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A participação de Pirapora na Revolução Constitucionalista de 1932 - Rede Gazeta de Comunicação

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A participação de Pirapora na Revolução Constitucionalista de 1932

Movimento colocou o município entre os poucos de Minas Gerais que aderiram à causa constitucionalista e resultou em prisões, perseguições e forte repressão militar

JOÃO PEDRO ISSA, COLABORADOR

Em 1932, enquanto o governo de Minas Gerais, na figura de seu governador Olegário Maciel, permanecia ao lado do presidente Getúlio Vargas, Pirapora escreveu um capítulo singular em sua história política. O município, ao lado de algumas outras cidades do sul do estado, tornou-se um dos raros focos de apoio mineiro à Revolução Constitucionalista, movimento liderado por São Paulo que exigia a convocação de uma Assembleia Constituinte e o restabelecimento da ordem constitucional no país.

Segundo registros da obra Pirapora: 100 anos de história, lideranças políticas e civis da cidade aderiram ao movimento, contrariando a posição oficial do estado mineiro. A mobilização foi conduzida pelo capitão Otávio Monteiro Machado.

O plano revolucionário

Os participantes pretendiam expandir a revolta pelo interior mineiro, mais especificamente controlando cidades cortadas pela antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, cujo destino final era Belo Horizonte. Ao chegarem à capital mineira, esperavam unir forças com outros grupos favoráveis ao movimento e pressionar tanto pela queda do governo estadual quanto pela convocação de uma nova Constituição.

Nos primeiros dias da revolta, os insurgentes chegaram a ocupar estações ferroviárias da região e organizaram a distribuição de armamentos entre os voluntários. Existiu uma lista com o nome dos revolucionários e o armamento que foi distribuido a eles.

A reação do governo

A resposta veio rapidamente. Tropas governistas, comandadas pelo tenente Neactor Oliveira, deslocaram-se para Pirapora com a missão de reprimir o movimento.

Mesmo tentando retardar o avanço militar por meio da retirada de trechos da ferrovia, os revolucionários não conseguiram impedir a chegada das forças oficiais. Na madrugada de 9 de setembro de 1932, a cidade foi surpreendida pela entrada das tropas.

Prisões e deportações

Após a retomada do controle, diversas lideranças locais foram presas em suas próprias residências. Os detidos foram enviados ao Rio de Janeiro, onde permaneceram encarcerados.

O episódio provocou forte comoção em Pirapora. Famílias acompanharam, apreensivas, a prisão de pais, filhos e amigos.

O retorno

Cerca de 2 meses depois, os presos começaram a retornar ao município. O reencontro foi marcado por manifestações de alegria da população, encerrando um dos momentos mais delicados da história política local.

O pároco, Frei Hilário, depois da chegada, mandou imprimir um santinho com os dizeres

” Lembrança da Comunhão Geral das creanças, em cumrpimento duma promessa feita a Nossa Senhora da Conceição para o regresso feliz dos 25 piraporenses. Pirapora, 11 de Dezembro de 1932″ o que comprova, que o episodio teve forte comoção local na época.

Apesar da derrota militar da Revolução Constitucionalista, o movimento contribuiu para pressionar o governo Vargas, que, em 1933, convocou eleições para a Assembleia Nacional Constituinte e, no ano seguinte, promulgou uma nova Constituição.

Um capítulo pouco conhecido

Embora a participação de São Paulo na Revolução de 1932 seja amplamente conhecida, poucos sabem que Pirapora teve papel relevante nesse episódio. A cidade tornou-se um dos principais núcleos de apoio ao movimento no Norte de Minas, demonstrando que os reflexos da crise política nacional também chegaram ao sertão mineiro.

Passadas mais de nove décadas, a história dos revolucionários piraporenses permanece como um importante patrimônio da memória local e ajuda a compreender a participação do município em um dos acontecimentos mais marcantes da história republicana brasileira. Também comprova sua singularidade política, nem sempre acompanhando as tendências dos municípios vizinhos, mas construindo sua própria trajetória.

Lamentavelmente, esse episódio se encontra esquecido na atual consciência coletiva da cidade de Pirapora. Ele foi abordado mais recentemente no livro historiográfico Pirapora: 100 anos de história. Para uma futura restauração, as instituições competentes podem pensar em nomear ruas, praças ou festividades com o nome dos revolucionários, além de inserir o episódio na grade curricular do município.