PAULA PEREIRA:
Primeiro, eu gostaria que você começasse falando para mim: qual é o seu nome completo e quem é você?
Gi Lages:
Eu me chamo Giselda Ramos Lages, mas todos me conhecem por Gi Lages. Sou franqueada da CVC Viagens e trabalho com turismo há mais de 26 anos — na verdade, acho que já ultrapassei os 30 anos.
Costumo dizer que foi a poesia que me encontrou ainda na infância. Meu pai era escritor, e acredito que essa influência veio desde muito cedo. Brinco que tive uma espécie de “benzedura poética”. Hoje, atuo na literatura. Participei recentemente do lançamento de um livro coletivo com mais cinco poetas, publicado em novembro de 2025.
Junto com colegas da Academia Feminina de Letras, criamos um grupo chamado Bordados Poéticos. Semanalmente, lançamos um mote, que se transforma em poema e é compartilhado nas redes sociais.
Minha trajetória na literatura começou com esse livro coletivo. Não diria que escrevo muito, mas escrevo constantemente. Fui guardando poemas ao longo do tempo. À noite, sentava ao computador e organizava tudo em blocos, em partes. Até que, um dia, percebi que já tinha material suficiente.
Enviei os textos para uma amiga da Academia Feminina de Letras, Maria Cida Nere, que fez a revisão. Ela disse: “Está pronto. Mande para a editora.” Enviei para a Editora Patuá, de São Paulo. Eles costumam demorar para responder, mas acredito que a escrita não pode ter pressa — é um sonho que exige tempo. Um mês depois, recebi a resposta positiva para lançar meu livro.
PAULA PEREIRA:
Fale um pouco sobre você: onde nasceu, como foi sua infância, sua relação com seus pais.
Gi Lages:
Nasci em Montes Claros. Minha mãe é de Salinas e meu pai, de Minas Novas. Eles se casaram em Salinas. Somos sete irmãos — infelizmente, um deles já faleceu.
Venho de uma família muito serena. Meu pai era extremamente sereno, minha mãe maravilhosa. Tive uma infância feliz em Montes Claros.
PAULA PEREIRA:
Você se imaginava escritora naquela época?
Gi Lages:
Hoje mesmo eu lembrava disso. Estudei no Colégio Imaculada Conceição, e minha professora de português sempre dizia: “Menina, você escreve diferente.” Acho que aquilo já era um sinal.
Tenho uma poesia datilografada na máquina de escrever quando eu tinha 16 anos. Meu pai, que era bancário, passava muito tempo na máquina — fazendo contas e também escrevendo poesias.
Já participei de concursos literários. Lembro-me de um concurso de poesia em que ganhei o segundo lugar. A poesia sempre esteve comigo. Costumo dizer que não somos nós que encontramos a poesia — é ela que nos encontra.
PAULA PEREIRA:
Fale sobre o livro. Como surgiu? Sobre o que ele trata? O que você espera dos leitores?
Gi Lages:
Esse livro vem sendo preparado há muito tempo. Não foi um estalo. Há muitas poesias inéditas, que nunca publiquei. Fui reunindo, organizando.
O livro fala de amor, de desamor, da minha família, de vivências, de perdas, de doação de órgãos. Eu o defino como a dobradura da minha alma.
Minha poesia é acessível. Não é rasa, mas é fácil de ler. Espero que o leitor encontre nela reflexos da própria vida e que se emocione.
PAULA PEREIRA:
Quais são as expectativas para o lançamento?
Gi Lages:
O evento será no restaurante Sanchos, às 19h, hoje dia 26 de fevereiro.
Quero que seja uma festa, um encontro de amigos, familiares e amantes da poesia. É aberto ao público. Desejo algo mais alegre, menos formal.
Teremos uma exposição de Guilherme Peixoto, artista de origami, além de apresentações de poetas e escritores da cidade. Minha amiga Junia Rabello, Secretária de Cultura e Turismo abrirá a noite.
Curiosamente, o livro não teria esse título inicialmente. Durante uma reunião com o editor Eduardo Lacerda, ele disse: “O seu título está dentro do seu livro.” Depois, ao reler um poema chamado Origami de Dezembro, percebi que aquele era o nome perfeito.
O poema fala de perdas, mas também de renascimento. A capa traz um pássaro em origami. Como origami significa dobradura, tudo se conectou perfeitamente.
PAULA PEREIRA:
O livro fala muito de amor. Como isso aparece na obra?
Gi Lages:
Ele é dividido em partes. Uma delas chama-se Amor e Suas Invenções Poéticas, que aborda diferentes formas de amor — encontros, términos, sentimentos.
Há também uma parte dedicada a um grande amor que vivi. Ele é italiano e traduziu meus poemas para o italiano.
Outra seção trata da violência doméstica. Outra aborda a doação de órgãos, um tema muito importante para mim.
O livro termina com o que chamo de “benzedura poética”, quase como uma explicação dessa ligação tão profunda que tenho com a poesia.
PAULA PEREIRA:
Você fala muito sobre seus pais.
Gi Lages:
Meus pais viveram um grande amor. O livro inclui contos — um deles é uma ficção inspirada na história deles.
Lançamos um livro do meu pai quando ele completou 80 anos. Meus pais nasceram em novembro e ambos faleceram em dezembro. Por isso, Origami de Dezembro também carrega um significado emocional muito forte.
Meu pai era serenidade. Minha mãe, uma potência de mulher. Tento levar esse equilíbrio para meus filhos.
PAULA PEREIRA:
Que mensagem você deixa para o leitor?
Gi Lages:
Que nunca deixem de sonhar. E que leiam poesia.
Um livro de poesia não tem fim. Pode ficar na cabeceira. Você lê um poema hoje, outro amanhã, relê várias vezes. Cada leitura traz uma nova emoção.
PAULA PEREIRA:
O livro é físico ou digital?
Gi Lages:
Por enquanto, apenas físico. Estará à venda no lançamento, no site da Editora Patuá e, posteriormente, na Amazon.
Gi Lages:
Quero agradecer a todos os poetas e escritores que caminham comigo.
Agradeço especialmente à Mara Parrela, escritora brasileira que mora na Holanda e que assinou o prefácio da obra, e à Maria Cida, responsável pela revisão.
É um momento muito significativo para mim, porque este livro representa não apenas um sonho realizado, mas uma parte essencial da minha história.




