Peça histórica apresentava grave deterioração causada pelo tempo e dará lugar a um novo cruzeiro com as mesmas características, garantindo segurança durante as tradicionais Festas de Agosto
Um dos mais importantes símbolos da religiosidade popular e da identidade cultural de Montes Claros começou a ganhar uma nova história. O tradicional Cruzeiro localizado em frente à Capela de Nossa Senhora do Rosário, conhecida carinhosamente como Igrejinha do Rosário, foi removido após laudos técnicos apontarem risco iminente de queda da estrutura de madeira, comprometida pela ação do tempo.
A intervenção foi autorizada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Montes Claros (COMPAC), que deliberou pela substituição da peça por outra confeccionada com o mesmo tipo de madeira e nas mesmas dimensões, preservando a memória, o significado histórico e a identidade visual de um dos principais cenários das tradicionais Festas de Agosto.
A decisão foi formalizada em ata no dia 14 de novembro de 2025 e teve como principal objetivo garantir a segurança da população que diariamente circula pelo entorno da Igrejinha do Rosário, um dos espaços mais simbólicos da cultura e da fé dos montes-clarenses.
Segundo o COMPAC, embora o Cruzeiro seja um bem de elevado valor histórico e afetivo, a madeira atingiu seu limite de vida útil, tornando necessária uma intervenção criteriosa para assegurar sua preservação simbólica sem colocar em risco a integridade das pessoas.

Como parte do processo de conservação do patrimônio, o Conselho definiu que o novo projeto deverá manter a altura original do Cruzeiro e contará com melhorias estruturais, incluindo uma base de concreto para proteger a parte inferior da madeira, região mais vulnerável à umidade e ao desgaste natural. Também será implantado um sistema de sustentação capaz de ampliar a durabilidade da nova estrutura.
Antes da remoção, técnicos da Secretaria Municipal de Ambiente, Bem-Estar Animal e Sustentabilidade realizaram uma vistoria detalhada, conforme solicitado pelo COMPAC. O levantamento teve como objetivo registrar as características do bem e garantir que todo o processo obedecesse às normas de preservação do patrimônio cultural.
Durante a inspeção, foram constatados diversos problemas estruturais. O topo do Cruzeiro encontrava-se completamente oco, enquanto o encaixe da peça transversal estava severamente deteriorado e havia se transformado em abrigo para um antigo ninho de pássaros já abandonado. A madeira não possuía mais resistência suficiente para manter os parafusos responsáveis pela sustentação da cruz.
Os técnicos também identificaram inúmeras rachaduras ao longo da estrutura, parafusos totalmente afrouxados e sinais evidentes de comprometimento da estabilidade do monumento, elevando significativamente o risco de desabamento sobre pedestres e veículos que circulam pela região central da cidade.
Outro aspecto observado foi a existência de intervenções realizadas ao longo dos anos para tentar prolongar a vida útil da peça. A base havia recebido concreto para preencher espaços deixados pelo desgaste da madeira e também foram encontrados vestígios de queimadas próximas ao pé do Cruzeiro. Mesmo a parte enterrada, considerada mais preservada, apresentava rachaduras que acabaram provocando a divisão da estrutura em duas partes durante sua retirada.
Diante do estado avançado de deterioração, a remoção foi realizada na manhã do dia 2 de julho pela Secretaria Municipal de Ambiente, Bem-Estar Animal e Sustentabilidade, em uma operação conduzida com todos os cuidados necessários para preservar a memória documental do bem histórico.
A substituição do Cruzeiro integra as ações de conservação do patrimônio cultural de Montes Claros e deverá ser concluída antes das Festas de Agosto, quando milhares de fiéis, congadeiros, catopês, marujos e visitantes ocupam o entorno da Igrejinha do Rosário para celebrar uma das manifestações religiosas e culturais mais importantes de Minas Gerais.
Com a instalação da nova peça, a expectativa é garantir que a tradição secular continue viva, mantendo preservado um dos maiores símbolos da fé popular montes-clarense, agora com mais segurança para a população e respeito à história construída por gerações.



