus significativo e recorrente para a saúde pública. Por meio da nossa parceria com a Eurofarma, estamos combinando a inovação global em vacinas com uma sólida expertise local para apoiar o acesso das populações que vivem sob risco de chikungunya.”
Próximos passos dependem da Anvisa
Apesar do anúncio, a vacina ainda não está disponível para aplicação no Brasil.
O imunizante aguarda a conclusão da análise técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, responsável por avaliar critérios de qualidade, segurança e eficácia antes de conceder o registro sanitário.
Somente após essa aprovação será possível iniciar a comercialização e a distribuição da vacina no mercado brasileiro.
Caso o processo seja concluído com parecer favorável, o país passará a contar com uma nova ferramenta para reforçar a prevenção da chikungunya, complementando as ações de controle do mosquito transmissor e ampliando as estratégias de proteção da população contra uma doença que continua representando um importante desafio para a saúde pública brasileira.



