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Arquidiocese de Montes Claros inicia processo de beatificação de Madre Maria Angélica da Eucaristia - Rede Gazeta de Comunicação

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Arquidiocese de Montes Claros inicia processo de beatificação de Madre Maria Angélica da Eucaristia

Instalação do tribunal diocesano marca o primeiro passo rumo ao reconhecimento oficial da santidade da religiosa, fundadora do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI

A Arquidiocese de Montes Claros deu início a um dos mais importantes processos da história recente da Igreja Católica na região ao instalar oficialmente o Tribunal da Causa de Beatificação e Canonização de Madre Maria Angélica da Eucaristia. A cerimônia, realizada com a participação de religiosos, familiares, amigos e fiéis, marcou a abertura da fase diocesana do processo que poderá levar a religiosa mineira ao reconhecimento como beata e, futuramente, santa da Igreja Católica.

A partir da instalação do tribunal, uma comissão formada por representantes da Arquidiocese passa a reunir documentos, testemunhos e evidências sobre a vida, as virtudes cristãs e a reputação de santidade da fundadora do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI, em Montes Claros. Todo o material produzido será posteriormente encaminhado ao Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano, responsável por analisar os processos de beatificação e canonização em todo o mundo.

A celebração que marcou o início da causa foi conduzida em clima de profunda emoção e espiritualidade. Durante a solenidade, o arcebispo de Montes Claros, Dom José Carlos de Souza Campos, destacou que a investigação não representa apenas o reconhecimento da trajetória de uma religiosa, mas também um convite para que os fiéis reflitam sobre a vocação universal à santidade.

Segundo o arcebispo, conhecer a história de Madre Maria Angélica significa revisitar um testemunho concreto de fidelidade ao Evangelho, de dedicação à Igreja e de serviço ao próximo. Para ele, o processo busca identificar sinais de uma vida marcada pelo exercício constante das virtudes cristãs, servindo de inspiração para toda a comunidade católica.

Durante a cerimônia, o Frei Patrício Sciadini ressaltou características que marcaram a personalidade da religiosa, especialmente sua capacidade de acolher e ouvir as pessoas. Em sua reflexão, destacou que Madre Maria Angélica possuía uma escuta atenta, paciente e compassiva, qualidade considerada essencial em sua missão religiosa e que permanece como exemplo para a vida cristã.

Para conduzir a fase inicial da investigação, foi constituído o Tribunal da Causa de Beatificação e Canonização. A equipe é composta pelo padre Gladysson Eduardo de Miranda Assis, delegado episcopal; pelo cônego Carlos Henrique Moreira de Souza, promotor de Justiça; por Ronaldo Brigini, notário atuário; por Analícia Ferreira, notária adjunta; e por Paolo Vilotta, vice-postulador da causa.

Nascida em 23 de dezembro de 1931, no município de Grão Mogol, Sophia Maria Esteves de Mello ingressou ainda jovem na vida religiosa. Em 1950 entrou para o Carmelo Nossa Senhora Aparecida, em Belo Horizonte, ocasião em que recebeu o nome religioso de Irmã Maria Angélica da Eucaristia. Após professar os votos solenes, participou da fundação do Carmelo de Olinda, em Pernambuco, ampliando sua atuação missionária na Ordem Carmelita.

Em 1977, recebeu a missão de estabelecer o Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI, em Montes Claros, comunidade religiosa que se tornaria referência espiritual para o Norte de Minas. Ao longo de décadas, exerceu funções de liderança, formação de noviças e acompanhamento das religiosas, sendo reconhecida pela simplicidade, serenidade, disciplina e profundo espírito de oração.

Mesmo após deixar o cargo de priora, em 2014, permaneceu atuando como vice-priora e responsável pela formação das novas integrantes da comunidade carmelita. Sua dedicação à vida contemplativa, aliada ao cuidado com as irmãs e à confiança na Providência Divina, consolidou sua reputação de santidade entre aqueles que conviveram com ela.

Madre Maria Angélica da Eucaristia faleceu em 2 de junho de 2018, em Montes Claros, deixando uma trajetória marcada pelo silêncio contemplativo, pela fidelidade à espiritualidade carmelita e pelo compromisso com a Igreja. Desde então, sua memória permanece viva entre religiosos e fiéis que atribuem à sua vida um exemplo de humildade, serviço e profunda união com Deus.

Com a abertura oficial da fase diocesana, a Arquidiocese inicia um longo percurso de investigação histórica, documental e testemunhal. Caso sejam reconhecidas as virtudes heroicas da religiosa e, posteriormente, um milagre atribuído à sua intercessão, Madre Maria Angélica poderá ser proclamada beata pela Igreja Católica, tornando-se uma das figuras religiosas mais importantes da história do Norte de Minas e fortalecendo o patrimônio espiritual da região.