Retomada do confronto entre Estados Unidos e Irã amplia incertezas no comércio global e pode elevar custos com fretes, seguros, combustíveis e insumos estratégicos para Minas Gerais.
A nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a acender o sinal de alerta para a economia mundial. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) manifestou preocupação com o agravamento do conflito envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas do planeta para o transporte de petróleo e mercadorias.
Segundo a entidade, o recrudescimento das hostilidades amplia a imprevisibilidade das operações internacionais e pode provocar reflexos diretos sobre os custos logísticos, os preços dos combustíveis e o abastecimento de matérias-primas essenciais para diversos segmentos industriais.

O cenário ganhou novos contornos após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (13), anunciando o restabelecimento do bloqueio naval a embarcações iranianas e a intenção de cobrar uma tarifa de 20% sobre cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz. A medida, segundo o governo norte-americano, serviria para compensar os custos das operações de segurança realizadas na região.
Em resposta, o governo do Irã rejeitou qualquer interferência americana no controle da passagem marítima e ameaçou retaliar embarcações e países do Golfo que colaborarem com Washington, elevando ainda mais o nível de tensão em uma das áreas mais estratégicas para o comércio internacional.
Impactos podem atingir toda a cadeia produtiva
Na avaliação da FIEMG, mesmo antes da eventual oficialização das medidas anunciadas pelos Estados Unidos, o simples aumento da percepção de risco já tende a pressionar os valores dos fretes marítimos, dos seguros de carga e dos contratos logísticos internacionais.
A entidade destaca que o agravamento do conflito interrompe a expectativa de normalização criada após o entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho, quando havia sido anunciada uma trégua de 60 dias para negociações e a retomada gradual da circulação de embarcações na região.
Com o retorno das incertezas, cresce o receio de novos impactos sobre os preços do petróleo, da energia e de insumos estratégicos utilizados pela indústria e pelo agronegócio brasileiro.
Comércio com o Oriente Médio já apresenta retração
Levantamento elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEMG, com base em dados do Comex Stat, mostra que os efeitos das restrições no Estreito de Ormuz já vinham sendo sentidos antes mesmo da nova escalada diplomática.
Em maio de 2026, o comércio brasileiro com oito países do Oriente Médio somou US$ 1,04 bilhão, o menor volume mensal registrado desde janeiro de 2021.
Em Minas Gerais, os números também preocupam. Entre março e maio deste ano, as exportações mineiras para esses mercados recuaram 44% em comparação com o mesmo período de 2025. Já as importações registraram queda ainda mais acentuada, de 71%.
Entre os produtos mais afetados estão o minério de ferro e o enxofre, matéria-prima fundamental para a fabricação de fertilizantes. O preço médio das importações mineiras de enxofre apresentou aumento de aproximadamente 185% em maio deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2025.
Diversificação é apontada como estratégia
Diante do cenário de instabilidade, a FIEMG recomenda que as empresas acompanhem continuamente as condições de transporte internacional, os contratos de seguro, os prazos de entrega e a evolução dos preços dos insumos importados.
A entidade também reforça a importância da diversificação de mercados, fornecedores e rotas logísticas como forma de reduzir riscos e garantir maior segurança no abastecimento de produtos essenciais para a indústria e para o agronegócio.
Para a Federação, caso as tensões no Estreito de Ormuz persistam, a recuperação dos fluxos comerciais observada após o anúncio da trégua poderá ser comprometida, com impactos sobre a competitividade das empresas brasileiras. Além do aumento dos custos logísticos, a manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados poderá pressionar despesas de transporte e produção em diversos setores da economia, refletindo diretamente sobre a atividade industrial em Minas Gerais e em todo o país.



