A Câmara Municipal de Montes Claros aprovou, durante a reunião ordinária desta quinta-feira (19/02), um conjunto de requerimentos que refletem preocupações centrais da agenda urbana: drenagem pluvial, mobilidade, infraestrutura viária, requalificação de espaços públicos, valorização do servidor e modernização dos serviços municipais. Entre as proposições analisadas, o principal destaque foi o requerimento nº 45/2026, de autoria do vereador PC Landim (Avante), que propõe a realização de estudos técnicos e administrativos para a implantação do programa denominado “Bueiro Inteligente”.
A proposta surge em um contexto recorrente nas cidades brasileiras: o desafio de enfrentar alagamentos e pontos de inundação agravados por chuvas intensas, crescimento urbano e sobrecarga dos sistemas de drenagem. A iniciativa sugere a adoção de dispositivos tecnológicos capazes de monitorar, em tempo real, o funcionamento dos bueiros, identificar obstruções e permitir intervenções preventivas, reduzindo riscos de entupimentos e transbordamentos.
Durante a discussão em plenário, o vereador PC Landim defendeu o caráter inovador da proposta, classificando-a como uma resposta contemporânea a um problema histórico. Segundo o parlamentar, a adoção de ferramentas tecnológicas pode representar uma mudança estrutural na forma como o município lida com a drenagem urbana, especialmente em períodos de maior volume de precipitação.
Ao justificar o requerimento, Landim enfatizou que a iniciativa não se limita à instalação de equipamentos, mas envolve uma abordagem mais ampla, baseada em planejamento, análise técnica e integração de dados. A intenção, conforme destacado, é criar mecanismos que permitam antecipar falhas, reduzir custos com manutenções emergenciais e aumentar a eficiência das ações de limpeza e conservação da rede pluvial.
A temática da drenagem urbana, aliás, permeou boa parte dos debates da sessão. A vereadora Graça da Casa do Motor (União), autora do requerimento nº 44/2026, reforçou a necessidade de intervenções em pontos críticos da cidade. A parlamentar solicitou a execução de serviços de drenagem na avenida Francisco Gaetani e em diversas ruas do município, abrangendo áreas do Distrito Industrial e bairros como Raul Lourenço, Nova Morada, Canela II, Jardim Olímpico e Independência.
Ao defender sua proposição, a vereadora destacou que os problemas relacionados às chuvas ultrapassam o desconforto momentâneo, gerando prejuízos materiais, transtornos à mobilidade e impactos diretos na rotina da população. Em sua manifestação, ressaltou que a ampliação e modernização do sistema de drenagem representam uma das demandas mais urgentes da infraestrutura urbana local.
O debate evidenciou um consenso entre os parlamentares quanto à relevância do tema. Vereadores de diferentes bancadas apontaram que eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes, o que exige planejamento contínuo, manutenção preventiva e, sobretudo, adoção de soluções que combinem engenharia tradicional e inovação tecnológica.
Nesse cenário, a proposta do “Bueiro Inteligente” foi interpretada por parte dos legisladores como uma alternativa alinhada às tendências de cidades inteligentes, conceito que envolve o uso de tecnologia para otimizar serviços públicos, ampliar a eficiência administrativa e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.
Além das pautas relacionadas à drenagem, a reunião ordinária contemplou requerimentos voltados à requalificação de espaços públicos. O vereador Daniel Dias (PCdoB), por meio do requerimento nº 46/2026, solicitou a reforma da praça e da quadra localizadas na esquina da Rua Dez com a Rua Olga Benário, no bairro Joaquim Costa. A proposta busca revitalizar o espaço, ampliando as condições de lazer, convivência comunitária e prática esportiva.
Na área da mobilidade urbana e segurança viária, o vereador Igor Dias (PRD) apresentou o requerimento nº 41/2026, direcionado à MCTRANS. O parlamentar solicita a instalação de semáforo ou faixa elevada para travessia de pedestres nas imediações da praça Dr. João Alves, com atenção especial ao cruzamento da Rua Coronel Joaquim Costa com a Rua Dom João Pimenta.
A justificativa enfatiza o intenso fluxo de veículos e pedestres na região, apontando a necessidade de medidas que reduzam riscos de acidentes e garantam maior proteção aos usuários mais vulneráveis do trânsito.
Também voltado à infraestrutura viária, o requerimento nº 42/2026, de autoria do vereador Soter Magno (PSD), reitera ao Executivo municipal a necessidade de recapeamento asfáltico em vias estratégicas, como a avenida Olímpio Teixeira Guimarães, no bairro Morada do Parque, e a avenida Tito Versiane dos Anjos, no bairro Augusta Mota. A proposição visa melhorar as condições de tráfego, reduzir danos a veículos e ampliar a segurança dos condutores.
Outro ponto relevante da pauta foi o requerimento nº 43/2026, apresentado pelo vereador Cláudio Rodrigues (Cidadania). A matéria encaminha anteprojeto de lei que institui o “Fundo de Amparo a Ações Voltadas para o Custeio do Bem-Estar do Servidor Público Municipal de Montes Claros”. A iniciativa propõe a criação de um instrumento específico para fomentar políticas públicas direcionadas à valorização e qualidade de vida dos servidores.
O conjunto de requerimentos aprovados reflete, de maneira abrangente, as múltiplas dimensões da gestão urbana contemporânea. Ao mesmo tempo em que evidencia demandas estruturais históricas — como drenagem e pavimentação —, aponta para a crescente incorporação de soluções tecnológicas no debate legislativo.
Com a aprovação das proposições, os requerimentos seguem agora para análise e eventual execução por parte do Executivo municipal, que deverá avaliar a viabilidade técnica, administrativa e orçamentária das medidas sugeridas.
No caso específico do “Bueiro Inteligente”, a expectativa é que os estudos propostos permitam dimensionar custos, benefícios e impactos operacionais, abrindo caminho para possíveis investimentos em inovação voltada à prevenção de alagamentos e à modernização dos serviços urbanos.
A discussão sinaliza uma mudança gradual na abordagem dos problemas urbanos, combinando intervenções tradicionais com estratégias baseadas em tecnologia, planejamento e gestão de dados — elementos cada vez mais presentes na construção de cidades resilientes e sustentáveis.


