18 TRABALHADORES SÃO RESGATADOS EM CONDIÇÕES INSALUBRES - Rede Gazeta de Comunicação

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18 TRABALHADORES SÃO RESGATADOS EM CONDIÇÕES INSALUBRES

Ação conjunta combate trabalho degradante em fazenda no Norte De Minas

Polícia Federal e Ministério do Trabalho atuam para garantir direitos e punir responsáveis por violações graves na zona rural de Ubaí

Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizada nesta terça-feira, 22 de julho, resultou no resgate de 18 trabalhadores submetidos a condições degradantes de trabalho em uma fazenda localizada na zona rural do município de Ubaí, no Norte de Minas Gerais. A ação, que se estendeu pela manhã e início da tarde, teve como foco o combate à prática de trabalho análogo à escravidão, uma violação gravíssima dos direitos humanos ainda recorrente em regiões rurais do país.

Durante a fiscalização, os agentes identificaram quatro carvoarias clandestinas operando de forma totalmente irregular, sem qualquer tipo de licença ambiental ou controle de segurança. No entorno das carvoarias, foram encontrados alojamentos improvisados e em estado precário, que abrigavam trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas e expostos a condições insalubres. Os fiscais constataram ausência total de água potável, alimentação inadequada e instalações sanitárias degradadas, além da falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os trabalhadores, que lidavam diariamente com atividades de alto risco à saúde.

Dentre os resgatados, um homem de 64 anos chamou atenção pela sua vulnerabilidade. Os trabalhadores vinham de diferentes municípios da região, como São João da Ponte, Ubaí e São Romão, e foram imediatamente encaminhados para suas cidades de origem, onde receberão suporte assistencial e orientação sobre seus direitos trabalhistas. Os responsáveis pela fazenda alegaram que o terreno estava arrendado a terceiros, mas não apresentaram qualquer documentação que regularizasse a situação dos trabalhadores ou da produção de carvão.

Segundo os auditores fiscais do trabalho, os empregadores foram notificados formalmente e deverão arcar com multas administrativas, além de serem obrigados a pagar a rescisão dos contratos de trabalho, salários atrasados, férias proporcionais, 13º salário e demais encargos trabalhistas. A situação encontrada é classificada como trabalho em condições análogas à escravidão, crime previsto no artigo 149 do Código Penal Brasileiro, cuja pena pode chegar a oito anos de reclusão, além de multa e indenizações às vítimas.

A Polícia Federal instaurará um inquérito policial para apurar as responsabilidades penais dos envolvidos, incluindo os possíveis arrendatários e proprietários do imóvel. A apuração também deverá identificar se houve a participação de aliciadores ou intermediadores ilegais, prática comum em situações de exploração laboral em áreas isoladas.

O Ministério do Trabalho informou que os trabalhadores serão incluídos no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas às de escravo, conhecido como “Lista Suja”, o que pode acarretar restrições de crédito e financiamento por parte de bancos públicos e privados. A lista é um dos principais instrumentos de combate ao trabalho escravo no Brasil e visa coibir a reincidência dessa prática por meio de sanções econômicas.

O superintendente regional do Trabalho em Minas Gerais, em nota, destacou que ações como esta são fundamentais para romper ciclos de exploração, garantir a dignidade do trabalhador e promover justiça social. Ele também ressaltou a importância da denúncia anônima, que permite às autoridades identificar locais de exploração. A sociedade pode colaborar através do canal Disque 100, da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, ou pelo aplicativo MPT Pardal.

A operação em Ubaí evidencia que, apesar dos avanços legislativos e institucionais, o trabalho escravo moderno ainda persiste no Brasil, especialmente em regiões mais vulneráveis social e economicamente. Casos como este reforçam a urgência de políticas públicas integradas, com foco na fiscalização, educação, geração de emprego digno e combate à impunidade.

Com esta ação, a Polícia Federal e o Ministério do Trabalho reafirmam seu compromisso com a erradicação do trabalho escravo e a promoção dos direitos humanos e trabalhistas, sinalizando que a prática da exploração ilegal não será tolerada e que os responsáveis por essas violações responderão judicialmente por seus atos.