Anny Duarte
Autora
A evolução educacional em Montes Claros é hoje uma realidade inegável, consolidada por resultados que transcendem as estatísticas e transformam vidas. Durante décadas, prevaleceu o estigma de que o sucesso acadêmico e o acesso às carreiras de prestígio eram privilégios restritos aos egressos do ensino privado. À época, a aprovação de um aluno da rede pública em vestibulares de alta concorrência era tida como um fenômeno isolado, quase um milagre, diante de um cenário de desmotivação e carência de recursos.
Contudo, testemunhamos atualmente uma era de avanços significativos. A educação municipal e estadual de nossa cidade não apenas se reestruturou, mas tornou-se referência em qualidade e gestão. É imperativo que a honra e o reconhecimento sejam conferidos àqueles que dedicam sua existência a essa causa. Embora em momento oportuno eu pretenda discorrer sobre a Escola Municipal Geraldo Pereira de Souza e a exemplar gestão da diretora Hilda Alves — cuja força e determinação são para mim uma meta de conduta — hoje, meu reconhecimento dirige-se à Escola Estadual Delfino Magalhães.
Sob a gestão exímia de Carlinho Rodrigues da Fonseca, o “Delfino” consolidou-se como um reduto de acolhimento e empatia. A instituição, hoje referência nos cursos técnicos em Química e Automação, é o exemplo vivo de como a liderança comprometida pode alterar o destino de uma comunidade. Tive a honra de acompanhar de perto o empenho hercúleo deste corpo docente e administrativo, especialmente no crítico período pós-pandemia.
Enquanto muitos jovens se viam divididos entre a necessidade do trabalho precoce e o desalento das crises de ansiedade, a equipe do Delfino Magalhães desdobrou-se. Professores e supervisores não se limitaram ao ensino formal; exerceram o cuidado, o amparo emocional e a escuta ativa, devolvendo a expectativa de futuro a jovens que já não vislumbravam horizontes.
Quando uma instituição compreende que o educando é um ser humano integral, e não apenas um dado quantitativo, a mudança torna-se visceral. Presenciamos a direção e os docentes suprindo carências básicas e oferecendo o suporte que a teoria não abrange. Esse êxito, traduzido no crescente número de aprovações em vestibulares, é o coroamento de uma equipe que acredita no aluno como protagonista de sua própria história.
Para que a escola alcançasse o prestígio atual, foi necessário que sua liderança lutasse pelo direito de permanecer e de brilhar. Por isso, parabenizo a Escola Estadual Delfino Magalhães na figura do diretor Carlinho Fonseca: um gestor que conjuga o rigor da responsabilidade com a generosidade de um “coração de ouro”. A maior homenagem a esta equipe não reside nestas linhas, mas em cada trajetória de sucesso que ajudaram a construir e em cada vida que, através da educação, foi resgatada e dignificada.



