Paula Pereira
Jornalista | Programadora Visual | Analista de Marketing
O povo geraizeiro conhece a força da terra. Conhece o sofrimento da seca, o valor de cada gota d’água e o suor derramado debaixo do sol quente do sertão mineiro. É justamente por isso que a expansão do Projeto Jaíba não pode ser tratada apenas como mais uma pauta técnica, burocrática ou política. O que está em discussão é o futuro do Norte de Minas.
A audiência pública realizada em Jaíba para debater as etapas III e IV do Projeto Público de Irrigação Jaíba reacendeu a esperança de milhares de famílias que vivem da agricultura, da produção rural e do pequeno comércio espalhado pelos rincões da região. Mas também trouxe à tona um sentimento antigo do povo norte-mineiro: o medo de ver promessas ficarem pelo caminho.

O Projeto Jaíba não é apenas um empreendimento agrícola. Ele é símbolo de resistência. É a prova viva de que o sertão produz, prospera e alimenta o Brasil quando recebe oportunidade, investimento e respeito.
A proposta de expansão de 76 mil para 106 mil hectares irrigados representa muito mais do que números. Representa emprego para quem acorda cedo e luta pela sobrevivência no campo. Representa renda para os pequenos produtores. Representa alimento na mesa de milhares de brasileiros. Representa dignidade para comunidades inteiras que, por décadas, enfrentaram abandono, estiagem e falta de políticas públicas permanentes.
O Norte de Minas já cansou de esperar apenas migalhas.
Enquanto outras regiões recebem grandes investimentos estruturais, o povo geraizeiro continua batalhando quase sozinho para manter viva uma das áreas agrícolas mais importantes do país. E quando se fala em Jaíba, fala-se de um projeto que transformou uma região historicamente castigada pela seca em um dos maiores polos irrigados do Brasil.
Mas a expansão precisa sair do discurso.
Não basta reunir autoridades, técnicos e representantes institucionais em auditórios climatizados enquanto o pequeno agricultor continua sofrendo com dificuldades de crédito, estradas precárias, energia cara e insegurança hídrica.
O sertanejo quer ação.
O produtor rural quer garantias.
O trabalhador quer oportunidade.
O jovem do Norte de Minas quer permanecer em sua terra sem precisar abandonar sua origem em busca de emprego nos grandes centros.
A ampliação do Projeto Jaíba pode representar uma virada histórica para toda a região, mas somente se houver compromisso real dos governos, investimentos contínuos e planejamento sério.
É preciso lembrar que o Jaíba movimenta cadeias inteiras da economia regional. Quando o campo produz, o comércio vende. Quando a irrigação avança, surgem empregos. Quando a agricultura cresce, cresce junto a esperança do povo.
O Norte de Minas não quer privilégio. Quer reconhecimento.
Quer que enxerguem que aqui existe potencial, capacidade produtiva e gente trabalhadora.
O povo geraizeiro aprendeu a sobreviver resistindo. Mas resistir não pode ser obrigação eterna de quem já sofreu tanto com a seca, com o esquecimento político e com a desigualdade histórica.
A expansão do Jaíba precisa ser tratada como prioridade estratégica para Minas Gerais e para o Brasil.
Porque investir no Jaíba é investir na segurança alimentar, no desenvolvimento regional e na permanência do homem no campo.
Este editorial é também um pedido de socorro.
Socorro ao pequeno agricultor que luta para produzir.
Socorro às comunidades rurais que dependem da água para sobreviver.
Socorro a uma região inteira que não aceita mais viver apenas de promessas.
O Norte de Minas tem voz. Tem força. Tem coragem.
E merece ser ouvido.



